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"Delegado" injeta humor e tipos cativantes no gênero policial

Série que estreia nesta sexta-feira (30/10) no Canal Brasil tem assinatura da produtora de Kleber Mendonça Filho e DNA do cinema pernambucano

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“A arma de Biu Doidão”, primeiro dos sete episódios de “Delegado”, que será exibido nesta sexta-feira (30/10) no Canal Brasil, não deixa dúvidas. A série policial dirigida pelos cineastas Leonardo Lacca e Marcelo Lordello é diferente das convencionais.

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Há perseguições, tiros, sangue aos borbotões como nos modelos norte-americanos. Mas há também um humor que nasce da picardia e da precariedade, com personagens cativantes e situações insólitas que podem parecer irreal para estrangeiros, mas presentes num país que incorporou a violência ao cotidiano. Cem por cento brasileira e com o DNA do cinema pernambucano, “Delegado” é coisa nossa.


Criada por Lacca, Lordello e Tião, a série tem sete episódios de 35 minutos que serão exibidos semanalmente no Canal Brasil e ficarão disponíveis no Globoplay. O protagonista é Felipe (Johnny Massaro), policial civil que assume sua primeira delegacia no Recife.

Com desenvoltura e graça, os primeiros episódios exploram o contraste da visão humanista do jovem delegado com os métodos nada ortodoxos de sua equipe no combate ao crime. “A polícia é, de certa forma, um microcosmo da nossa sociedade, com suas hierarquias, contradições e relações de poder”, acredita Leonardo Lacca.


Entre os policiais, o destaque maior vai para o astucioso Marmota (Rubens Santos), que conquista o espectador com seguidas demonstrações de um jogo de cintura necessário para sobreviver no fogo cruzado dos agentes da lei com os bandidos, um João Grilo na periferia recifense.


“Marmota é um personagem muito rico, sobrevivente que sabe trafegar naquele ambiente e é engraçado sem se esforçar para fazer humor”, conta Lacca ao Estado de Minas. Ele revela que os personagens foram desenvolvidos após a observação da rotina de delegacias no Recife e da Academia de Polícia Civil de Pernambuco (Acadepol). “O cotidiano do policial civil tem diversidade maior do que o da PM e eu estava interessado na humanidade desses agentes”, lembra Lacca.


O projeto começou a ser desenvolvido em 2013, depois que Lacca acompanhou a transformação de um amigo de infância aprovado em concurso para delegado. A longa gestação permitiu que os roteiros absorvessem mudanças políticas e episódios policiais ocorridos no país ao longo de quase uma década, sem perder o olhar para as relações de trabalho e de família.

“Não estamos falando da polícia de Pernambuco, estamos mostrando a sociedade brasileira como um todo”, acredita o diretor dos longas “Permanência” (2015) e “Seu Cavalcanti” (2025), diretor-assistente de “O agente secreto”.

Para Marcelo Lordello, brasiliense radicado no Recife e diretor de “Eles voltam” (2012) e “Paterno” (2025), “Delegado” tem a preocupação de não repetir fórmulas do gênero. “Decidimos não seguir cartilhas, algoritmos, essas coisas do streaming. O que nos encantava era a liberdade total”, conta.

 


O grande elenco, com performances notáveis como as de Massaro e Rubens Santos (o motorista do documentário “Retratos fantasmas”, de Kleber Mendonça), é um dos trunfos da série. Alice Carvalho, sempre luminosa, interpreta Débora, policial recém-formada que compartilha com Felipe o impulso idealista, mas ganha trajetória própria e não se limita à função de par romântico. Virginia Cavendish (“O auto da compadecida”) vive Fátima, mãe do protagonista.


Hermila Guedes, Georgette Fadel, Estela Leimig, Igor de Araújo e Narcival Rubens reforçam o núcleo de personagens que cruza a rotina do jovem delegado. “Foi um milagre ter reunido um elenco tão especial”, avalia Lacca, lembrando que cada episódio tem mais de 10 atores.

A participação especial de Tânia Maria, a Dona Sebastiana de “O agente secreto”, traz encanto adicional a um conjunto afinado de tipos marcantes como os de “Twin Peaks”, uma das referências dos criadores. “Cada personagem é um mundo”, resume Lordello. “Na nossa série, os personagens não estão a serviço da trama, como costuma ser”, ressalta Lacca.

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As filmagens foram realizadas integralmente no Recife. A capital pernambucana não surge apenas como cenário reconhecível pelas ruas que andam os policiais e a bandidagem. As locações e as caracterizações também são elementos narrativos. “É uma produção muito autêntica, muito recifense, que engloba uma brasilidade”, acredita Marcelo Lordello. “Acho que fizemos uma série que a gente gostaria de ver”, complementa.

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