Festcurtas exibe gratuitamente 96 títulos divididos em 14 mostras
Festival começa nesta sexta (30/10), no Cine Humberto Mauro, e reúne obras nacionais e estrangeiras, de produção recente e retrospectiva dos anos 1970 e 1980
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O FestcurtasBH inaugura nesta sexta-feira (30/10) sua 28ª edição, com uma programação distribuída em 14 mostras temáticas, sendo três competitivas, cinco especiais e seis paralelas. Os filmes vencedores levam o Troféu Capivara.
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Concentradas no Cine Humberto Mauro e na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, as exibições são gratuitas e se estendem até 8 de novembro. Na sessão de abertura desta sexta, às 20h, serão exibidos “Cinema ação curtametralha” (1978), de Sérgio Péo; “Angela noite” (1980), de Roberto Moura; e “O swing do elétron” (1982), direção coletiva de Rafael Conde, Fernando Camargos, Marcelo Brum, Nilson Queiroz, Rogério Costa, Gabriel Valadares, Baiano, Cida Vieira e Lalá.
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“A gente tem um processo muito longo de curadoria”, diz Bruno Hilário, coordenador-executivo do festival. Formada por 12 profissionais, a equipe curatorial escolheu 96 filmes dentre os 3.340 inscritos. “Demoramos, mais ou menos, oito meses para terminar de assistir a todos”, afirma.
Pluralidade e diversidade ditaram a edição deste ano. O principal critério estabelecido na escolha dos títulos foi a diversificação na forma de fazer os filmes, com estéticas distintas e temáticas que representam diferentes grupos, ao mesmo tempo em que se conectam com o público do festival. A história interessa tanto quanto a forma em que é contada.
“O curta é o formato que impulsiona o fazer cinematográfico brasileiro e mundial. Ali estão concentrados modos de fazer, pensar e dialogar com a sociedade”, diz o coordenador-executivo.
Além disso, o curta tem produção rápida, o que torna viável a abordagem de temas da atualidade nos âmbitos político, cultural e social. “A gente tem que ficar muito atento a essa mensagem que o curta nos dá”, destaca Bruno Hilário, afirmando que a mensagem é repassada, principalmente, pela estética.
CENSURA
Nesse sentido, estão produções como “Taxi moto”, que concorre ao Troféu Capivara na Competitiva Internacional representando a Suíça. O filme sobre um amor gay foi censurado no país de origem, o que fez com que o diretor Gaël Kamilindi procurasse uma forma para reinventar a história em território e corpos distintos dos que foram pensados inicialmente. A censura virou matéria cinematográfica, e o próprio ato de filmar passou a ser considerado forma de resistência.
Já “Pirexia”, do cearense Nico da Costa, concorre na Competitiva Brasil apostando em grandes doses de teor onírico. Conforme a sinopse oficial, “Baby arde enquanto o tempo é contado através da lua. Nas noites de febre, em sonora radicalidade, começam as buscas pela cura”.
Por outro lado, “Nós é ruim e mora longe”, do belo-horizontino Ítalo Almeida, tenta o troféu na Competitiva Minas com a história de uma jovem que pretende aproveitar a última noite de curtição antes de começar no novo emprego, mas enfrenta uma odisseia para voltar para casa.
“Toda a inventividade dos diretores é a contribuição mais importante que o curta pode dar para o cinema como um todo. Isso impulsiona o modo de fazer filmes, fomenta a entrada de novos agentes e influencia a maneira como o público vai fruir essas produções”, diz Bruno.
O teor político marca presença ainda com a mostra Corcina, que reúne títulos produzidos pela Cooperativa de Realizadores Cinematográficos Autônomos (Corcina), atuante entre 1978 e 1983, período no qual produziu aproximadamente 50 curtas-metragens e distribuiu cerca de 100 títulos em circuitos de salas de cinema, enquanto esteve em vigor a Lei do Curta, que previa a exibição de obras nesse formato antes das sessões de longa.
Muitos dos filmes selecionados para a mostra Corcina têm como protagonista o sujeito político dos anos 1970. “Suzana Abranches, filha do cineasta Jorge Abranches, que foi um dos nomes importantes da Corcina, vai participar do festival conosco”, diz o coordenador-executivo.
“Teremos três filmes dele exibidos aqui. São obras que dialogam intimamente com o sujeito daquele período da ditadura militar, com aquela paranoia política que a ditadura trouxe para a vida dos cidadãos”, observa.
Jorge Abranches foi dado como desaparecido na ditadura e nunca mais se teve notícias dele. “Trazer a filha dele e exibir seus filmes é uma forma de manter viva a história desse cineasta”, diz Bruno Hilário.
28º FESTCURTASBH
Desta sexta-feira (30/10) a 8 de novembro, no Cine Humberto Mauro e na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Sessão de abertura nesta sexta, às 20h. Depois da exibição dos filmes, apresentações de DJ Rulio e Orquestra Mineira de Brega. Entrada franca. Ingressos devem ser retirados meia hora antes de cada sessão na bilheteria do cinema. Programação completa disponível no site do festival . Mais informações: (31) 3236-7400.
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