Mulheres do rap de BH se reúnem no álbum '92BPM O Mic é Delas'
Coletânea lançada nas plataformas digitais reúne dez MCs de diferentes gerações da cena hip-hop da capital e da Região Metropolitana
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O protagonismo feminino no rap de Belo Horizonte ganha destaque com o lançamento do álbum “92BPM o mic é delas”, disponível nas plataformas digitais desde o último 23 de junho. O projeto reúne 10 MCs da capital e da região metropolitana em coletânea que celebra diferentes gerações da cena hip-hop.
Idealizado pela produtora cultural Totty Soraia e pelo produtor musical, beatmaker e DJ PretoC, o disco é um desdobramento do projeto 92 BPM, que já lançou duas coletâneas dedicadas ao rap mineiro. Desta vez, porém, o foco é exclusivamente nas mulheres. A ideia surgiu a partir de uma conversa entre Totty e a produtora e estilista Lorena Santos.
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"Ela me perguntou: 'Totty, por que vocês não lançam uma coletânea só com mulheres?'. Eu respondi que era um sonho, mas que precisávamos de recursos para garantir pelo menos ajuda de custo às artistas. Quando fomos contemplados em um edital, conseguimos tirar a ideia do papel", conta Totty.
A produtora, de 48 anos, acompanha o hip-hop desde o fim da década de 1990. Foi na região do Barreiro que começou organizando eventos para construir a trajetória ligada à cultura urbana.
Hoje, Totty está à frente da Kemit Produções. Antes de chegar ao projeto dedicado às mulheres, o 92 BPM surgiu com a proposta inicial de reunir artistas que estavam afastados dos palcos.
"Muitos dos nossos amigos estavam parados, alguns até desanimados por estarem há tanto tempo sem cantar. Fizemos a curadoria, entramos em contato com esses artistas e nasceu a primeira coletânea”, conta.
A seleção das participantes desta edição buscou representar diferentes gerações e trajetórias do rap belo-horizontino. Participam do álbum DJ Pat Manoese, Nega Ruiva, Negras Ativas, Ohana, Lua Zanella, Dany Fragozo, NDPCon, Ynaê Mel da Norte, Talita Silva e Negra Mina.
"Eu queria reunir mulheres da velha e da nova escola. Trouxe as Negras Ativas, que têm uma contribuição belíssima para a cidade, e também artistas mais jovens que vêm construindo caminhos importantes", observa.
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Entre os nomes escolhidos está Lua Zanella, artista trans que, segundo Totty, representa a diversidade da cena. "Faço questão da Lua conosco pelo potencial artístico e pela representatividade que ela tem, principalmente por atuar também como jurada de batalhas de rima."
Outro destaque é Nega Ruiva, MC conhecida pelas batalhas de freestyle e pelos saraus. "Ela representa muito bem Belo Horizonte. É uma artista que vem conquistando espaços importantes", comenta.
Pé na porta
Totty lembra que, quando começou no hip-hop, no fim dos anos 1990, as mulheres tinham pouco espaço para se apresentar. "Não é que não existissem mulheres. O acesso ao microfone e aos palcos era muito limitado. Mesmo assim, a gente seguia metendo o pé na porta."
Na avaliação da produtora, o cenário avançou nas últimas décadas. "Hoje somos protagonistas. Você vê mulheres produzindo eventos, discotecando, fazendo beats, organizando festivais e ocupando o microfone. Antes era muito comum a mulher ficar só no backing vocal. Hoje ela está no centro da cena", comemora.
Ela acredita que essa transformação também aparece nas letras das artistas presentes no disco. "São músicas que incentivam outras mulheres a serem protagonistas da própria história, da própria carreira, sem deixar que ela fique apenas na mão ou na vontade dos homens", conclui.
"92BPM O MIC É DELAS"
Disco com artistas mulheres de Belo Horizonte e da região metropolitana
10 faixas
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