Doze trombetas feitas de conchas foram identificadas em sítios neolíticos da Catalunha, com peças de mais de 6 mil anos. Oito ainda produzem som. Testes acústicos mostraram alta intensidade, levando pesquisadores a considerar que os instrumentos serviam para sinalização a distância, além de possíveis usos musicais.
Como conchas viraram trombetas no Neolítico?
Os artesãos removeram o ápice das grandes conchas Charonia para criar uma abertura onde os lábios podiam vibrar. O corpo espiral da concha amplificava o som, transformando um material marinho em aerofone simples, sem peças móveis ou mecanismos adicionais.
Os dados do repositório da Universidade de Barcelona registram medições sonoras de oito instrumentos preservados. Os testes foram feitos com supervisão de museus e incluíram pressão sonora, gravações e experimentos dentro das minas neolíticas de Gavà.

Quantos desses instrumentos ainda conseguem produzir som?
Dos 12 exemplares estudados, oito continuam tocáveis. Os outros quatro têm fraturas que impedem a função acústica. Isso é excepcional porque as peças atravessaram mais de seis mil anos desde contextos datados entre a segunda metade do quinto e a primeira metade do quarto milênio a.C.
A concha usada como instrumento aparece em diversas culturas do mundo. No caso catalão, a concentração regional e a sobrevivência de tantos exemplares permitiram comparar potência, notas, harmônicos e possíveis formas de uso em comunidades neolíticas.
Por que os pesquisadores acreditam que elas serviam para sinalização?
A característica mais marcante foi a elevada intensidade sonora. Sons fortes podem viajar além do alcance de uma voz comum e atravessar espaços abertos. Os autores consideram que isso favorece a hipótese de comunicação entre grupos, áreas de trabalho ou pontos separados da paisagem.
Alguns instrumentos poderiam ser ouvidos a longa distância e, em condições favoráveis, além da linha de visão. Isso seria útil para alertar, convocar ou coordenar pessoas. A hipótese musical não foi descartada, mas a potência parece mais consistente com um papel de sinalização.
A seguir listamos 4 características que favorecem a hipótese de sinalização e ajudam a entender por que o volume chamou tanta atenção:
- Som intenso: os instrumentos geram pressão sonora elevada em testes controlados.
- Material portátil: as conchas podem ser carregadas entre assentamentos e áreas de trabalho.
- Alcance potencial: sons fortes podem ultrapassar a distância de uma voz comum.
- Concentração regional: vários sítios próximos preservaram instrumentos do mesmo tipo.
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Essas trombetas também poderiam produzir música?
Sim, mas a interpretação é mais cautelosa. Os pesquisadores analisaram altura, série harmônica e técnicas de emissão. Alguns instrumentos permitem variações de som, porém produzir harmônicos exige mais esforço e costuma reduzir a intensidade, o que poderia prejudicar uma função de sinalização.
Isso não impede usos cerimoniais ou musicais. Um mesmo objeto pode ter desempenhado funções diferentes conforme o contexto. O estudo prefere falar em possibilidades acústicas e não atribuir um único significado cultural a todos os exemplares encontrados.
A seguir listamos 3 usos possíveis das trombetas que permanecem compatíveis com as evidências acústicas e arqueológicas:
| Característica | Resultado | Interpretação |
|---|---|---|
| Exemplares estudados | 12 | Conjunto regional raro |
| Ainda tocáveis | 8 | Som preservado |
| Traço dominante | Alta intensidade | Possível sinalização |
O que esses sons revelam sobre comunidades de 6 mil anos atrás?
Os instrumentos mostram que pessoas neolíticas conheciam propriedades acústicas de materiais naturais. Escolher uma concha grande, abrir o ápice e controlar a vibração dos lábios exige experiência. O som podia transformar distâncias e permitir comunicação sem depender de contato visual direto.
As trombetas de concha neolíticas devolvem ao passado algo que normalmente desaparece: som. Oito peças ainda funcionais permitem testar uma tecnologia criada há milênios. Elas lembram que a arqueologia não recupera apenas objetos silenciosos; às vezes, um artefato preserva também sons semelhantes aos ouvidos por seus primeiros usuários.
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