CINEMA

Baby do Brasil, entre o pop e o apocalipse, ganha documentário

Exibido na CineOP, "Apopcalipse segundo Baby", de Rafael Saar, revisita cinco décadas da trajetória da cantora, mas deixa de fora polêmicas envolvendo a artista

Publicidade
Carregando...

OURO PRETO (MG)* – Polêmicas à parte, Baby do Brasil é uma personagem fascinante da história recente da música popular brasileira. Não à toa, ela é a protagonista do documentário “Apopcalipse segundo Baby”, de Rafael Saar.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O longa é grafado assim mesmo, com um “P” a mais, para evocar o universo pop com o qual Baby esteve ligada de forma significativa e de um jeito muito particular. Exibida na 21ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), com a presença da cantora, a produção deve chegar aos cinemas do país em breve.

Baby do Brasil nunca foi uma artista pop no sentido mais convencional, com carreira linear, formatada para o rádio ou inteiramente orientada pelo mercado. O pop sempre apareceu misturado a outros elementos, como o tropicalismo, a psicodelia, o rock, a MPB, o samba e a performance.

Natural de Niterói (RJ), Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade virou Baby do Brasil por influência do cinema. “Eu gostava daquele BB de Brigitte Bardot. Ela tem um nariz fino e um bocão iguais aos meus”, conta uma jovem Baby do Brasil em entrevista resgatada por Rafael Saar para o documentário.

O filme, aliás, é todo montado a partir de registros obtidos pelo diretor em processo de pesquisa que durou 18 anos. São entrevistas que a cantora deu para TVs brasileiras desde a época dos Novos Baianos, filmagens caseiras feitas por Pepeu Gomes no período em que formava com ela um dos casais mais famosos da música brasileira, além de reconstituições ficcionalizadas. Tudo costurado por narração de Baby em primeira pessoa.

“A gente construiu uma relação de confiança”, afirma Rafael. “Fazer uma biografia já é delicado por si só, porque você vai mexer na história de uma pessoa, nas dores não só dela, mas de todo mundo que conviveu com ela. Então, acho que faz parte desse trabalho construir uma relação de confiança para que em nenhum momento eu fosse indelicado ou a constrangesse. Ao mesmo tempo, precisava fazer um trabalho em que ela se visse na tela”, acrescenta.

Encontros e desencontros

Logo nas primeiras cenas, o documentário traz uma entrevista de Baby recém-lançada ao estrelato, contando sobre o rompimento com a família, quando tinha 17 anos. Fugiu para Salvador no ônibus no qual também viajava, entre outros nomes da contracultura do fim dos anos 1960, Waly Salomão. Ganhou do poeta um microfone, gesto que Baby considerou premonitório.

Na Bahia, conheceu Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes, com quem formaria os Novos Baianos. Morou de favor até ser posta na rua, pois a mãe da menina que abrigava Baby não queria problemas com uma garota que havia fugido de casa. Nisso, foi viver debaixo da Ponte de Piatã. “Levei o Pepeu junto”, lembra ela no documentário.

“Apopcalipse segundo Baby” percorre todas as fases da cantora. O início com os Novos Baianos, o projeto seguinte com Pepeu Gomes e a carreira solo. Em todas essas etapas, o filme evidencia o vocal único da cantora, seu carisma contagiante, performance corporal singular nos shows e, principalmente, sua presença de palco. Características que Baby não perdeu ao longo de 50 anos de carreira.

O longa também apresenta seu lado “mãezona”, com os filhos Sarah Sheeva, Zabelê, Nãna Shara, Pedro Baby, Krishna Baby e Kandesa Baby. “O Rafael (Saar) é muito fino, muito observador. Não sabia o que ele ia fazer, mas apostei nele”, disse Baby aos jornalistas antes da exibição.

Sem polêmicas

“Apopcalipse…” não entra em polêmicas, como a conversão ao cristianismo – ela sempre teve visão cósmica e psicodélica sobre a vida – nem no episódio “profético” com Ivete Sangalo no carnaval de 2024. Quando seu trio elétrico passou pelo trio de Ivete, Baby interrompeu a apresentação para alertar: “Todos atentos porque entramos em apocalipse.”

Ainda que deixe as polêmicas de fora, o documentário é divertido e cumpre bem o papel de apresentar a trajetória artística de Baby do Brasil. É uma ótima porta de entrada para que as novas gerações compreendam quem é essa mulher tão singular.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

* O jornalista viajou a convite da Universo Produção

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay