Sarah Kubitschek (1908-1996) nasceu Sarah Luiza Gomes de Lemos, quando Belo Horizonte ainda se estabelecia, aos poucos, como cidade. Filha de Jaime Gomes de Souza Lemos e de Maria Luiza Negrão, casou-se com Juscelino Kubitschek em 30 de dezembro de 1931.

Em 1951, era primeira-dama de Minas Gerais. Fundou o projeto Pioneiras Sociais, atualmente Serviço Social Autônomo Servas, com o intuito de apoiar ações voltadas à infância e maternidade. 

Dona Sarah é uma das 20 homenageadas no livro e exposição “20 mulheres de história: A travessia do cuidado”, que será aberta nesta sexta-feira (26/6), no Palácio das Artes.

O projeto conta a trajetória de presidentes do Servas, por meio de vídeos, painéis digitais, projeções documentais, fotografias, depoimentos institucionais e linhas do tempo. Após a cerimônia de abertura, haverá concerto da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais.

 Com curadoria de Leônidas Oliveira, secretário de Estado da Cultura e do Turismo, a mostra se baseia em pesquisa feita a partir de depoimentos de familiares e materiais coletados em arquivos de jornais como o Estado de Minas. As informações foram utilizadas também no documentário dirigido por Mariana Borges, previsto para ser lançado na segunda-feira (29/6). O livro foi escrito por Christiana Renault e Iana Coimbra. 

“Sugeri que fizéssemos pesquisa que pudesse ser usada para criarmos a exposição e o documentário. Havia poucos registros e muita falta de informação sobre o assunto, então acabou demorando um pouco mais”, explica Danusa Carvalho, da Casulo Cidadania, coordenadora do projeto.

 Entre as ex-primeiras-damas que comandaram o Servas estão Dona Sarah, Lia Portocarrero Salgado (1914-1980), Francisca Cândida Tamm Bias Fortes (1900-1970), entre outras. 

Dona Sarah, esposa de JK, fazia parte de família da alta sociedade mineira. Foi se interessando por política na época em que mulheres eram ensinadas a se dedicar apenas à casa e à família. 

 De acordo com as autoras do livro, Sarah se deparou cada vez mais com as desigualdades e injustiças sociais enquanto JK seguia na política. “Passou a reunir mulheres na garagem do Palácio da Liberdade para arrecadar doações e levantar recursos para apoiar famílias em situação de vulnerabilidade”, diz o livro. A partir dali, surgiu o Pioneiras Sociais, atual Servas. 

“Hoje tudo se esquece, mas quando se faz um projeto como esse, você provoca a questão do inconsciente coletivo, do afeto das pessoas e é muito legal participar. Isso foi importante para fazermos o projeto tomar uma proporção maior”, afirma Danusa Carvalho. 

 Lia Portocarrero Salgado, esposa do governador Clóvis Salgado, era cantora lírica. Aprendeu idiomas e estudou no Conservatório Mineiro de Música. Presidiu o Servas de maio de 1955 a janeiro de 1956. 

Francisca Bias Fortes, ou Dona Queridinha, era mulher do governador Francisco Bias Fortes. Assumiu a presidência do Servas de janeiro de 1956 a janeiro de 1961. Ajudava doentes, desempregados e pessoas à margem da sociedade. Nesses momentos, ao contrário do que se via em outras situações, o marido estava ao lado dela. 

 Édila Aída de Andrade Couto comandou o Servas de agosto de 1984 a 1987. Não era primeira-dama nem esposa de homem influente. Estudou para ser professora. Certa vez, fugiu para o Rio de Janeiro e recebeu da família o apelido de “Noviça Rebelde”.

Em Belo Horizonte, tornou-se parceira de Sarah Kubitschek, assistiu de perto ao surgimento do Servas. O governador Hélio Garcia, que era desquitado quando assumiu o Palácio da Liberdade, convidou-a para comandar a instituição. 

“20 MULHERES DE HISTÓRIA: A TRAVESSIA DO CUIDADO”

Abertura de exposição nesta sexta-feira (26/6), às 18h30, no foyer do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Em cartaz até 26 de julho. Funcionamento: de terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingo e feriados, das 17h às 21h. Entrada franca.

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria 

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