Focus Cia. de Dança resume 25 anos de existência em "Bodas"
Montagem que compila 17 espetáculos do repertório do grupo carioca tem apresentações neste sábado (31/10) e domingo, no Grande Teatro do Sesc Palladium, em BH
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Para celebrar seus 25 anos, a carioca Focus Cia. de Dança criou a montagem “Bodas”, uma espécie de mosaico dos 17 espetáculos que compõem seu repertório. Com direção artística e coreografia assinadas por Alex Neoral, fundador da companhia ao lado de Tatiana Garcias, “Bodas” chega a BH para apresentações neste sábado (31/10) e domingo, no Grande Teatro do Sesc Palladium.
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Neoral diz que mosaico é uma boa metáfora para o que é “Bodas”, mas ressalva que não se trata de um simples ajuntamento de cenas picotadas. “Me permiti, a partir de várias referências, vários momentos marcantes dos espetáculos do nosso repertório, reler, recombinar, fazer de forma diferente”, diz.
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“Então é uma obra original, uma mistura que trouxe outras coisas; não reproduz fielmente nada do que foi criado originalmente”, acrescenta. Ele destaca o exercício de criar novas músicas e pensar novas coreografias para as já existentes.
“Foi um quebra-cabeças divertido e emocionante, porque revi muito da minha história nesse processo, desde o primeiro espetáculo, 'Vértice', de 2000, até o mais recente, 'Entre a pele e a alma', de 2024, de uma forma nova”, conta.
O coreógrafo afirma que se desafiou a “trazer coisas novas a partir de coisas pré-realizadas”. Ele avalia que “Bodas” desenha bem o que foram esses 25 anos da Focus, até porque mostra uma linha evolutiva e ressalta o que a companhia é hoje, em perspectiva com o lugar que já ocupou outrora.
MECANISMO COREOGRÁFICO
Segundo Neoral, manter os espetáculos da Focus em repertório e revisitá-los é uma prática da companhia, que segue reapresentando trabalhos como “Still reich” (2018), “Cinequanon” (2016) e “As canções que você dançou pra mim” (2001).
Ele pontua, no entanto, que “Bodas” tem uma abrangência inédita. “Fomos realmente lá atrás, pegando tudo desde 'Vértice'. É um olhar para esse mecanismo coreográfico, de opções artísticas e de escolhas que eu fiz ao longo de todo esse tempo”, diz.
O artista se questiona se faria hoje o que fez há 15 ou 20 anos e deixa a resposta em aberto. “Talvez sim, talvez não, mas precisei fazer tudo isso para chegarmos onde estamos hoje, ou seja, esse espetáculo dos 25 anos é um histórico dos meus experimentos, das minhas decisões sobre combinações, das ideias todas, já que coreografo e dirijo”, afirma.
Na opinião do coreógrafo, hoje ele desfruta de um “lugar muito livre de criação”, porque tem mais confiança do que o jovem de 19 anos que era quando criou a companhia.
Instado a dizer se os 17 espetáculos criados ao longo de 25 anos têm, a despeito das diferenças entres eles, algum ponto de convergência, ele responde: o caráter físico e o foco no movimento.
Neoral observa que isso se expressa de forma mais evidente nos duetos. “O impulso musical é que me leva a pensar em como combinar os bailarinos no espaço, com os movimentos de cada um. Depois que eu criava as entradas e saídas, as relações, é que eu entendia o que aquela peça queria dizer”, comenta.
Não partir de uma narrativa preexistente é outra característica marcante da Focus desde seus primórdios, segundo Neoral. O coreógrafo diz que só mais recentemente começou a trabalhar sobre temas, mas, ainda assim, de forma livre. Ele toma como exemplo “Vinte”, inspirado na obra de Clarice Lispector, que estreou em 2021.
“Li vários livros dela e deixei que eles fossem me dando as pistas do figurino, da iluminação, das cores, dos movimentos. Tem o ponto de partida, que é Clarice, mas daí em diante é tudo em aberto.”
Outro exemplo que ele cita é “Entre a pele e a alma”, que costura diversas referências. O espetáculo, cuja trilha tem músicas originais na voz de Ney Matogrosso, toma como inspiração primeira o quadro “O jardim das delícias terrenas”, de Bosch.
O coreógrafo diz se tratar de uma coreografia criada no lugar da luxúria e da permissividade, o que estabelece uma ponte com o carnaval. “O que está entre a pele e a alma é a carne. Me inspirei na tela de Bosch, mas me deixo ser afetado por outras coisas, como Ney e o carnaval”, afirma.
Ao avaliar a trajetória de 25 anos da Focus, Neoral conclui que a companhia cumpriu mais do que esperava. “Eu tinha o desejo de ser coreógrafo e sabia que ia acontecer, tomava isso para mim quase como uma missão, mas era tudo movido por aspirações. Hoje em dia somos uma das grandes companhias do Brasil, viajamos pelo mundo, fomos para China, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, mantendo uma média de 85 apresentações por ano”, diz.
“BODAS”
Espetáculo da Focus Cia. de Dança, neste sábado (31/10), às 20h, e domingo (1º/11), às 19h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos para a plateia 1 a R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), plateias 2 e 3 a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda pelo Sympla e na bilheteria.
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