Violinista que ‘inaugurou’ a Filarmônica de Minas Gerais volta como solista
O sérvio Roman Simovic, que foi o primeiro spalla da formação mineira, se apresenta ao lado na Sala Minas Gerais, nesta quinta (17/9) e sexta
compartilhe
Vir a Belo Horizonte, para o violinista Roman Simovic, é ir ao seu lugar preferido (Casa Bonomi), tirar o atraso no churrasco (“Não comia tanta carne assim há um ano”), reencontrar amigos (“É muito emocionante voltar e ver tantos sérvios aqui”) e acompanhar o crescimento da Filarmônica de Minas Gerais (“Veja só o que fizeram com a nova sala de concertos”). Simovic foi o primeiro spalla da orquestra mineira.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Ele está de volta, agora como solista, para duas apresentações, nesta quinta (17/9) e sexta, na Sala Minas Gerais. Sob a regência de Fabio Mechetti, vai executar, a bordo de um Stradivarius Antonio de 1709 (a era de ouro da construção de violinos), o Concerto para violino (1940) do armênio Aram Khachaturian. Será a primeira vez que toca a obra.
“É uma música de estilo folclórico muito poderosa. Uma peça grandiosa, muito difícil. Era muito popular nas escolas, mas nunca tinha cruzado meu caminho. Tenho 45 anos e continuo aprendendo. Alguém poderia dizer: ‘Agora você já domina tudo’. Mas não, sempre há coisas novas”, diz o violinista.
Os concertos serão abertos com a estreia mundial da obra “Prisma”, do belo-horizontino Michel Curi Jr., vencedor do 13º Festival Tinta Fresca, em 2025. Na segunda parte, a Filarmônica vai apresentar a “Sinfonia escocesa”, de Mendelssohn.
Simovic é spalla da Orquestra Sinfônica de Londres e professor na Royal Academy of Music. Como solista, segue tocando com orquestras do mundo inteiro. “Na verdade, eu trabalho dois meses por ano (com a Sinfônica). Funciona para mim porque quero tocar solo, fazer música de câmara e dar aulas”.
ACIDENTE
Tocar, especialmente neste ano, tem sido muito importante para ele. Em abril passado, Simovic sofreu um acidente em Londres. Quebrou a clavícula. Algo muito grave para um musicista, quanto mais um violinista. Sofreu uma cirurgia e, um mês depois, voltou a se apresentar. “Não toquei bem, mas foi importante estar no palco o mais rapidamente possível porque o aspecto psicológico conta muito.”
Simovic chegou a Belo Horizonte em 2008, como spalla da recém-formada Filarmônica de Minas Gerais. Veio com um grupo de 11 musicistas sérvios (incluindo a mulher dele, a violinista e violista Milena Simovic), que haviam sido selecionados por Mechetti.
“Nós nos encontramos em Belgrado, e ele me ofereceu o trabalho. Justamente naquele momento, eu deveria estudar com o Pinchas Zukerman (um dos grandes violinistas da atualidade). Não foi uma decisão fácil, pois já tinha uma bolsa de estudos oferecida pela Manhattan School of Music”, relembra.
Mechetti conseguiu dissuadi-lo da mudança para os Estados Unidos. “Ele me disse: ‘Precisamos de um spalla, pois estou formando uma nova orquestra, onde 50% dos músicos serão brasileiros e 50% estrangeiros’. Eu estava meio cético, porque meu objetivo era uma carreira como solista. Mas foi uma oportunidade incrível, pois eu e minha mulher ficamos juntos na seção de primeiros violinos. E, pela primeira vez na vida, comecei a receber um salário.”
CONQUISTA
Como a Sala Minas Gerais, naquele período, não passava de um sonho, Simovic atuou no Palácio das Artes. “A orquestra estava apenas começando, devo dizer que ela não era excelente naquela época. Quando toquei com eles da última vez (em fevereiro de 2023, no concerto comemorativo dos 15 anos da Filarmônica), pensei: ‘Meu Deus, o som está realmente incrível’. (A Sala Minas Gerais) É uma conquista fantástica. Sei que o (maestro) Simon Rattle tentou fazer o mesmo em Londres e não conseguiu, porque isto depende da compreensão dos políticos. O que o Fabio [Mechetti] fez é algo único – a forma como a orquestra toca e tudo o mais.”
O violinista viveu em Belo Horizonte por um ano e meio. Trocou o Brasil pela Áustria, onde tocou com a Camerata Salzburg. “Era uma orquestra de câmara, algo bem diferente. Mas eu era jovem demais e queria experimentar outras coisas.”
Simovic fala da relação com Mechetti. “Ele foi muito paciente comigo. Eu levava tudo muito a sério, mas não tinha experiência como spalla. Lembro de uma moça sérvia na orquestra me dizendo: ‘Você tem que pegar a nota lá do oboé [esta é a nota que serve como referência de afinação para todos os outros instrumentos de uma orquestra]’. Eu não fazia ideia, era um garoto que estava tentando provar alguma coisa”, afirma.
Concerto gratuito
Tem início nesta quarta-feira (16/9), ao meio-dia, a distribuição on-line (via site filarmonica.art.br) para a nova edição da série “Concertos para a juventude”, que será realizada neste domingo (20/9), na Sala Minas Gerais. Na apresentação “A fábrica de metais”, com José Soares como regente, a Filarmônica vai executar seis obras, entre elas “Fanfarra para um homem comum”, de Copland, a abertura da ópera “A força do destino”, de Verdi, e a abertura da opereta “Cavalaria ligeira”, de Suppé. Os solistas serão Rafael Mendes (tuba) e Isaac Carvalho (trompete). No dia do concerto, a partir das 9h, serão distribuídos, na bilheteria, 200 ingressos. O concerto será transmitido pelo canal da Filarmônica no YouTube, Rede Minas e rádio MEC (87,1 em BH e Brasília e 99,3 no Rio de Janeiro).
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
Concertos nesta quinta (17/9) e sexta (18/9), às 20h30, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Ingressos: De R$ 50 a R$ 185
(valores referentes à inteira), à venda na bilheteria
e no site filarmonica.art.br