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Moradores podem ser obrigados a retirar varais e roupas expostas após nova decisão sobre condomínios

André Rangel  Por André Rangel 
30/05/2026
Em Economia
Moradores podem ser obrigados a retirar varais e roupas expostas após nova decisão sobre condomínios

Moradores podem ser obrigados a retirar varais e roupas expostas após nova decisão sobre condomínios

💡 Resumo Rápido

O Tribunal de Veneza ordenou a remoção imediata de um varal instalado em área comum por configurar invasão de espaço aéreo e turbação de posse, mesmo sem causar danos materiais. No Brasil, a lógica é a mesma: o Código Civil e a Lei de Condomínios proíbem a alteração de fachada e o uso irregular de áreas coletivas. Moradores que estendem roupas em sacadas, janelas ou áreas comuns fora das regras estão sujeitos a notificações, multas severas (de até 10 vezes a taxa condominial) e ações judiciais. A regra é clara: o tamanho do objeto não anula a infração, e a convenção do condomínio deve ser rigorosamente respeitada.

Uma corda esticada entre duas paredes foi suficiente para gerar uma ação judicial urgente e uma ordem de remoção imediata. O caso, julgado pelo Tribunal de Veneza em 13 de maio de 2026 no processo R.G. nº 21559/2026, estabelece que mesmo estruturas simples, sem causar dano físico visível, podem configurar turbação de posse e invadir o espaço aéreo de propriedade alheia. No Brasil, o caminho jurídico é diferente, mas o desfecho para quem ignora esses limites pode ser igualmente severo.

O que o Tribunal de Veneza decidiu sobre o varal na área comum

A moradora havia instalado uma corda para estender roupas, fixada nas fachadas internas de um edifício histórico veneziano, atravessando o espaço aéreo de uma corte interna. Os outros condôminos que usavam aquela corte como acesso às suas unidades acionaram a Justiça com base no art. 1.170 do Código Civil italiano e no art. 700 do Código de Processo Civil italiano, pedindo tutela cautelar de urgência. O tribunal acatou com dois fundamentos centrais: a corte era área comum apenas dos moradores que a usavam como acesso, excluindo a defesa de uso da coisa comum, e a corda atravessava o espaço aéreo protegido pelo art. 840 do Código Civil italiano, o princípio da “coluna de ar”.

O tribunal ainda determinou que a ausência de dano material concreto não é condição necessária para a remoção. Basta que a estrutura imponha um ônus ao espaço alheio. O contexto agravou a decisão: uma obra de elevador já havia sido deliberada para aquela mesma área, tornando a corda também obstrutiva.

Quais princípios do caso italiano encontram equivalente no direito brasileiro

O Código Civil brasileiro também protege o espaço aéreo como extensão da propriedade, pelo art. 1.229, que estabelece que a propriedade do solo abrange o espaço aéreo correspondente em altura útil ao seu exercício. A lógica é a mesma: quem ocupa esse espaço sem autorização pode estar invadindo um direito de propriedade, independentemente de haver dano físico. O art. 1.336, IV determina que o condômino deve usar as partes comuns sem prejudicar o sossego, a salubridade e a segurança dos demais. O STJ já pacificou que a tolerância prolongada do condomínio com uso irregular não cria direito adquirido.

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O que o Brasil diz especificamente sobre varais em condomínios

A questão do varal não tem lei federal específica no Brasil, mas é regulada pela combinação entre o Código Civil, a Lei nº 4.591/1964 e a convenção interna de cada condomínio. O art. 10, § 2º da Lei nº 4.591/1964 proíbe alterações na fachada sem concordância unânime dos condôminos. Roupas estendidas em sacadas ou janelas alteram a aparência do edifício, e a jurisprudência entende que convenções que proíbem essa prática são legítimas. Os casos mais comuns em que o condomínio pode agir são:

  • Varal ou roupas visíveis na sacada ou janela quando a convenção proíbe expressamente a exposição externa ou alteração da fachada
  • Corda fixada entre paredes externas que atravesse área comum sem autorização assemblear, com base nos arts. 1.335, II e 1.336, IV do Código Civil
  • Gotejamento sobre unidades ou áreas coletivas, que configura dano concreto e pode fundamentar ação indenizatória além da remoção
  • Instalação em área de acesso restrito a um grupo de condôminos, situação idêntica à do caso veneziano

Como o síndico deve agir quando um morador instala varal em área irregular

O caminho começa com notificação formal ao condômino infrator, seguida de registro em ata. O síndico pode aplicar multa com base no art. 1.337 do Código Civil, de até 5 vezes o valor da taxa condominial, com possibilidade de até 10 vezes em caso de reincidência após deliberação em assembleia específica. Se o problema persistir, o condomínio pode ajuizar ação de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência nos moldes do art. 300 do Código de Processo Civil, exatamente como ocorreu no caso italiano.

O tamanho do objeto não determina a gravidade da infração

O precedente veneziano reforça o que o direito brasileiro já reconhece: uma corda pode gerar a mesma consequência jurídica que uma obra irregular se instalada no lugar errado, no momento errado e com efeitos que prejudicam o gozo de outros titulares do espaço.

Se você mora em condomínio e tem dúvida sobre onde pode instalar um varal, a resposta está na convenção e no regimento do seu prédio. Consultar esses documentos antes de agir é sempre mais barato do que responder a uma notificação judicial depois.

Tags: ação judicialautorizaçãocondomíniodecisão judicialmultaVaralVaral de roupa

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