Série ‘Não se reprima’ procura explicar o sucesso do Menudo no Brasil
Série estreia que estreia nesta sexta-feira (24/7), no Canal Brasil, ouve músicos e ex-fãs do grupo para identificar as razões por trás do fenômeno de público
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Nem só quem foi adolescente nos anos 1980 foi atingido pelo fenômeno Menudo. Muito antes da globalização ou de rede social, cinco adolescentes porto-riquenhos dominaram os sonhos de meninas mundo afora, em especial na América Latina. Mais especialmente ainda no Brasil. Uma turnê por diversos estádios brasileiros, em 1985, totalizou um público de 2,5 milhões de pessoas.
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“Não se reprima”, série documental que estreia nesta sexta-feira (24/7), no Canal Brasil, analisa a “Menudomania” brasileira por meio de outros vieses além da pura e simples paixão juvenil. Um elenco heterodoxo participa da produção: os roqueiros João Gordo e Clemente, precursores do punk no país, Preta Gil (1974-205), o músico e produtor André Abujamra, a historiadora Mary Del Priore e a psicóloga Marina Bronstein.
“A ideia inicial foi pegar um monte de mulher inteligente que viveu aquilo para tentar decifrar o que foi. Depois resolvemos fazer o contraponto, ouvir os malucos que odiavam”, afirma Rafael Terpins, diretor da minissérie, então um garoto de 10 anos quando o grupo veio ao país.
“A Mary Del Priore fala que a revolução feminista foi a única que deu certo no século 20. A nossa geração cresceu com as mães trabalhando fora, então fomos criados pela televisão. O impacto do Menudo naquela época veio junto com a saída da repressão (militar, já que a ditadura termina justamente em 1985)”, acrescenta.
“Na década de 1970, um monte de artistas latino-americanos quis unir a América Latina. Daí vem esse empresário porto-riquenho querendo ganhar dinheiro na década de 1980 e consegue”, afirma Terpins sobre os fatos que o levaram a contar a história, produzida pela Elixir Entretenimento.
A produção é dividida em quatro episódios – “Infância”, sobre a origem do grupo, criado por Edgardo Díaz; “Adolescência”, sobre as mudanças na sociedade brasileira na década de 1980; “Vida adulta”, sobre as 18 apresentações em 1985; e “Velhice”, sobre o legado do grupo quatro décadas mais tarde.
Não foi fácil. O projeto inicial é de 2017. Ficou parado um tempão até que, em 2024, as filmagens foram realizadas. Muito da morosidade é creditada à liberação das músicas. “Foram praticamente dois anos. A ideia inicial eram nove, mas fechamos em cinco. Com a queda da venda de discos, as editoras começaram a cobrar muito caro pela liberação de música para documentário”, diz Terpins. Além da faixa-título, a série traz “If you’re not here”, sucesso na voz doce de Robby.
Elenco
O Menudo, como tal, existiu entre 1977 e 1997. A maior regra de Edgardo Díaz é que quando os meninos atingissem os 16 anos, com as consequentes mudanças de voz, eles sairiam do grupo.
Desta maneira, em 20 anos, 36 meninos passaram pelo grupo. A produção tentou falar com os mais célebres, como Robby Rosa e Ricky Martin. “Como tinha acabado de sair o documentário da HBO (‘Menudo: sempre jovens’, de 2022, que enfoca abusos físicos e psicológicos que os meninos sofreram), eles estavam fugindo disso.”
Por meio do fã-clube MenudoBR, ainda hoje na ativa, a produção da minissérie chegou a outros ex-integrantes, todos hoje com mais de 50. Os entrevistados foram Ricky Melendez e Johnny Lozada, que integraram o grupo de 1981 a 1984, e Raymond Acevedo, que foi um menudo de 1985 a 1988. Três integrantes do fã-clube, também entrevistadas na série, foram essenciais para a produção.
“As meninas foram maravilhosas, pois elas seguem os ex-menudos, que fazem shows na América Latina”, conta Terpins. A entrevista com Raymond, inclusive, foi realizada no Brasil, quando ele foi a São Paulo para um show com cinco menudos de diferentes formações, organizado pelo fã-clube.
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“NÃO SE REPRIMA”
• A série estreia nesta sexta-feira (24/7), às 22h, no Canal Brasil. Os quatro episódios serão exibidos em sequência. Reprise sábado (25/7), às 20h30; quarta (29/7), às 22h30, e quinta (30/7), às 21h. A produção será lançada, também nesta sexta, no streaming DOC Canal Brasil, no Prime Video.