MÚSICA

Banda carioca Melton Sello lança ‘OPA’, que quer dizer ‘O Primeiro Álbum’

Grupo acredita ter aborrecido o ator Selton Mello ao brincar com sua assinatura; primeiro trabalho de estúdio traz 12 faixas autorais

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O nome é uma brincadeira com o ator Selton Mello. Agora, verdade seja dita, trocar as iniciais do nome e sobrenome é um jogo que as pessoas fazem há tempos. Os rapazes da banda Melton Sello sempre tiveram a mania de fazer isso com quase tudo. Rony Tamos, Magner Woura e até Mord Fustang são exemplos.

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“Acabou que Melton Sello ficou como nome da banda muito naturalmente”, conta o vocalista Caio Paranaguá.


Depois de lançar singles como pílulas, a banda carioca lançou nas plataformas “OPA!”, seu primeiro disco. É mais uma brincadeira com as palavras. “OPA!”, afinal, é a sigla de “O Primeiro Álbum!” no contexto da Melton Sello.


Ao longo de 12 faixas, Caio, Gabriel Barros (baixo), Igor d'Alambert (guitarra) e Bill Dias (bateria) revisitam a sonoridade pop punk das décadas de 1990 e 2000, marcada por guitarras aceleradas, refrões radiofônicos e letras que tratam sobre inseguranças e cotidiano.


Melton Sello, no entanto, faz isso com bom humor. Não se trata de um pastiche. A banda vai além, criando uma atmosfera, de certo modo, nostálgica. É como voltar a uma época em que Strike, Forfun, CPM 22, Detonautas e Charlie Brown Jr. dominavam as rádios.


“Claro que você já viu alguma coisa igual. A gente não tem pretensão de fazer nada inovador”, canta a banda em “Mais do mesmo (2000 e tanto faz)”. “As músicas que a gente faz são simplesmente reflexo daquilo que gostamos de ouvir”, diz Caio. “É claro que tem essa coisa do mainstream, que hoje contempla outros gêneros. Mas acredito que tenha espaço para todos”, acrescenta.


Cena independente


Melton Sello surgiu entre 2018 e 2019, quando Caio deixou Vitória (ES) para morar no Rio de Janeiro. Inserido na cena independente carioca, conheceu os músicos que dariam origem à banda. Nos primeiros ensaios, o grupo tocava covers e recorria a trilhas virtuais para suprir a ausência de um baixista.


Em 2020, quando começava a apresentar as primeiras composições autorais, veio a pandemia. Os shows foram suspensos antes mesmo do lançamento da primeira música.


Melton Sello voltou aos palcos com o final da pandemia. Sem o apoio de uma gravadora, restou ao grupo a cara de pau. Os próprios integrantes mandavam mensagens e ligavam para profissionais da música apresentando a banda. Numa dessas ligações, conseguiram contrato com a Deckdisc.


“OPA!” é o trabalho mais completo da Melton Sello. “Conseguimos montar algo muito bem amarrado e que reflete quem somos”, diz o baterista Bill.


O álbum se desenvolve quase como uma narrativa. Depois da vinheta de abertura, “Mais do mesmo (2000 e tanto faz)” apresenta o manifesto da banda, enquanto “Para com essa parada” aproxima o repertório de um pop punk mais romântico. Em “É mole”, a influência de grupos como Simple Plan e Sum 41 aparece com mais clareza, tanto na construção melódica quanto nas letras sobre angústia, insegurança e baixa autoestima.


Já “Mudar pra roça” dialoga com a estética emo que ganhou força nos anos 2000, mas preserva o humor característico da Melton Sello em versos como “me dá vontade até de me mudar pra roça e trocar meu Vans quadriculado por um par de bota”.


A quebra mais evidente acontece em “Joia dub”, interlúdio instrumental em ritmo de reggae que reorganiza a escuta antes da reta final. A partir daí, faixas como “Dei bobeira”, “Umbigo”, “Microplásticos”, “O pior tiktoker da minha rua”, “Mais um pouco” e “Boto fé” retomam a energia das guitarras sem abandonar o cuidado com melodias e letras.


Papo sério


“O mais difícil pra gente é dar nome às músicas”, conta Bill, aos risos. Apesar da irreverência, Melton Sello trabalha com seriedade. “Algumas músicas têm um aliviozinho cômico, mas não diria que somos uma banda de humor. Sempre nos vimos como músicos, fazendo um som autoral e de verdade”, afirma Caio.


“OPA!” conta com participação da atriz e cantora Maitê Padilha na faixa “Microplásticos”. Ela interpretou a personagem Gaby Estrella em “Ainda estou aqui”, contracenando justamente com Selton Mello. “Na época, pedimos a ela para entregar ao Selton uma camisa da banda, com chocolate e uma cartinha dizendo que admiramos muito ele e pedindo perdão pela brincadeira com o nome dele”, conta Caio.


Maitê entregou o presente. “Mas não sei se ele recebeu muito bem. Não falou nada a respeito. Outro dia vi num programa de TV – acho que era o ‘Encontro’, da Globo – ele dizendo que não gosta muito que brinquem com o nome dele. Agora a gente ficou até meio cabreiro”, comenta o vocalista, sem perder o bom humor.

Capa
A capa de 'OPA', primeiro disco da banda Melton Sello Reprodução

“OPA!”
. Álbum de Melton Sello
. Deckdisc
. 12 faixas
. Disponível nas plataformas digitais


FAIXA A FAIXA


. “O primeiro ábum!”


. “Mais do mesmo (2000 e tanto faz)”


. “Para com essa parada”


. “É mole”


. “Mudar pra roça”


. “Joia dub”


. “Dei bobeira”


. “Umbigo”


. “Microplásticos”


. “O pior tiktoker da minha rua”


. “Mais um pouco”

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. “Boto fé”

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