Guerreiro que abre caminhos

Feijoada sagrada de Ogum: 3ª edição com samba e Axé em Lagoa Santa

Celebre o Orixá da força e da determinação com gira espiritual e roda vibrante no sábado, 25 de abril; um ato de resistência cultural e devocação

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'Se meu pai é Ogum/Vencedor de demanda/Ele vem de Aruanda/Pra salvar filho de Umbanda'

Neste dia sagrado, o aço brilha com uma intensidade diferente. Hoje, quinta-feira, 23 de abril, o mundo se curva em reverência para celebrar o Dia de São Jorge e do Orixá Ogum. É uma data em que o céu e a terra se fundem na vibração da coragem, unindo devotos e filhos de fé sob o mesmo manto de proteção e a mesma espada de luz.

A presença de Ogum não se anuncia com sutilezas; ela se faz sentir no estremecer do solo e no calor que sobe pelo peito. Ele é a própria vibração do metal sagrado, o axé que corta o silêncio da alma para instaurar a ordem. Quando evocamos sua força, não estamos apenas chamando um guerreiro, mas invocando o princípio da existência que diz: "Nada fica parado."

É a mão desse Orixá, e somente a dele, que detém o poder de golpear as muralhas da estagnação e escancarar os portais que o mundo tentou fechar. Quando invocamos sua força, reconhecemos que é Ogum quem abre os caminhos. Não há cadeado, feitiço ou barreira que resista ao fio de sua justiça. Ele retira as pedras que travavam os teus passos e corta os nós que imobilizavam os teus sonhos. Sob o seu comando, o que estava travado se solta; o que estava mudo ganha voz.

Sentir Ogum é sentir o peso da responsabilidade e a leveza da proteção. Ele é o arrepio que percorre o corpo quando a batalha parece perdida, soprando em nossos ouvidos que a derrota é uma ilusão para quem carrega o aço na alma. Sua presença é o brilho da espada que reflete a luz do sol, cegando a maldade e iluminando o próximo passo. Ele não está apenas à nossa frente; ele habita o nosso braço que trabalha, a nossa mente que planeja e o nosso coração que não desiste.

Que neste momento, a força de São Jorge/Ogum envolva seu espírito. Que você sinta a segurança de quem é guardado por um General que nunca dorme. Que a estrada à sua frente se torne um tapete de oportunidades, e que a justiça de seu facão corte toda demanda, deixando apenas o caminho livre para a sua evolução. Vença as demandas, pois quem caminha com Ogum nunca caminha sozinho.

 

Alimento sagrado

A feijoada de Ogum é uma das tradições mais poderosas e simbólicas das religiões de matriz africana no Brasil, especialmente na Umbanda, onde o prato transcende o simples ato de se alimentar: ele se torna uma oferenda sagrada, um gesto de gratidão, renovação de forças e fortalecimento comunitário em homenagem ao orixá Ogum.

Como explica Pai Erlon de Oxalá, dirigente do Terreiro de Umbanda Cabana Caboclo Pedra Branca: “Ogum, possivelmente o orixá mais conhecido e popular no Brasil, personifica a guerra, as batalhas e, por extensão, os caminhos, as possibilidades e o progresso. Ele também simboliza a agricultura, a força, a garra e a determinação. Sua veneração é amplamente difundida nas religiões de matriz afro-brasileira, como a umbanda e o candomblé.”

A feijoada, tradicionalmente oferecida em homenagem a Ogum, tornou-se um ritual comum. O feijão preto, ingrediente central da feijoada, é considerado uma oferenda a esse orixá, uma comida sagrada. Com origens na miscigenação cultural brasileira, a feijoada, que teve raízes europeias, foi influenciada pelos povos afro-indígenas e adaptada ao longo do tempo, solidificando-se como um prato genuinamente brasileiro. Dessa forma, a feijoada representa tanto um elemento cultural essencial, parte do patrimônio nacional, quanto uma forma de honrar Ogum”, complementa Pai Erlon.

A profunda relação simbólica entre a feijoada e Ogum

O prato carrega camadas profundas de significado:

- O feijão-preto é o coração da feijoada e um ingrediente sagrado para Ogum. Rico em ferro — metal que o orixá domina como senhor das ferramentas e da metalurgia —, ele simboliza prosperidade, nutrição da terra e fartura conquistada pelo esforço e pela luta diária. Representa a colheita abundante que o guerreiro protege.

- As carnes variadas (costela, paio, linguiça, carne seca, pé de porco) evocam a vitória na caça e na batalha, qualidades associadas ao Ogum caçador e guerreiro. A mistura reflete a união de forças diversas para um objetivo comum.

- Preparada em grandes quantidades, a feijoada é inerentemente coletiva: ninguém faz feijoada para si só. Ela reúne famílias, amigos e comunidades, espelhando o papel de Ogum como protetor da sociedade organizada, da civilização e da solidariedade em tempos de luta.

- Nas casas de santo, a feijoada é consagrada como oferenda especialmente em datas dedicadas ao orixá, como 23 de abril (Dia de São Jorge/Ogum) ou em festas específicas ao longo do ano. Ela nutre não só o corpo, mas a alma, trazendo axé (energia vital), alegria, paz interior e força para enfrentar desafios cotidianos.

- Além do aspecto espiritual, o evento combate preconceitos, valoriza a herança afro-brasileira e promove ações sociais, reforçando que a Umbanda é religião de luz, caridade e resistência cultural.

“Ao preparar uma feijoada, seja em celebrações como a que realizaremos em nosso samba, buscamos o resgate cultural, a valorização do povo afro-brasileiro, a preservação da cultura, da oralidade e dos ensinamentos ancestrais. É também um ato de resistência, um espaço de celebração religiosa, que deve ser mantido e valorizado. É comum, especialmente no mês de abril, mas também ao longo do ano, a realização de feijoadas em homenagem a Ogum”, afirma o pai de santo.

A 3ª Feijoada e Samba para Ogum do Templo de Umbanda Cabana Caboclo Pedra Branca

 “Nossa casa, portanto, realiza sua terceira edição da feijoada em honra a Ogum, e almejamos que este seja mais um ano de alegria, fé e respeito por esse orixá”, conclui Pai Erlon.

O Terreiro de Umbanda Cabana Caboclo Pedra Branca, localizado em Lagoa Santa, Minas Gerais, e dirigido por Pai Erlon de Oxalá, promove a 3ª Feijoada e Samba para Ogum no dia 25 de abril (sábado), em frente à sede da casa, na Rua Ana Pinto Coelho, 15 – Vila Santa Helena / Bairro Quebra.

O evento contará com feijoada à vontade, confraternização a partir das 13h, gira em homenagem a Ogum e uma vibrante roda de samba ao vivo (com show musical que une samba, tradição e resistência cultural), estendendo-se até as 22h. É um momento de fé, união comunitária, alegria e reforço dos laços ancestrais, aberto a todos que desejam participar dessa energia transformadora.

Os ingressos já estão disponíveis para compra pela plataforma Sympla (busque por "3ª Feijoada e Samba para Ogum do Templo de Umbanda Cabana Caboclo Pedra Branca" ou acesse diretamente o link do evento na Sympla). Garanta o seu com antecedência para não ficar de fora dessa celebração!

Vá fortalecer seu caminho com Ogum, saborear uma feijoada abençoada e sambar sob a proteção do guerreiro de ferro. É mais do que comida: é axé, é resistência, é comunidade.

Matozinhos

Já a Tenda de Umbanda Família de Fé (TUFF) — liderada por Mãe Cláudia e Pai Cláudio — realiza a 2ª Feijoada de Ogum no dia 2 de maio, das 9h às 18h, em frente ao Palácio da Cultura, em Matozinhos, Minas Gerais.

O evento dá continuidade ao sucesso da primeira edição, realizada no ano anterior, que reuniu grande participação popular e trouxe muito aprendizado à comunidade. A expectativa é receber cerca de 600 pessoas, com distribuição gratuita da feijoada e uma programação cultural vibrante, incluindo blocos de terreiro e artistas locais.

“O objetivo principal é celebrar a força, a fé e a proteção de Ogum, ao mesmo tempo em que promove a união comunitária, o respeito mútuo e a solidariedade. Mais do que um momento espiritual, a Feijoada de Ogum busca desmistificar preconceitos contra as religiões de matriz africana, valorizar a herança afro-brasileira e fortalecer ações sociais na região”, diz Pai Cláudio.

Pai Cláudio reforça o convite: "Será uma feijoada beneficente para agregar a Umbanda aqui na nossa cidade. Eu queria convidar todos para que possamos unir a ancestralidade de nossos povos de matriz africana. Infelizmente tem muito preconceito com a nossa religião, com nossos povos. Por isso, conto com a presença de todos".

Para viabilizar o evento, a casa de santo está recebendo doações e apoios, como:

- Alimentos e insumos para o preparo (feijão, carnes, arroz, couve, farinha, temperos, óleo etc.);

- Bebidas (água, refrigerantes, sucos);

- Materiais descartáveis (pratos, copos, talheres, guardanapos, embalagens);

- Gás de cozinha;

- Apoio na divulgação e parcerias comunitárias.

Contribuições financeiras podem ser feitas via PIX: CNPJ 63.615.377/0001-75  (Terreiro de Umbanda Família de Fé).

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