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Mais de 170 gravuras gigantes feitas há 12 mil anos marcavam o caminho até a água no meio do deserto

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
07/09/2026
Em Entretenimento
A posição das figuras pode ter transformado a própria paisagem em uma forma de orientação

A posição das figuras pode ter transformado a própria paisagem em uma forma de orientação

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Pesquisadores registraram 176 gravuras em 62 painéis de Jebel Arnaan, Jebel Mleiha e Jebel Misma, no sul do deserto de Nefud.↓ Ver no artigo
Das 176 imagens, 130 representam animais em tamanho natural, incluindo camelos, íbex, equídeos, gazelas e um auroque.↓ Ver no artigo
Algumas gravuras chegam a 3 metros de comprimento e entre 1,8 e 2,2 metros de altura, destacando-se nos penhascos.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
176 gravuras encontradas
Os pesquisadores registraram 62 painéis com 176 gravuras em três áreas antes pouco exploradas no sul do deserto de Nefud.
conjunto completo
02
Animais chegam a 3 metros
Das 176 imagens, 130 representam animais em tamanho natural; algumas atingem 3 metros de comprimento e mais de 2 metros de altura.
escala monumental
03
Água guiava os caminhos
Os painéis aparecem junto de lagos sazonais e rotas de acesso, indicando que a arte monumental ajudava a marcar pontos vitais na paisagem árida.
orientação no deserto

No norte da Arábia, mais de 170 gravuras gigantes foram encontradas perto de antigos lagos sazonais. O conjunto reúne 176 representações, sendo 130 animais em tamanho natural, alguns com até 3 metros. Datadas de cerca de 12 mil anos, elas parecem ter marcado fontes de água e deslocamentos no deserto.

Onde foram encontradas as mais de 170 gravuras gigantes?

A equipe registrou os painéis em Jebel Arnaan, Jebel Mleiha e Jebel Misma, na borda sul do deserto de Nefud, no norte da atual Arábia Saudita. As três áreas não haviam sido exploradas arqueologicamente com esse nível de detalhe antes da expedição.

Ao todo, foram documentados 62 painéis de arte rupestre contendo 176 gravuras. A distribuição mostra que não se tratava de um único paredão isolado, mas de uma paisagem marcada repetidamente por imagens visíveis em diferentes pontos de circulação.

Encontrar água era essencial para atravessar uma região onde os recursos estavam separados por grandes distâncias

Quantas dessas gravuras eram realmente gigantes?

Das 176 gravuras registradas, 130 mostram animais em tamanho natural. O grupo inclui principalmente camelos, além de íbex, equídeos selvagens, gazelas e um auroque. Algumas figuras chegam a aproximadamente 3 metros de comprimento e entre 1,8 e 2,2 metros de altura.

O estudo na Nature Communications também registra imagens menores de camelos, pegadas, figuras humanas, rostos e gravuras incompletas. Por isso, o total supera 170, enquanto a parcela monumental é formada sobretudo pelos 130 animais naturalistas em escala real.

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Por que os pesquisadores ligaram as gravuras às fontes de água?

Os painéis monumentais aparecem perto de antigos lagos sazonais e caminhos de acesso. Em Jebel Misma, todos os painéis ficam junto à borda de uma antiga depressão que acumulava água. Em Jebel Arnaan, as gravuras acompanham uma ravina onde ainda se formam poças após chuvas raras.

A posição sugere que as imagens funcionavam como referências numa paisagem em que água significava sobrevivência. Os pesquisadores propõem que elas poderiam marcar fontes, rotas e até direitos de acesso, além de preservar memória coletiva sobre os pontos onde grupos humanos encontravam água durante deslocamentos pelo deserto.

A seguir listamos 4 evidências da ligação com a água que sustentam a interpretação de que os painéis marcavam rotas vitais no deserto:

  • Lagos antigos: os principais conjuntos aparecem próximos de depressões que acumulavam água sazonalmente.
  • Ravinas de acesso: algumas gravuras acompanham caminhos naturais usados para chegar às poças e atravessar montanhas.
  • Posição visível: figuras enormes foram colocadas em penhascos que podiam ser percebidos à distância.
  • Datas compatíveis: os vestígios humanos coincidem com o retorno de água superficial após um período extremamente seco.

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O tamanho das gravuras permitia que elas se destacassem em meio ao cenário aberto e árido

Como os cientistas chegaram à idade de cerca de 12 mil anos?

A equipe combinou datação por radiocarbono, luminescência e análise de sedimentos. Em um painel, arqueólogos encontraram uma ferramenta de gravação dentro de uma camada preservada sob as imagens. A camada foi datada para aproximadamente o mesmo período atribuído às primeiras ocupações humanas registradas na região.

O estudo identificou ocupações entre cerca de 12.800 e 11.400 anos atrás. A volta gradual de lagos sazonais ofereceu água em uma paisagem ainda árida. Ferramentas de pedra, contas e pigmentos encontrados perto das gravuras mostram ainda conexões culturais com comunidades do Levante.

A seguir listamos 3 tipos de evidência usados na datação que permitem relacionar gravuras, ocupação humana e retorno das águas superficiais:

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DADOS EM FOCO
O que os arqueólogos encontraram no deserto
Resumo dos principais números e interpretações do conjunto de arte rupestre monumental
Evidência Número ou dimensão O que indica
Gravuras 176 em 62 painéis Paisagem amplamente marcada
Animais em escala real 130 figuras Arte rupestre monumental
Maiores imagens Até 3 m de comprimento Alta visibilidade nos penhascos

O que essas gravuras revelam sobre quem atravessava o deserto?

Elas mostram que grupos humanos conseguiram ocupar o interior árido antes do período úmido do Holoceno. Em vez de esperar por uma transformação completa do clima, essas populações aproveitaram lagos temporários, conectaram pontos de água e mantiveram contatos com comunidades localizadas centenas de quilômetros ao norte.

As mais de 170 gravuras gigantes transformaram penhascos em referências duradouras numa região onde cada fonte podia decidir uma jornada. Camelos monumentais, ferramentas e antigos lagos mostram que, há cerca de 12 mil anos, sobreviver no Nefud envolvia conhecer caminhos, antecipar água e deixar essa informação registrada na própria paisagem.

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Tags: Arábiaarqueologiaarte rupestredeserto

Comentários 8

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