Os jogos romanos deixaram vestígios perto da Muralha de Adriano, na Inglaterra. A coleção da English Heritage reúne 689 peças de jogos e 11 fragmentos de tabuleiros, usados em áreas de fortes e cidades. Vidro, osso e cerâmica revelam o lazer na fronteira, embora as regras exatas ainda sejam desconhecidas.
Centenas de peças mostram o lazer na fronteira romana
A Muralha de Adriano marcava uma importante região de fronteira do Império Romano no norte da atual Inglaterra. Fortes e cidades próximas reuniam militares, trabalhadores e famílias. Entre objetos de uso diário, arqueólogos encontraram materiais ligados a partidas de jogos de tabuleiro.
A English Heritage registra 689 peças e 11 partes de tabuleiros em sua coleção dessa região. Esses itens não pertencem todos à mesma partida nem foram retirados de uma única sala. Representam descobertas reunidas de diferentes lugares.

De que materiais eram feitas as peças encontradas?
Algumas peças tinham superfície lisa e brilhante, por serem feitas de vidro colorido. Outras foram trabalhadas em osso ou aproveitavam pedaços de cerâmica quebrada, arredondados para funcionar como marcadores. A variedade mostra que nem toda partida dependia de objetos caros.
Os tabuleiros podiam ser talhados em pedra e conservados por muito tempo. Também é possível que moradores marcassem linhas diretamente no chão ou em construções. Como esses desenhos simples nem sempre sobrevivem, os jogos preservados são apenas parte das atividades existentes.
Tabuleiros incompletos exigem cuidado na interpretação
Em Corbridge, cidade romana perto da muralha, arqueólogos acharam partes de pelo menos cinco tabuleiros de pedra, além de numerosas peças. A coleção arqueológica de Corbridge também mostra dados e recipientes associados aos jogos.
- Marcadores: indicam movimentação de peças sobre superfícies de jogo.
- Dados: mostram que a sorte participava de algumas brincadeiras.
- Tabuleiros: conservam linhas ou partes de espaços usados nas partidas.
- Fragmentos: impedem identificar, em muitos casos, o desenho completo original.
- Peças improvisadas: cacos de vasos poderiam ser adaptados para brincar sem comprar novos objetos.
- Tabuleiros riscados: desenhos no solo poderiam desaparecer com mudanças feitas nos edifícios.
Os conjuntos permitem reconhecer momentos de descanso e competição, mas uma peça isolada raramente prova o nome do jogo. Diferentes brincadeiras podiam utilizar marcadores parecidos. Por isso, comparar objetos, lugares e textos antigos é mais seguro do que adivinhar regras.
Qual jogo de estratégia os romanos conheciam?
Autores romanos como Varrão e Ovídio mencionaram o ludus latrunculorum, um jogo de estratégia com peças. As fontes sugerem disputas envolvendo bloqueios e capturas, mas não fornecem um manual completo das regras ou um modelo único de tabuleiro.
É tentador comparar a atividade ao xadrez, mas essa semelhança serve apenas para explicar o desafio de pensar jogadas. Não há base para afirmar que todas as 689 peças catalogadas fossem usadas nesse jogo específico ou que os jogadores seguissem regras idênticas.

Os jogos faziam parte do cotidiano de soldados e famílias
Objetos de lazer aparecem ao lado de utensílios ligados ao trabalho, à moradia e à vida militar. O conjunto ajuda a lembrar que fortes eram espaços ocupados por pessoas com rotinas além das tarefas de defesa, inclusive oportunidades de encontro e diversão.
As peças de Corbridge são atribuídas sobretudo aos séculos II e III d.C., período de presença romana na região. A coleção não permite saber quem venceu cada partida ou se havia apostas em cada jogo. Ela mostra, porém, que competir também fazia parte da vida cotidiana.
Por que as regras originais continuam incertas?
A maioria dos tabuleiros não está completa, e os textos preservados mencionam jogos sem explicar todos os movimentos. Mesmo quando um desenho parece familiar, uma reconstrução moderna das regras é uma proposta de como jogar, não a recuperação exata de uma partida antiga.
O valor dos 689 marcadores e 11 fragmentos está na combinação de quantidade, materiais e lugares de origem. Eles ajudam a reconhecer uma sociedade que trabalhava, viajava, morava e disputava jogos na fronteira romana, mesmo quando o resultado das partidas desapareceu para sempre.
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