ARTE FINAL

Convocação de Neymar gera impacto bilionário

Poucas estratégias desenhadas recentemente em agências de BH ou do eixo Rio-São Paulo produziram tanto impacto quanto a expectativa pela lista anunciada segunda

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Sabe aquela frase muito usada por comentaristas esportivos de que “nunca foi só futebol”? Ela parece ganhar ainda mais sentido quando o assunto é Seleção Brasileira. A convocação para uma Copa do Mundo sempre mobilizou os amantes do esporte. Mas poucas estratégias desenhadas recentemente em agências de Belo Horizonte ou do eixo Rio-São Paulo produziram tanto impacto quanto a expectativa pela lista anunciada na última segunda-feira. Dias antes da convocação oficial feita por Carlo Ancelotti, a pergunta que dominava os bastidores do futebol e do marketing era simples, mas carregada de implicações bilionárias: Neymar estaria ou não na lista?

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A dúvida, porém, ultrapassava o aspecto técnico ou físico das discussões em mesas de boteco e rodas de boleiros. O inquietante debate, nos bastidores do futebol, era se Ancelotti teria coragem de deixar de fora um atleta cujo peso comercial movimenta cifras gigantescas para patrocinadores, plataformas digitais, emissoras e para a própria CBF. A confirmação do nome de Neymar Jr. teve efeito imediato no mercado publicitário e desencadeou, em minutos, uma série de ativações comerciais previamente preparadas pelas grandes marcas.

O jogo do marketing começou muito antes do apito inicial da FIFA. Agências já trabalhavam com cenários alternativos para uma possível convocação. Bastou a confirmação oficial para que as redes sociais fossem inundadas por campanhas sincronizadas com o momento. Empresas como Mercado Livre, Red Bull e Puma reagiram instantaneamente, transformando o anúncio em uma das maiores vitrines digitais do ano. Estimativas do mercado apontam que apenas as primeiras ativações digitais movimentaram cerca de R$ 30 milhões em exposição e retorno imediato de mídia.

Agora, com a convocação consolidada, a pergunta muda de tom: Neymar será titular? É nesse ponto que futebol e negócios se encontram em uma zona historicamente delicada. O Brasil já viveu episódios em que o peso comercial pareceu influenciar decisões esportivas. A lembrança mais inevitável é a final da Copa de 1998, quando Ronaldo Fenômeno entrou em campo horas após sofrer uma convulsão no hotel da Seleção. O desfecho daquela decisão permanece como um dos capítulos mais controversos da história do futebol brasileiro.

O cenário atual, contudo, mostra que o mercado continua tratando Neymar como um ativo de baixo risco comercial. Aos 34 anos, atuando pelo Santos e convivendo com um histórico recente de lesões, o atacante segue entre os atletas de maior valor comercial do esporte mundial. No ranking global das celebridades esportivas mais rentáveis, aparece atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Ainda assim, o atacante possui um diferencial importante: é o único desse grupo atuando fora do eixo Europa-Estados Unidos, o que amplia seu valor estratégico no mercado brasileiro e latino-americano. Seu alcance digital ajuda a explicar essa força. Neymar soma cerca de 231 milhões de seguidores apenas no Instagram, transformando cada postagem em exposição de enorme valor publicitário.

Além disso, mantém forte conexão com o público jovem por meio de investimentos em moda, entretenimento e eSports, preservando relevância junto à Geração Z e reativando o interesse de patrocinadores que viam o futebol brasileiro perder capacidade de mobilização comercial. O portfólio do jogador reúne mais de 20 marcas, incluindo gigantes globais e empresas nacionais de diferentes segmentos.

Mais do que a força individual do jogador, no entanto, esse cenário também expõe uma dificuldade estrutural do futebol brasileiro nos últimos ciclos. Embora o país tenha revelado talentos importantes na última década, nenhum deles conseguiu assumir plenamente o protagonismo esportivo, midiático e comercial da Seleção. Na prática, o mercado ainda não encontrou um sucessor capaz de reduzir a dependência construída em torno de Neymar.

No fim das contas, o ecossistema publicitário desenhou um cenário em que praticamente todos podem lucrar com Neymar – especialmente se a Seleção avançar na Copa e transformar desempenho esportivo em vendas, audiência e engajamento digital. Com isso, mesmo aqueles que inicialmente não concordavam com a convocação, são levados pela onda do “ruim com ele, pior sem ele”. Afinal, ganham os patrocinadores oficiais, as marcas que fazem alusões indiretas ao craque, os pequenos comerciantes impulsionados pela onda verde e amarela e até o mercado informal de produtos não licenciados.

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É a versão contemporânea da antiga “Lei de Gérson”, eternizada nos comerciais dos anos 1970 pelo Canhotinha de Ouro da Seleção tricampeã: “o importante é levar vantagem em tudo”. No futebol de 2026, a lógica parece ainda mais agressiva. O que está em disputa não é apenas uma vaga em campo, mas bilhões de reais em atenção, consumo e influência. O futebol segue movido pela paixão e pelo imprevisto, em que a única certeza é a incerteza. Mas vai que...

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