'Feito pipa', com Lázaro Ramos, é a escolha do Brasil pra tentar Oscar
Anúncio foi feito nesta quarta (16/9) pela Academia Brasileira de Cinema. Havia dois mineiros no páreo: 'Nosso segredo' e 'Vicentina pede desculpas'
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Um menino de 11 anos, do interior do Ceará, que gosta tanto de futebol quanto de maquiagem, é a chance de o Brasil emplacar, pelo terceiro ano consecutivo, uma indicação ao Oscar. “Feito pipa”, drama sobre amadurecimento do diretor e roteirista Allan Deberton, foi a produção escolhida para tentar uma vaga na 99a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
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A escolha foi realizada pela Academia Brasileira de Cinema, responsável pela seleção. Do Canadá, onde participa do Festival Internacional de Toronto (TIFF), Deberton afirmou: “No interior onde nasci, quando criança, brincava de fazer cinema com uma câmera de papelão. Eu não consigo descrever este sentimento de estar, agora, carregando comigo e com uma equipe muito especial, um filme eleito pela Academia para representar o nosso Brasilzão no Oscar.”
O diretor cearense, de 44 anos, nascido em Russas, prosseguiu: “Agradeço a todos que acreditaram no filme, na força da história de Gugu, num cinema feito num país que precisa se unir, precisa se conversar e acreditar que somos todos uma só nação, rica em pessoas, em cultura, em nossa diversidade, rica em histórias de cinema que estão sendo gestadas agora mesmo. Da nossa parte, não vai faltar energia para brigar por esta indicação.”
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A produtora Clélia Bessa, que presidiu a comissão de 15 profissionais do cinema responsável pela escolha de “Feito pipa”, justificou a seleção: “O filme tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira à parte de uma cidade do interior do Ceará. É sobre família, a cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude. E ele já foi premiado em festivais internacionais importantes.”
“Feito pipa” foi escolhido entre outros seis finalistas, dois deles mineiros rodados em Belo Horizonte: “Nosso segredo”, estreia na direção de longas de Grace Passô, atualmente nos cinemas, e “Vicentina pede desculpas”, de Gabriel Martins. Este último, que estreou no TIFF no último sábado (12/9), é uma coprodução com a Netflix.
Tanto “Feito pipa” quanto “Vicentina” chegam aos cinemas brasileiros em 5 de novembro. A trajetória do terceiro longa de Deberton teve início em fevereiro passado, no Festival de Cinema de Berlim. O reconhecimento internacional começou já naquele momento, quando o longa recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus.
Seguiram-se prêmios nos festivais de Cartagena, na Colômbia, e de Guadalajara, no México, até a consagração recente em Gramado. No festival gaúcho, realizado em agosto, “Feito pipa” saiu com quatro Kikitos: Melhor Direção; Melhor Atriz, para Teca Pereira; Melhor Ator Coadjuvante, para Lázaro Ramos; e o Prêmio do Júri Popular.
Na história, Gugu (Yuri Gomes, descoberto em Salvador) é um garoto que perdeu a mãe e vive com a avó, Dilma (Teca Pereira), numa pequena cidade próxima ao reservatório Araújo Lima. O local é fictício, e as filmagens ocorreram em Quixadá.
Os dois são muito próximos. A canção preferida de ambos, vale dizer, é “Time after time”, de Cyndi Lauper. Gugu tem liberdade total para viver como quer, brincando de maquiagem com colegas da escola, jogando futebol e dançando. Uma mudança tem início quando a avó começa a apresentar os sintomas de Alzheimer. A infância do menino tem que ser abreviada. Ao mesmo tempo, Gugu passa a contar com a presença do pai, Batista (Lázaro Ramos), que tem dificuldades de compreender o filho queer.
MERCADO INTERNACIONAL
“Feito pipa” já fechou acordos de distribuição com Dinamarca, Bélgica, Indonésia, Holanda, Espanha, Argentina e Colômbia. No mercado internacional o longa ganhou o título de “Gugu’s world” (O mundo de Gugu).
Em crítica entusiasmada, a revista “Variety” afirmou que o protagonista é “um personagem inesquecível”. “O filme parece destinado a ser exibido em muitos festivais, especialmente os voltados para o público LGBTQIA+. No entanto, ‘O mundo de Gugu’ agrada tanto que merece ser visto por um público mais amplo. Eles terão uma experiência incrível.”
Seguindo o modelo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, as produções brasileiras também passaram por uma shortlist até o anúncio desta semana. Quinze longas haviam sido habilitados para concorrer à vaga. Uma semana atrás (9/9), veio a público a primeira lista, com seis finalistas.
Este é apenas o primeiro round. Dezenas de produções, de todo o mundo, disputam, ano após ano, as cinco vagas para concorrer a Melhor Filme Internacional. Nas duas últimas edições do Oscar, quando houve presença brasileira (“O agente secreto” em 2026, e “Ainda estou aqui”, em 2025), foram 86 e 85 filmes concorrentes, respectivamente.
A shortlist do Oscar será anunciada em 15 de dezembro, quando a Academia vai apresentar os 15 títulos pré-selecionados. É aí que a disputa realmente tem início, já que as produções internacionais vão concorrer às cinco vagas. O anúncio geral da 99ª edição do Oscar será em 21 de janeiro de 2027. Já a premiação em Los Angeles está marcada para 14 de março.
MINEIRO NA TELA
O ator mineiro Carlos Francisco, que participou de “O agente secreto”, também está no elenco de “Feito pipa”. Ele faz um pequeno papel como Valmir, pretendente de Vilma, a avó de Gugu.
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