Marjorie Estiano fala de "Habeas Corpus", nova série da Netflix
Atriz diz que estrelar a produção, que aborda especificidades do sistema jurídico brasileiro, soma em sua construção como cidadã
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma professora de direito e uma aluna brilhante se juntam para reabrir o caso de um homem que foi preso injustamente. Essa é, resumidamente, a sinopse de "Habeas Corpus", série que a Netflix lançou nesta quinta-feira (17/9) na Pinacoteca, em São Paulo.
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Os episódios serão disponibilizados ao público na próxima quarta-feira (23/9). A proposta, que poderia resultar em um drama genérico sobre advogados, ganha contornos bem mais atraentes ao colocar em primeiro plano as especificidades do sistema jurídico brasileiro, com toda sua complexidade e desigualdades.
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À frente do elenco estão Marjorie Estiano, 44, e Any Gabrielly, 23, que se emocionaram ao assistir ao episódio finalizado pela primeira vez. "(O roteiro) fala muito da gente, da nossa cultura, dos nossos problemas, da nossa desigualdade, do racismo, dos privilégios; ele aborda todas essas questões da nossa sociedade através da Justiça", destacou Marjorie.
"Assim como 'Sob Pressão' com a saúde, com o patriarcado em 'Ângela Diniz', acho que esse é mais um projeto que soma na construção da cidadã que eu sou e que eu quero ser, sabe?".
Na trama, a atriz dá vida a Inez, uma advogada que, após um incidente traumático durante um julgamento, decide abandonar os tribunais e migrar para as salas de aula.
Apesar de se afastar do sistema, a personagem ainda acredita na Justiça e, por isso, quer reparar um erro que parece ter sido cometido no caso em que estava envolvida, e que teve ampla cobertura midiática.
"É interessante falar sobre os nossos erros - o perceber o erro, o omitir o erro, o querer fazer diferente", comenta a triz. "Qual a trajetória que você faz para encarar isso? Se você consegue reparar um erro ou não, isso te torna alguém melhor? Eu acho que esse é o arco da personagem e está presente em diversos aspectos".
Any comentou o fato de sua personagem, Marina, ser uma jovem que tenta sempre demonstrar segurança, enquanto tenta conciliar os estudos com uma vida cheia de pratinhos para equilibrar.
"A Marina dentro da sociedade é uma personagem vulnerável", avalia. "E o sistema é tão cruel com essas pessoas que a gente não tem nem oportunidade de demonstrar essa vulnerabilidade".
"Para navegar pelo mundo, pelo sistema, para chegar numa faculdade de direito como a USP, que é onde a gente faz a nossa série, e sobreviver nesses ambientes, a vulnerabilidade que existe não pode ser mostrada", explica.
Porém, ela comemora as contradições da personagem. "Estou na minha vida adulta e naturalmente surgem esses papéis mais maduros, complexos, um novo leque aí de assuntos se apresenta na nossa vida. E que sorte que foi uma Marina!", disse, lembrando que o público a conhece desde cedo, principalmente como cantora do grupo pop Now United.
A dupla foi só elogios para a parceria que estabeleceram, que acreditam se refletir no que o público vê na tela. "Elas têm traços de personalidade muito semelhantes dentro do lugar combativo, do lugar do enfrentamento, da ambição", analisa Marjorie.
"Ao mesmo tempo, elas têm lugares de fala completamente opostos e isso não separa, elas se complementam, isso as une". Para a série, elas conversaram com membros do Innocence Project Brasil, uma ONG que se dedica a prestar atendimento a inocentes que foram condenados injustamente, além de contar com um consultor jurídico no set.
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"Essa parte técnica de fazer o juridiquês caber na boca de forma confortável também foi uma grande aventura", contou Any. "Do nada ter que falar um artigo aleatório ou uma palavra que você não escuta nunca e fazer isso soar de forma natural foi também motivo de risada e de estresse", brincou. "Mas a gente foi muito bem guiado".