‘Antártida’ reúne elenco de peso em história de crime no gelo
Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Leandra Leal e Lázaro Ramos estrelam longa de Bruno Safadi sobre violência e confinamento, que estreia nesta quinta (17/9)
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Uma estação isolada na neve, 12 pessoas confinadas durante meses e um crime cometido na primeira noite. É nesse cenário que “Antártida”, thriller psicológico dirigido por Bruno Safadi, acompanha a chegada da jovem cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) à base brasileira no continente gelado. Depois da violência contra a pesquisadora, todos os homens do local passam a ser suspeitos.
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O longa é um whodunit (expressão em inglês para “quem fez isso?”), gênero em que o mistério gira em torno da descoberta de quem cometeu o crime. Safadi está à frente também de “Jogada de risco”, atualmente a série original de ficção de maior alcance da história do Globoplay, segundo a plataforma.
“Que Bruno faça com ‘Antártida’ o mesmo sucesso que ele tá fazendo com a série dele. Não aceito menos do que isso”, brinca Andréa Beltrão, que interpreta a rigorosa subcomandante Elizabeth.
Produção da Paris Filmes em parceria com o Globoplay, “Antártida” foi desenvolvido ao longo de nove anos e surgiu a partir de uma notícia sobre um incêndio na estação brasileira Comandante Ferraz, em 2012. O filme tem roteiro de Claudia Jouvin.
Para levar a história à tela, a produção apostou na tecnologia de produção virtual, com o uso do Unreal Engine, ferramenta de criação de ambientes virtuais. O filme foi rodado em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em um estúdio de mais de 1.500 metros quadrados, com mais de 300 metros quadrados de telas de LED, câmeras com tracking de alta precisão, além de recursos de inteligência artificial e realidade aumentada.
PATAGÔNIA
Foram 16 semanas de pré-produção e seis semanas de testes. Parte da equipe também viajou para a Patagônia, onde imagens foram captadas com câmeras 360, incluindo filmagens à beira de um vulcão.
Andréa Beltrão conta que a tecnologia ajudou a construir uma experiência imersiva para o elenco. “Em vários momentos, eu até pensava que estava na Antártida. De Jacarepaguá para a Antártida foi um minuto. Ficou bonito, era bom de fazer, era gostoso. Quando chamavam a gente na salinha de recuperação dos artistas, a gente ia correndo porque era divertido, era legal, botava neve no rosto…”, lembra.
Leandra Leal, que vive a médica Marina, também destaca a liberdade dada aos atores durante as filmagens. “Chegamos lá na hora e não era um filme milimétrico. A gente não estava engessada. A gente teve liberdade criativa. Foi um set de um filme de atores”, diz.
Na história, Inês chega à estação cheia de malas, como quem está mesmo de mudança, para estudar a influência das mudanças climáticas no inverno. O trabalho científico, porém, pouco avança. Entre problemas no gerador, que desarma repetidamente, e a deterioração da saúde do comandante Barros (Antonio Calloni), a rotina da base é dominada pelas relações entre os moradores.
Depois da violência, o local se transforma em uma espécie de arena. Os homens se unem para se defender, e as mulheres precisam encontrar formas de se proteger. Barros, prestes a encerrar a carreira, não quer que o caso seja investigado para evitar que sua reputação seja manchada. Marina, por sua vez, carrega as marcas de uma depressão pós-parto e é pressionada pelo ex-companheiro, Vicente (Lázaro Ramos), que tenta reatar o relacionamento e interfere até na relação dela com o filho.
CONFINAMENTO
É o confinamento que, para Andréa Beltrão, torna a história ainda mais tensa. “A história em si ela piora, fica mais aguda, mais infernal porque acontece em um ambiente confinado. Uma violência e um ambiente confinado com 12 pessoas espremidas no mesmo lugar sem poder sair pra lugar nenhum piora tudo”, observa.
Elizabeth assume o comando quando Barros já não está em condições de continuar, enquanto Rose (Mariana Sena) encontra outra forma de sobreviver naquele ambiente: tenta se camuflar entre os homens para não ser tratada como uma mulher desejável por eles.
Para Leandra Leal, a relação de Marina com a própria vulnerabilidade foi um dos pontos que mais a aproximou da personagem. “Eu gosto da fragilidade da minha personagem. Ela estava em um momento da minha vida muito diferente. Ela teve depressão pós-parto, eu me conectava muito com ela naquele momento e achava muito cruel como aquele marido podia usar isso contra ela. A falta de apoio total em um momento tão sensível e importante era uma coisa que me conectava muito com a minha personagem”, diz.
Marina Ruy Barbosa destaca a transformação de Inês depois do crime. “A gente quis construir a Inês chegando nesse lugar com essas pessoas que ela não conhecia, enquanto todo mundo ali se conhecia, já trabalhava junto. Nas poucas cenas que existem antes do crime, eu quis que ela fosse muito livre, solta, sem julgamentos, que ela fosse uma mulher dona de si. Queria trazer essa liberdade que depois do que acontece vai se fechando.”
No fim, o debate sobre as mudanças climáticas e o próprio trabalho científico de Inês ficam em segundo plano. A Antártida funciona principalmente como uma panela de pressão para os conflitos entre os personagens. A produção virtual recria o continente gelado, mas todo esse investimento acaba servindo a uma história que poderia se passar em qualquer outro ambiente de confinamento.
“ANTÁRTIDA”
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(BR, 2026, 94 minutos) Direção: Bruno Safadi. Com Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Mariana Sena e Antonio Calloni. Estreia nesta quinta-feira (17/9) nos cinemas dos shoppings BH, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Itaú, Minas, Monte Carmo, Partage, Pátio e Via, além do Cine Belas Artes e do Centro Cultural Unimed BH Minas.