Carro que Ayrton Senna deu a Adriane Galisteu integra exposição em BH
Mostra que a Casa Fiat abre nesta terça-feira (7/7) comemora os 50 anos da montadora no Brasil e exibe modelos históricos da marca
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O Brasil e o mundo acompanharam, naquele 22 de julho de 2013, a ousadia do Papa Francisco. Ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o pontífice fez tudo do jeito que quis. Despachou o “papamóvel” blindado que tinha à disposição e se aboletou em um Fiat Idea, sem nenhuma blindagem.
Acenou para a multidão que o aguardava no percurso (as imagens, na época, revelaram que não usava cinto de segurança), com os vidros abertos – não elétricos, mas de manivela. O carro foi escolhido pelo papa justamente pela simplicidade e por ter janelas amplas no banco de trás.
As marcas deixadas pela população que se aproximou do santo padre estão expostas na mostra “Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade”, que será aberta nesta terça (7/7), na Casa Fiat de Cultura.
Parte do acervo da fábrica da Fiat em Betim, o Idea do Papa Francisco é atração no eixo dedicado à religiosidade. Os amassados (cicatrizes, nas palavras do curador Marcos Rozen) provocados pelo encontro com a população estão bem claros para o público. “Todos os automóveis que estão na exposição não estão como produto, mas representando um valor simbólico”, acrescenta.
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Uma fotografia cobrindo a parede lateral ao carro mostra a população junto a Francisco. Do outro lado da sala, há uma imagem do Papa João Paulo II, simbolizando sua presença em Belo Horizonte. Após a missa celebrada por ele em 1o. de julho de 1980, a Praça João Pinheiro, nas Mangabeiras, foi devidamente rebatizada Praça do Papa.
Dos sete automóveis expostos, quatro são de propriedade da Fiat e três são particulares. Deste segundo grupo, um deles é um Uno Mille Eletronic 1993, que fez parte da primeira geração de carros populares do Brasil. A proprietária é Adriane Galisteu, que o recebeu de presente de Ayrton Senna, seu namorado na época. Esta é a primeira vez que a apresentadora libera o veículo para uma exposição.
“Um belo dia ele perguntou para ela o que gostaria de presente de aniversário”, conta Rozen. “Ela disse que queria um Uno, porque é o carro que todas as amigas tinham. Passado algum tempo, ele chegou com o carro (a placa é iniciada por DRI). Tinha um buquê de flores no painel e o convite para jantar. A única condição que ele colocou foi que ele iria dirigir até o restaurante. Então o Senna foi o primeiro motorista do carro”, diz Rozen.
Na sala onde o veículo está exposto há também muitas imagens do tricampeão mundial. Uma delas mostra a retirada do piloto diante da multidão que invadiu a pista de Interlagos após Senna vencer o GP do Brasil de 1993. “Ele foi resgatado por um safety car (carro de segurança da Fórmula 1) que era um Tempra 93. Entra no carro, se pendura na janela e dá praticamente a volta completa em Interlagos comemorando junto com o público”, comenta Rozen.
Outro modelo particular é o Palio Weekend do pentacampeonato da Seleção Brasileira, em 2002. O veículo, arrematado em um leilão, é mantido na garagem pela compradora – não rodou mais do que 3 mil km. Destaque do eixo da exposição dedicado ao futebol, estampa a assinatura dos craques de outrora: Cafu, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho.
A parte externa da Casa Fiat apresenta outros modelos clássicos da montadora. Como esquecer o Fiat 147? Primeiro carro produzido do Brasil para o mundo, marcou também o pioneirismo do país ao produzir, em larga escala, um veículo movido a álcool (em 1979). Como os visitantes não podem entrar, obviamente, nos veículos, a exposição disponibilizou um modelo para que o público faça as devidas selfies. É um Fiat Argo, customizado de pelúcia rosa.
ALÉM DA MOSTRA
Confira a programação paralela, que tem entrada franca
Bate-papo com os curadores
Nesta quarta (8/7), das 19h30 às 21h, conversa com Yuri Quevedo e Marcos Rozen. Inscrição via Sympla
Visitas temáticas
“Brasil com S: o espetáculo de ser brasileiro” – 11/7 e 25/7, às 16h
“Brazilcore: signos da brasilidade na moda” – 12/7, 18/7 e 26/7, às 16h
“Tem festa na rua, tem Brasil” – 19/7, às 11h
Ateliê Aberto
“Carrinhos em construção: acelerando a imaginação” – Em julho, às quintas, às 19h30; sábados e domingos, às 10h30 e 15h (em 19/7, apenas às 10h30)
Oficinas
Sketch Attack: desenho automotivo – 14/7 e 15/7, das 19h às 21h (com distribuição de senha)
Clay Lab: modelando carros do futuro – 21/7 e 22/7, das 14h às 17h (com distribuição de senha)
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Música na Capela
Clássicos da música brasileira com Quarteto Catarse – 19/7, às 11h