Um pedaço de resina mastigada há 5.700 anos permitiu recuperar o DNA de uma mulher na Dinamarca, sem a descoberta de seu esqueleto. A análise sugeriu cabelo escuro e olhos azuis. A figura conhecida como Lola é uma reconstrução artística ilustrativa inspirada em indícios genéticos, não um retrato autêntico.
O material foi encontrado no sul da Dinamarca
O pedaço escuro foi descoberto em Syltholm, na ilha dinamarquesa de Lolland, durante escavações ligadas a uma obra. Tratava-se de material feito pelo aquecimento de casca de bétula. A superfície guardava sinais de mastigação, e a lama do sítio ajudou a conservar seus vestígios.
Esse tipo de resina, também chamado breu de bétula, podia funcionar como cola para ferramentas de pedra. Há hipóteses de que fosse mastigado para amolecer ou por outros motivos. A marca de dentes confirma o contato com a boca, mas não esclarece por que aquela pessoa o mastigou.

Como os cientistas encontraram DNA sem ossos?
Ao mastigar, a pessoa deixou material biológico na resina. Pesquisadores da Universidade de Copenhague extraíram fragmentos e conseguiram montar um genoma humano antigo. A preservação foi tão boa que permitiu estudar informações normalmente obtidas de dentes ou ossos.
O trabalho saiu em 2019 na revista Nature Communications. A equipe não encontrou um esqueleto associado à mulher naquele sítio. Isso torna o resultado especialmente importante: um objeto mastigado serviu de fonte direta para estudar uma pessoa que viveu há milhares de anos.
O genoma apontou cabelo escuro e olhos azuis
O estudo científico sobre o genoma identificou uma pessoa do sexo feminino, provavelmente com pele escura, cabelo castanho-escuro e olhos azuis. A análise também apontou maior proximidade genética com grupos de caçadores-coletores da Europa continental do que com populações da Escandinávia central naquele período.
- DNA humano: sexo biológico e previsões de características físicas.
- Micróbios: fragmentos de organismos presentes na boca.
- Plantas: vestígios de bétula e avelã.
- Animais: material genético associado a pato selvagem.
As características físicas são estimativas baseadas em variantes genéticas, não observações diretas. Já os sinais de avelã e pato podem ter relação com alimentação recente, mas não provam uma refeição específica. Vestígios de micróbios mostram o potencial do material para estudar o passado, sem estabelecer diagnósticos individuais.
Quem era a mulher chamada Lola?
Lola é o nome dado pelos pesquisadores à pessoa identificada no material. O desenho divulgado junto à pesquisa foi feito por Tom Björklund, como representação artística. Não há fotografia, corpo preservado ou registro pessoal que permita confirmar o formato do rosto, o penteado ou as roupas.
O breu feito de casca de bétula era usado em diferentes tarefas antigas. Nesse caso, a descoberta mostra uma possibilidade especial: uma resina comum pode guardar traços de quem a utilizou. O apelido ajuda a contar a descoberta, mas não revela o nome verdadeiro daquela mulher.

O que a resina sugere sobre a alimentação?
Além do DNA humano, a amostra guardou sinais de avelã e pato selvagem. Os pesquisadores consideraram que eles poderiam vir de alimentos consumidos pouco antes da mastigação. A hipótese faz sentido no contexto do sítio, onde foram encontrados outros vestígios de recursos silvestres.
Mas a presença dessas sequências não permite descobrir o cardápio completo nem estabelecer o momento de uma refeição. A amostra oferece pistas de contato e possíveis hábitos, enquanto o estudo de uma população inteira exige mais pessoas e mais objetos analisados em conjunto.
Uma marca de mastigação abriu outra fonte para a arqueologia
A equipe recuperou não apenas DNA humano, mas também vestígios ligados à boca e ao ambiente. Isso amplia os materiais que podem ser examinados em sítios sem restos humanos preservados. A análise de uma amostra não autoriza, porém, descrever toda a população que viveu na região.
Depois de cerca de 5.700 anos, a resina preservou informações que os ossos ausentes não poderiam oferecer. O caso de Lola mostra como um objeto pequeno e aparentemente simples pode ajudar a estudar o passado, enquanto a aparência exata e a vida da mulher continuam desconhecidas.
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