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O que pareciam manchas no braço de uma múmia de mais de 5 mil anos eram tatuagens de animais reveladas por imagens infravermelhas

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
24/10/2026
Em Curiosidades
Uma técnica de imagem permitiu identificar desenhos que não eram facilmente reconhecidos na pele preservada - IMAGEM ILUSTRATIVA

Uma técnica de imagem permitiu identificar desenhos que não eram facilmente reconhecidos na pele preservada - IMAGEM ILUSTRATIVA

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Imagens infravermelhas revelaram duas tatuagens de animais no braço direito do homem de Gebelein, uma múmia egípcia com mais de 5 mil anos.↓ Ver no artigo
As figuras foram interpretadas como um provável touro selvagem e uma ovelha-da-Barbária, mas as espécies não foram nomeadas por inscrições.↓ Ver no artigo
Estudo de 2018 estimou as tatuagens entre 3351 e 3017 a.C., usando datação por radiocarbono e comparação com arte pré-dinástica.↓ Ver no artigo

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Resumo gerado por IA a partir dos artigos deste site.
⚡ Feito com Myth Box

As tatuagens antigas de Gebelein ficaram escondidas por milhares de anos na pele de uma múmia egípcia. Marcas vistas como manchas no braço direito revelaram, sob imagens infravermelhas, dois animais com chifres. Os desenhos têm mais de 5 mil anos, mas o significado atribuído a eles continua sem comprovação.

As manchas estavam no braço de um homem de Gebelein

O corpo é conhecido como Gebelein Man A e pertence ao período anterior à formação do Egito dos faraós. Foi encontrado na região de Gebelein, no Alto Egito, e integra a coleção do British Museum. O clima seco ajudou a conservar sua pele naturalmente, sem embalsamamento elaborado.

Por muito tempo, as marcas escuras no braço direito pareceram simples alterações da pele antiga. A múmia já era conhecida e exposta quando pesquisadores voltaram a examinar o corpo. A descoberta mostrou que conservar um objeto não significa compreender de imediato todos os seus detalhes.

As marcas revelaram detalhes sobre práticas corporais adotadas por pessoas que viveram há milhares de anos – IMAGEM ILUSTRATIVA

Como o infravermelho revelou duas figuras com chifres?

Os cientistas utilizaram fotografia em infravermelho, que registra informações diferentes das imagens feitas apenas com luz visível. O contraste tornou mais nítidas as marcas muito fracas e permitiu reconhecer dois desenhos sobrepostos, com contornos semelhantes aos de animais retratados na arte egípcia pré-dinástica.

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Segundo o repositório científico do British Museum, a pesquisa encontrou tatuagens em duas das sete múmias examinadas. O método não criou imagens inexistentes: ajudou a identificar sinais já preservados na pele, praticamente invisíveis a olho nu.

Um touro selvagem e uma ovelha estão entre as interpretações

O animal de baixo foi interpretado como um provável touro selvagem, por causa da forma dos chifres e da cauda. O de cima lembra uma ovelha-da-Barbária, também chamada de arruí. A identificação é baseada na comparação com imagens antigas, não em inscrições que nomeiem as espécies.

Os pesquisadores diferenciam aquilo que aparece na pele daquilo que ainda depende de interpretação:
  • Marca física: há pigmento sob a pele compatível com tatuagens antigas.
  • Figura inferior: o formato é interpretado como um bovino selvagem.
  • Figura superior: os chifres sugerem uma ovelha-da-Barbária.
  • Sentido dos desenhos: não foi possível determinar sua função social ou religiosa.

Imagens de animais podiam circular em objetos e representações daquela época, mas isso não comprova o motivo da tatuagem em uma pessoa específica. Força, proteção ou posição social são possibilidades mencionadas em discussões sobre marcas corporais, não respostas demonstradas para aquele homem.

Como os pesquisadores calcularam a idade das tatuagens?

O estudo de 2018 no Journal of Archaeological Science reuniu datação por radiocarbono e comparação com a arte pré-dinástica. As duas múmias tatuadas foram situadas aproximadamente entre 3351 e 3017 a.C., conforme as estimativas apresentadas pela pesquisa.

Isso coloca os desenhos entre os mais antigos exemplos preservados de tatuagens figurativas. Já existiam marcas geométricas antigas em outros corpos, como o de Ötzi. A distinção importa: a pesquisa não afirma que aquelas pessoas inventaram a tatuagem, e sim que conservaram evidências raras dessa prática.

A descoberta ajuda a entender como as tatuagens já faziam parte da vida de sociedades muito antigas – IMAGEM ILUSTRATIVA

O que as marcas mudam na história do Egito antigo?

Outra múmia, identificada como Gebelein Woman, revelou sinais em forma de S no ombro e uma linha curva no braço. O conjunto ajuda a mostrar que homens e mulheres tinham tatuagens nesse período. Antes, parte das interpretações dependia principalmente de figuras femininas em objetos.

Os corpos preservados de Gebelein continuam permitindo novos estudos, assim como outras peças do Egito pré-dinástico guardadas em museus. A descoberta amplia o que se sabe sobre marcas na pele, mas deixa em aberto quem as aplicava, por qual motivo e como eram vistas naquela sociedade.

As tatuagens não contam toda a vida das múmias

Os pesquisadores conhecem os desenhos, a posição das marcas e a época aproximada, mas não podem perguntar aos antigos moradores o que elas queriam dizer. Nem mesmo a comparação com pinturas do período permite escolher uma explicação única para as figuras representadas na pele.

A descoberta reforça a importância de reexaminar coleções antigas com novas técnicas. Uma marca quase apagada pode guardar informação histórica relevante, mas a interpretação precisa continuar ligada às provas disponíveis. No caso de Gebelein, as tatuagens são reais; a intenção de quem as fez segue desconhecida.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiaEgito AntigomúmiasTatuagens

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