As tatuagens antigas de Gebelein ficaram escondidas por milhares de anos na pele de uma múmia egípcia. Marcas vistas como manchas no braço direito revelaram, sob imagens infravermelhas, dois animais com chifres. Os desenhos têm mais de 5 mil anos, mas o significado atribuído a eles continua sem comprovação.
As manchas estavam no braço de um homem de Gebelein
O corpo é conhecido como Gebelein Man A e pertence ao período anterior à formação do Egito dos faraós. Foi encontrado na região de Gebelein, no Alto Egito, e integra a coleção do British Museum. O clima seco ajudou a conservar sua pele naturalmente, sem embalsamamento elaborado.
Por muito tempo, as marcas escuras no braço direito pareceram simples alterações da pele antiga. A múmia já era conhecida e exposta quando pesquisadores voltaram a examinar o corpo. A descoberta mostrou que conservar um objeto não significa compreender de imediato todos os seus detalhes.

Como o infravermelho revelou duas figuras com chifres?
Os cientistas utilizaram fotografia em infravermelho, que registra informações diferentes das imagens feitas apenas com luz visível. O contraste tornou mais nítidas as marcas muito fracas e permitiu reconhecer dois desenhos sobrepostos, com contornos semelhantes aos de animais retratados na arte egípcia pré-dinástica.
Segundo o repositório científico do British Museum, a pesquisa encontrou tatuagens em duas das sete múmias examinadas. O método não criou imagens inexistentes: ajudou a identificar sinais já preservados na pele, praticamente invisíveis a olho nu.
Um touro selvagem e uma ovelha estão entre as interpretações
O animal de baixo foi interpretado como um provável touro selvagem, por causa da forma dos chifres e da cauda. O de cima lembra uma ovelha-da-Barbária, também chamada de arruí. A identificação é baseada na comparação com imagens antigas, não em inscrições que nomeiem as espécies.
- Marca física: há pigmento sob a pele compatível com tatuagens antigas.
- Figura inferior: o formato é interpretado como um bovino selvagem.
- Figura superior: os chifres sugerem uma ovelha-da-Barbária.
- Sentido dos desenhos: não foi possível determinar sua função social ou religiosa.
Imagens de animais podiam circular em objetos e representações daquela época, mas isso não comprova o motivo da tatuagem em uma pessoa específica. Força, proteção ou posição social são possibilidades mencionadas em discussões sobre marcas corporais, não respostas demonstradas para aquele homem.
Como os pesquisadores calcularam a idade das tatuagens?
O estudo de 2018 no Journal of Archaeological Science reuniu datação por radiocarbono e comparação com a arte pré-dinástica. As duas múmias tatuadas foram situadas aproximadamente entre 3351 e 3017 a.C., conforme as estimativas apresentadas pela pesquisa.
Isso coloca os desenhos entre os mais antigos exemplos preservados de tatuagens figurativas. Já existiam marcas geométricas antigas em outros corpos, como o de Ötzi. A distinção importa: a pesquisa não afirma que aquelas pessoas inventaram a tatuagem, e sim que conservaram evidências raras dessa prática.

O que as marcas mudam na história do Egito antigo?
Outra múmia, identificada como Gebelein Woman, revelou sinais em forma de S no ombro e uma linha curva no braço. O conjunto ajuda a mostrar que homens e mulheres tinham tatuagens nesse período. Antes, parte das interpretações dependia principalmente de figuras femininas em objetos.
Os corpos preservados de Gebelein continuam permitindo novos estudos, assim como outras peças do Egito pré-dinástico guardadas em museus. A descoberta amplia o que se sabe sobre marcas na pele, mas deixa em aberto quem as aplicava, por qual motivo e como eram vistas naquela sociedade.
As tatuagens não contam toda a vida das múmias
Os pesquisadores conhecem os desenhos, a posição das marcas e a época aproximada, mas não podem perguntar aos antigos moradores o que elas queriam dizer. Nem mesmo a comparação com pinturas do período permite escolher uma explicação única para as figuras representadas na pele.
A descoberta reforça a importância de reexaminar coleções antigas com novas técnicas. Uma marca quase apagada pode guardar informação histórica relevante, mas a interpretação precisa continuar ligada às provas disponíveis. No caso de Gebelein, as tatuagens são reais; a intenção de quem as fez segue desconhecida.
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