Rabiscar enquanto escuta ajudou um grupo de 20 pessoas a lembrar 29% mais informações numa pesquisa com 40 participantes. Elas preenchiam formas impressas durante uma gravação monótona. O resultado não significa que desenhar qualquer coisa melhora a memória, pois a tarefa e a avaliação eram específicas.
Como foi feito o experimento dos rabiscos?
A psicóloga Jackie Andrade, da Universidade de Plymouth, separou 40 adultos em dois grupos. Todos ouviram uma gravação fingindo ser um recado telefônico sobre pessoas convidadas para uma festa. A tarefa era anotar os nomes de quem compareceria, ignorando os convidados que não iriam.
Metade recebeu uma folha com quadrados e círculos já desenhados e deveria sombreá-los durante a escuta. A outra metade apenas anotou os nomes pedidos. Portanto, o experimento não comparou ouvir com fazer rabiscos livres, daqueles feitos espontaneamente nas margens dos cadernos.

O grupo que rabiscou lembrou mais detalhes
Na pesquisa original de Andrade, publicada em Applied Cognitive Psychology, houve um teste inesperado após a gravação. Os participantes precisaram lembrar nomes e lugares mencionados. Quem sombreou as formas recordou, em média, 7,5 informações; o outro grupo lembrou 5,8.
A diferença foi de 29% na pontuação média de lembrança, não um aumento de 29 pontos percentuais na memória das pessoas. O grupo com rabiscos também acompanhou melhor os nomes durante o áudio. O estudo não conseguiu isolar completamente por que surgiu essa vantagem.
Por que uma tarefa visual simples poderia ajudar?
Uma explicação levantada pela pesquisadora é que o movimento repetitivo poderia ocupar parte da atenção e reduzir pensamentos sem relação com a gravação. Mas isso ficou como hipótese, não como mecanismo comprovado. O estudo não mostrou que todo tipo de desenho mantém a concentração em reuniões ou aulas.
- Formas prontas: ninguém precisava inventar uma imagem ou pensar numa composição.
- Áudio curto: a mensagem durou cerca de dois minutos e meio.
- Escuta dirigida: todos procuravam nomes específicos e fizeram depois um teste surpresa.
Essas condições ajudam a entender por que pintar figuras simples não equivale a fazer uma ilustração difícil. Um desenho que exige escolhas, planejamento e muitos detalhes pode disputar a atenção com a mensagem, em vez de ajudar a acompanhá-la.
Pesquisas posteriores não encontraram o mesmo benefício
Um estudo de Emily Spencer-Mueller e Mark Fenske, publicado em 2024 no Quarterly Journal of Experimental Psychology, reuniu 222 participantes em dois experimentos. A pesquisa comparou rabiscos, anotações e outras condições durante a escuta de conteúdos e não encontrou melhora de atenção ou memória atribuível aos rabiscos.
O estudo de 2024 registrado no PubMed também relatou melhor desempenho com anotações ligadas ao conteúdo. Isso não apaga o resultado de Andrade, mas indica que os efeitos variam conforme a tarefa. O número de 29% não pode ser aplicado diretamente a qualquer sala de aula.

Anotações e rabiscos servem a propósitos diferentes
Rabiscar formas sem relação com a fala ocupava as mãos e os olhos, mas os participantes ainda precisavam registrar nomes dos convidados. Não houve substituição completa do registro por desenhos. Essa diferença impede tratar o resultado como prova de que desenhar basta para guardar informações.
Quem precisa recordar instruções pode optar por anotar o que foi dito e confirmar pontos incertos. Em reuniões longas, o modo de registrar também depende do assunto e da permissão para escrever. A pesquisa não testou a melhor técnica de estudo para cada pessoa.
Quando rabiscar enquanto escuta faz sentido?
Durante uma chamada monótona, alguém pode experimentar preencher pequenas formas sem deixar de acompanhar a conversa. Se os detalhes forem importantes, anotar nomes, prazos e decisões continua sendo uma medida mais direta. O melhor método depende do conteúdo e da atenção necessária, não de uma regra universal.
Quando o trabalho exige leitura cuidadosa, direção ou atenção a riscos, dividir o foco pode atrapalhar. A pesquisa dos rabiscos mostra um resultado interessante num contexto limitado. Ela não autoriza trocar anotações úteis por desenhos nem concluir que quem não rabisca aprende menos.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




