Uma coordenadora submetida a metas agressivas fazia média de 540 ligações por dia e participava da chamada “reunião dos desesperados”. O TST manteve o reconhecimento de assédio moral, apoiado em mensagens, rankings e testemunhas, com indenização fixada em R$ 10 mil. A cobrança diária foi considerada abusiva.
O que acontecia na rotina de 540 ligações por dia?
A coordenadora trabalhava com oferta de empréstimos e financiamentos e relatou uma média de 540 ligações diárias. O TST registrou ainda reuniões com cobranças agressivas, rankings e ameaças veladas de perda do emprego.
O ambiente incluía a chamada “reunião dos desesperados”, nome usado diante da pressão para atingir metas. A trabalhadora também relatou importunações diárias, enquanto mensagens e depoimentos mostraram comparações públicas de desempenho e frases que colocavam a continuidade do emprego em jogo.

Por que a cobrança por metas virou assédio moral?
A assédio moral no trabalho envolve padrões persistentes de maus-tratos e humilhação. No processo, o tribunal regional identificou situações humilhantes e constrangedoras constantes, com gestão por pressão, exposição por ranking e ameaça de dispensa.
O TST não tratou a simples existência de metas como ilícita. O que sustentou a condenação foi o modo abusivo de cobrança, comprovado por diferentes elementos. A Oitava Turma entendeu que o conjunto descrito pelo tribunal regional caracterizava violência moral contra a coordenadora.
Quais provas sustentaram a indenização no processo?
As provas foram importantes porque tiraram o caso do campo de uma alegação isolada. Testemunhas confirmaram as pressões, enquanto e-mails e mensagens mostraram comparações de produção, cobranças intimidatórias e referências ao risco de perder o emprego.
A Constituição Federal protege honra, imagem, intimidade e vida privada, com possibilidade de indenização quando há violação. No caso trabalhista, o dano moral foi reconhecido a partir do quadro concreto de cobranças humilhantes demonstrado nos autos.
A seguir listamos 4 tipos de prova que apareceram no processo e sustentaram a análise da pressão diária:
- Testemunhos: confirmaram cobranças agressivas e situações constrangedoras.
- E-mails: registraram comparações de produção e mensagens sobre risco de emprego.
- WhatsApp: continha frases de cobrança direta e intimidadora.
- Rankings: expunham o desempenho dos empregados dentro da equipe.
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Como diferenciar cobrança de desempenho e pressão abusiva?
Cobrar desempenho faz parte de muitas relações de trabalho, mas o caso mostra que método e frequência importam. Pressão reiterada, humilhação, exposição e ameaça podem mudar a natureza da cobrança quando atingem a dignidade do trabalhador.
A indenização havia sido fixada em valor maior na primeira instância e depois ficou em R$ 10 mil no tribunal regional. Ao analisar o recurso, a Oitava Turma não considerou esse montante exorbitante diante das provas usadas para caracterizar o assédio.
A seguir listamos 3 sinais do caso que ajudam a diferenciar uma meta de uma cobrança considerada abusiva:
| Elemento | Cobrança comum | O que apareceu no caso |
|---|---|---|
| Meta | Objetivo de desempenho | Cobrança com pressão diária |
| Comparação | Acompanhamento de resultado | Rankings e exposição da equipe |
| Comunicação | Orientação sobre desempenho | Mensagens intimidatórias e ameaças veladas |
O que esse caso mostra sobre metas no trabalho?
O julgamento não cria um número de ligações que, sozinho, defina assédio. As 540 chamadas diárias foram uma parte do conjunto, ao lado de rankings, mensagens, reuniões e ameaças veladas registradas no processo.
A lição prática é que metas podem existir, mas a forma de cobrança também pode ser examinada. Quando pressão vira humilhação repetida e há provas consistentes desse padrão, a discussão deixa de ser apenas sobre produtividade e pode chegar ao campo do dano moral.




