Mulher que inspira: proprietária da Nega Lora conquista clientes
Dona de uma história de muita superação, fundadora da marca de acessórios tem trajetória única
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Quem vê a loja no Centro de Belo Horizonte ou mesmo a barraca da Feira Hippie não imagina como foi fundada a marca Nega Lora, já muito conhecida na capital mineira. Dona de acessórios coloridos e descolados, recentemente popularizados por Ana Paula Renault no Big Brother Brasil 2026, Daniela Lima teve uma trajetória marcada por dificuldades e superação.
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Desde pequena, ela tinha uma ligação forte com os acessórios. Para ajudar a família, já vendeu itens como laços de cabelo. Ainda nova, trabalhou com a mãe numa barraca de arranjos de flor na Feira Hippie, quando era na Praça da Liberdade. Em 1991, com a mudança para a Avenida Afonso Pena, onde está até hoje, Daniela e a mãe ficaram sem lugar. Para conseguir um espaço na calçada perto do movimento, a filha precisava, literalmente, dormir na rua.
A separação também é um ponto importante e sensível na vida da empreendedora. Daniela se casou com apenas 17 anos e, depois de 12 anos, se deparou com uma decepção sem igual: chegou em sua casa e a porta não abria. Naquele momento, sozinha, sem nem uma casa para morar e com apenas R$ 300 nos bolsos, precisou se reinventar.
Foi para São Paulo, mais especificamente à Rua 25 de Março, em busca de itens para revender. Com o bom gosto nas produções que saía usando e vendendo, foi criando uma clientela. “Chegamos ao ponto de a minha mãe falar para a gente mudar de setor, e foi isso que fizemos.”
Já com a barraca de bijuterias ao lado da mãe, Daniela ganhou o apelido dos clientes de Nega Lora por ser, justamente, uma mulher negra com cabelo loiro. “As pessoas me procuravam assim, e aí a gente resolveu ‘absorver’ esse jeito de se referir a mim”, conta.
Diferenciais
Se o visual fashionista e a composição fora da caixinha fizeram com que Daniela conquistasse os primeiros clientes, a fidelização deles certamente teve relação com o atendimento. Mesmo em meio a tanta oferta na Feira Hippie, o cuidado dos atendentes da barraca chama a atenção. Na loja, que foi aberta há quatro anos, também no Centro da cidade, o mesmo ocorre. “O que as pessoas enxergam nos meus funcionários é o que eu sou. Sempre passo isso para eles”, destaca.
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Outro ponto que Daniela classifica como chave do seu sucesso é a qualidade dos produtos. “Cerca de 80% do que vendemos são produção própria. Temos uma fábrica e um ateliê onde produzimos nossas peças”, explica a fundadora da marca.
Os orixás
Entre a enorme gama de produtos, destacam-se os colares com temas de orixás. “Percebia que, para as pessoas que cultuam os orixás, não havia muitas opções de bijuterias ligadas à religião. Quando criei esses acessórios, pensando que não tínhamos nada ‘de passear’ de Iansã ou Iemanjá, por exemplo, trouxe muita gente comigo”, revela Daniela.
Hoje, além de medalhas com as imagens, a marca trabalha com um colar repleto de ferramentas dos orixás, objetos simbólicos que representam o poder de cada divindade.
Na crista da onda
Os colares com o tema dos Orixás, assim como os carregam elementos do mar, foram escolhidos por Ana Paula Renault para entrar no Big Brother Brasil. “Ficamos lisonjeados por ela ter nos escolhido, e ela fez essa escolha justamente por conta da nossa história”, diz, reforçando como a campeã do BBB, reconhecida pela força e independência, se identificou com sua trajetória. “Ela quis levar outra mulher forte como ela.”
Essa ligação vem rendendo resultados para a marca. Antes do programa, eles tinham cerca de 70 mil seguidores no Instagram. Hoje, o número mais que dobrou: são quase 160 mil. As vendas também cresceram. “Calculo que 80% das pessoas que chegaram por meio do BBB estão comprando novamente”, celebra Daniela. n
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* Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino.