O vestido de Tarkhan, encontrado numa tumba do Egito em 1913, permaneceu por décadas misturado a outros tecidos. Somente em 1977, durante uma conservação cuidadosa do material, suas mangas e pregas foram identificadas. Uma análise posterior confirmou sua idade superior a 5 mil anos, sem revelar quem o vestiu.
Como o vestido de Tarkhan saiu de uma tumba egípcia?
O arqueólogo Flinders Petrie retirou um conjunto de tecidos de uma sepultura em Tarkhan, ao sul do Cairo, em 1913. A roupa estava entre fragmentos de linho guardados para estudo. Na escavação, ninguém havia reconhecido ali um vestido com mangas.
O linho é produzido a partir das fibras de uma planta. O tecido podia ser dobrado, costurado e usado como roupa. Sua sobrevivência por milênios é um achado raro, pois fibras vegetais costumam se deteriorar quando encontram umidade e outros agentes.

A conservação de 1977 revelou uma roupa inteira na parte superior
Em 1977, o material foi levado à oficina de conservação têxtil do Victoria and Albert Museum, em Londres. Durante a limpeza, especialistas reconheceram uma roupa com gola, mangas e partes costuradas. O trabalho mostrou que havia mais informação naquele amontoado do que parecia.
Segundo o Museu Petrie, da UCL, a peça conserva pregas junto ao pescoço e nas mangas. Também foi montada com apoio de um tecido próprio para conservação. Essa montagem permite estudar o formato preservado sem fingir que a parte perdida reapareceu.
Quais detalhes permitem imaginar como a roupa era usada?
O vestido apresenta dobras feitas no tecido e marcas de uso nos cotovelos e nas axilas. Especialistas observaram que foi encontrado pelo avesso. Esses sinais sugerem que a roupa foi vestida em vida, embora não identifiquem a pessoa nem sua posição social.
- Gola: o recorte em V permite reconhecer a parte superior da roupa.
- Mangas: as pregas e marcas nas dobras mostram trabalho cuidadoso com o linho.
- Barra: a parte inferior desapareceu, impedindo saber o comprimento original.
Pesquisadores consideram que as medidas poderiam servir em uma adolescente ou mulher de corpo pequeno. Isso é uma estimativa de tamanho, não uma identificação. A presença da peça numa sepultura também não revela por que ela foi colocada naquele local.
A datação por carbono situou o tecido antes da primeira dinastia
Uma análise feita em 2015 pela Universidade de Oxford mediu carbono-14 de uma amostra muito pequena. A UCL divulgou em 2016 o intervalo estimado entre 3482 e 3102 a.C., com 95% de probabilidade. Isso indicou uma origem anterior ou próxima do início da primeira dinastia egípcia.
O comunicado científico da UCL explica que a amostra tinha apenas 2,24 miligramas. O resultado ajuda a estimar quando as fibras foram produzidas, mas não informa o dia da costura ou quantos anos a roupa foi usada.

O que ainda não se sabe sobre o vestido de Tarkhan?
Faltam a barra original, a identidade de quem o vestiu e as circunstâncias exatas de seu uso. O tecido encontrado pelo avesso pode ter sido colocado assim no sepultamento, mas essa é apenas uma possibilidade discutida pelos responsáveis pela conservação.
Mesmo com tantas dúvidas, os pontos preservados revelam que havia técnicas de corte e costura elaboradas há milhares de anos. Em vez de preencher as lacunas com uma biografia inventada, o estudo se apoia em fibras, dobras e desgaste que ainda podem ser examinados.
Coleções antigas podem guardar descobertas por muito tempo
O intervalo entre 1913 e 1977 mostra que uma escavação não encerra a pesquisa. Limpeza, conservação e novas técnicas de análise permitem reconhecer objetos antes vistos como fragmentos. O caso do vestido ajuda a entender o valor de guardar e documentar materiais cuidadosamente.
O vestido de Tarkhan ganhou importância porque sobreviveu e foi estudado outra vez. Ele não conta toda a vida de quem o usou, mas conserva marcas reais do trabalho humano. Às vezes, a descoberta acontece quando alguém volta a olhar com atenção uma coleção antiga.
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