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Funcionária com TDAH recebe troféu de “mais lerda do setor” e empresa terá de pagar R$ 20 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
04/08/2026
Em Economia
Documentos e perícia médica mudaram o peso de uma brincadeira feita no setor

Documentos e perícia médica mudaram o peso de uma brincadeira feita no setor

Uma atendente de laboratório relatou que colegas criaram um troféu para chamá-la de “mais lerda do setor”. A Justiça identificou assédio moral no trabalho, considerou documentos e uma perícia médica e reduziu a indenização de R$ 50 mil para R$ 20 mil no julgamento do recurso.

O que aconteceu com a funcionária no laboratório?

A trabalhadora afirmou que era chamada de “lerda” e “sonsa” por colegas. Ela também apresentou ao processo documentos que registravam rankings internos e a entrega de uma premiação por ser considerada a pessoa mais lenta do setor.

A funcionária informou ter TDAH, sigla para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Segundo o relato, as limitações ligadas à condição se juntaram à sobrecarga e à pressão do ambiente, levando a crises de ansiedade e a um quadro psíquico posterior.

A empresa negou que o trabalho tivesse relação com a doença e disse repudiar atos de assédio. Porém, o relato oficial da decisão sobre a trabalhadora com TDAH informa que a juíza reconheceu atos discriminatórios repetidos.

O que parecia uma premiação interna ajudou a provar um ambiente hostil

Quais provas tiveram peso na decisão?

Os documentos internos e a perícia médica tiveram peso porque não deixaram o caso apoiado apenas em versões opostas. O material mostrou como a trabalhadora era comparada aos colegas e como sua saúde foi afetada.

Os principais pontos considerados foram:

  • Ranking interno: documentos mostraram comparações entre o ritmo dos trabalhadores.
  • Premiação humilhante: o material registrou a escolha da funcionária como a “mais lerda”.
  • Perícia médica: o especialista apontou transtorno ansioso-depressivo com várias causas.
  • Pressão no trabalho: os fatores do ambiente contribuíram de forma importante para o adoecimento.
  • Omissão da empresa: a decisão considerou que o empregador não impediu a violência psicológica.

Por que o trabalho foi ligado ao adoecimento?

O trabalho foi ligado ao adoecimento porque a perícia encontrou um nexo concausal. Esse termo significa que o emprego não foi a única causa, mas participou do surgimento ou do agravamento do problema junto com outros fatores.

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O perito concluiu que o bullying teve papel determinante no transtorno psíquico. A intensidade da violência psicológica também teria contribuído para um afastamento de 3 meses destinado ao tratamento e à recuperação.

A decisão reconheceu ainda uma estabilidade provisória de 12 meses ligada à doença ocupacional. Como o contrato já havia terminado, a reintegração foi substituída por indenização. A regra geral dessa proteção aparece no artigo 118 da Lei nº 8.213/1991.

Leia também: Educador trans sofre discriminação no trabalho e Justiça manda instituição pagar R$ 12 mil

Por que a indenização caiu de R$ 50 mil para R$ 20 mil?

A indenização caiu porque o tribunal, ao analisar o recurso, considerou R$ 20 mil uma quantia mais adequada para aquele processo. Foram levados em conta o tamanho do dano, a capacidade econômica das partes, o efeito educativo da condenação e decisões anteriores.

A situação processual pode ser resumida assim:

1ª decisão
Indenização de R$ 50 mil A sentença inicial fixou esse valor para reparar o dano moral.
Após recurso
Valor reduzido para R$ 20 mil O tribunal manteve a condenação, mas alterou o tamanho da reparação.
Reconhecida
Doença ligada ao trabalho A perícia apontou que o ambiente atuou junto com outros fatores.
No TST
Processo ainda teve novo recurso O caso foi enviado ao tribunal superior para examinar o recurso de revista.

Todo apelido ofensivo gera indenização de R$ 20 mil?

Não. O valor não vira uma tabela para outros trabalhadores, porque cada processo depende das palavras usadas, da repetição, das provas, da reação da empresa e do dano demonstrado.

Neste caso, o tribunal não analisou apenas uma fala isolada. Havia documentos sobre rankings e premiação, perícia médica, relatos de pressão e uma conclusão sobre a participação do trabalho no adoecimento.

Uma brincadeira termina quando todos riem; quando alguém adoece e a empresa se cala, ela ganha outro nome.

Tags: assédio moralIndenização trabalhistasaúde mentalTDAH

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