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Antes de chegar à TV, "Delegado" recebeu aplausos em festivais

Exibida no Festival do Rio e no Festival de Brasília, série que estreia nesta sexta-feira (30/10) no Canal Brasil entusiasmou público cinéfilo

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Antes de chegar à televisão, “Delegado” teve episódios exibidos no Festival do Rio e uma sessão especial no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que provocou reações entusiasmadas do público no Cine Brasília. “Parecia lançamento de filme”, lembra Lacca.

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O DNA do cinema pernambucano é reforçado pela produção de Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, respectivamente produtora e diretor de “O agente secreto”, sócios na produtora Cinemascópio.


“A linguagem é de cinema e o desenho de produção é o mesmo de um filme”, conta Emilie Lesclaux. “Mas o orçamento foi mais restrito, foi muito difícil filmar em várias fases”, lembra. A Cinemascópio tem atualmente três longas em produção: “Sábado morto”, de Leonardo Lacca e estrelado por Jesuíta Barbosa, está em fase de montagem.

Depois virão longas de Maya Da-Rin (de “A febre”) e Helen Beltrame-Linné, este sobre Ingmar Bergman. “Não quero ter projetos demais, gosto de manter pequena a nossa estrutura”, afirma a produtora.

“O que gosto em ‘Delegado’ é que ela não quer ser uma série americana, é uma série com a lógica do Brasil, e isso pra mim é muito importante”, avalia Kleber. Ele compara “Delegado” a “Plantão de polícia”, seriado produzido pela Rede Globo no início dos anos 1980 com Hugo Carvana.

“Mesmo sendo criança, eu percebia de forma muito clara um tom absolutamente brasileiro na precariedade, naquele jeito de malandragem carioca, que é também brasileiro”, lembra.


“Não sou especialista em séries, não sou do tipo que vê 48 episódios e diz que é uma porcaria. Eu gongo muito rápido, às vezes com dez, quinze minutos do primeiro episódio”, revela o diretor do mais recente filme brasileiro indicado ao Oscar.

“Delegado” tem o caráter cultural do Brasil, e isso é muito atraente. Não vejo os cacoetes que consigo identificar em séries recentes brasileiras: começar com um grande incidente, numa sequência de dois minutos, depois vem um flashback na linha ‘seis meses antes’, seguir padrão narrativo. É uma história muito bem contada, com muita personalidade”, elogia Kleber, que leu os roteiros antes das filmagens.


Coincidência ou não, o desinteresse de Kleber Mendonça pela criação de séries mudou desde “Delegado”. “Ainda tenho dificuldade em imaginar pensar que passaria dois, três, quatro anos dedicado a fazer uma série. Meu pensamento é conservador: somente penso em filmes. Mas acho que já disse ‘nunca’ com mais força antes”, revela o diretor, que se diz admirador de “The kingdom”, série dirigida pelo dinamarquês Lars Von Trier nos anos 1990.


“A única coisa que me faria entrar de cabeça no desenvolvimento seria fazer uma série não muito longa, de seis a oito capítulos, sendo que eu já estaria pensando em tirar um filme de dentro dessa série. Se tudo desse certo, a série seria uma expansão muito interessante do filme”, especula. Antes disso, porém, o diretor retoma na próxima semana a escrita do roteiro do sucessor de “O agente secreto”.

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