Antonio Adolfo faz a releitura da própria obra no álbum 'Balaios'
Pianista regrava nove canções lançadas por ele entre 1965 e 2018, com arranjos diferenciados e executadas por craques do instrumental
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Autor dos clássicos “Sá Marina”, “Teletema” e “BR-3”, o pianista, arranjador e compositor Antonio Adolfo lança o álbum instrumental “Balaios” (AAM Music), que traz nove faixas, três delas em parceria com Tibério Gaspar (1943-2017).
Adolfo explica que canções vindas de várias fases de sua carreira, entre 1965 e 2018, ganharam novos arranjos. “Peguei músicas que não eram tão conhecidas e se encaixam na maneira como tenho tocado hoje”, explica.
“Algumas fiz com o letrista Tibério Gaspar, meu parceiro de 1967 até 1970. Hoje, tenho feito parceria com o Renato Teixeira, mas, no momento, estou mais concentrado no trabalho instrumental.”
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O disco conta com dois convidados: o saxofonista carioca Leo Gandelman e o guitarrista norte-americano Thom Rotella. Acompanham Adolfo os instrumentistas Lula Galvão (guitarra e violão), Jorge Helder (baixo), Rafael Barata (bateria e percussão), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Danilo Sinna (sax), Marcelo Martins (sax e flauta), Rafael Rocha (trombone) e André Siqueira (percussão).
O repertório traz temas instrumentais, como “Sambalaio” e “San Expedito”. Essa última remete a Santo Expedito, lugarejo entre a cidade fluminense de Miguel Pereira e o Rio de Janeiro. “Passava muito por lá e meu carro estragou duas vezes no mesmo lugar. Por isso resolvi fazer a música”, conta Adolfo.
Outra faixa ele gravou com letra num disco com a participação do grupo vocal Viva Voz. Trata-se de “Até que venha o amor”, que agora virou “Love will come”.
Pioneiro
Pioneiro da produção de música independente no Brasil, Antonio Adolfo mostrou aos colegas, na década de 1970, a possibilidade de trabalhar sem depender das imposições das gravadoras. “Love will come”, segundo ele, é “um hino à produção independente”.
Outra faixa de “Balaios” é “Samba quatro”, rebatizado agora “Zah toom toom”. Ele explica que se trata do “onomatopeico da batida do surdo e do contrabaixo no samba-funk.”
Por sua vez, “Claudia” foi composta para “Ascensão e queda de um paquera”, filme de Victor di Mello com o ator Claudio Cavalcanti, lançado em 1970.
Já ‘3D blues’, faixa que abre o disco, surgiu em 1965. “É de quando gravei o álbum ‘Trio 3D convida’, e o famoso saxofonista J.T. Meirelles (1940-2008) participou desta faixa. Agora mexi na música e fiz outro arranjo”, informa.
A valsa jazz “My chant” foi a última parceria da dupla Antonio Adolfo e Tibério Gaspar.
Antonio Adolfo conta que o novo álbum está sendo lançado simultaneamente no Brasil e no exterior por seu selo AAM Music. “Além do streaming, faremos no formato CD, pois vinil fica muito caro tanto para fazer quanto para vender”, lamenta.
"Feito em casa' faz 50 anos
Cheio de planos, ele diz que, em 2027, fará 80 anos e vai comemorar as cinco décadas de “Feito em casa” (1977), o primeiro disco independente do país. Por meio do selo Artezanal, Adolfo produziu, gravou, prensou e distribuiu este LP.
O catálogo do artista carioca tem cerca de 200 composições. Contemplado várias vezes com o Prêmio da Música Brasileira, ele foi indicado 10 vezes ao Grammy Latino e nomeado ao Grammy, na categoria de Melhor Álbum de Jazz Latino, por “Hybrido: from Rio to Wayne Shorter” (2017).
'BALAIOS'
Álbum de Antonio Adolfo
AAM Music
Nove faixas
Disponível nas plataformas
FAIXA A FAIXA
>> '3D BLUES'
De Antonio Adolfo
>> 'CLAUDIA'
De Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Participação de Thom Rotella
>> 'SAN EXPEDITO'
De Antonio Adolfo
>> 'SAMBALAIO'
De Antonio Adolfo
>> 'LOVE WILL COME'
De Antonio Adolfo
>> 'MY CHANT'
De Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Participação de Leo Gandelman
>> 'VISION'
De Antonio Adolfo e Tibério Gaspar
>> 'JOURNEY TO THE INTERIOR'
De Antonio Adolfo e Tibério Gaspar
>> 'ZAH TOOM TOOM'
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De Antonio Adolfo