Stephen Colbert encerrou o último episódio de seu talk show "The Late Show" ao lado do músico Paul McCartney, pondo fim à trajetória histórica de 33 anos do programa, um dos mais memoráveis da televisão estadunidense.
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No programa desta quinta-feira (21/5), McCartney e Colbert relembraram apresentações passadas dos Beatles no Ed Sullivan Theater, em Nova York, e memórias da banda durante turnês pelos Estados Unidos.
A dupla encerrou com uma apresentação de "Hello, Goodbye", enquanto a equipe do "The Late Show" se reunia no palco para os agradecimentos finais.
A CBS anunciou o cancelamento do "The Late Show" em julho do ano passado. Colbert esteve na bancada por 11 temporadas, após substituir David Letterman, que havia comandado o programa desde seu lançamento, em 1993.
O último adeus
Colbert abriu o programa com seu monólogo habitual, dizendo à plateia que seria um programa normal, em vez de um episódio de despedida "especial".
Houve muita especulação sobre quem seria o último convidado. Os atores Bryan Cranston, Paul Rudd e Ryan Reynolds estavam entre as várias celebridades que apareceram para participar, disputando a honra, para depois serem informados de que não foram escolhidos.
Católico devoto, Colbert sempre disse que gostaria de ter o papa Leão XIV para sua última entrevista. Quando começou a apresentar o último convidado como alguém vindo do Vaticano, um membro da equipe o interrompeu para dizer que o papa se recusava a sair do camarim. "Não lemos todo o seu contrato e não trouxemos seus lanches", disse o funcionário, em tom brincalhão.
O único vislumbre que a plateia teve do "papa" foi um braço saindo de trás da porta de um camarim com a placa "papa Leão XIV", jogando fora um cachorro-quente.
"O papa, que era definitivamente meu convidado desta noite, cancelou. Já dispensamos as outras estrelas. Isso é terrível", disse Colbert. "Quem será meu último convidado agora?"
Foi então que McCartney sentou-se com Colbert para dividir suas impressões sobre o retorno ao Ed Sullivan Theater e suas memórias de turnê pelos EUA com os Beatles.
"Era de onde vinha toda a música que amávamos, todo o rock 'n' roll, o blues e tudo mais. Os Estados Unidos eram simplesmente a terra da liberdade, a maior democracia do mundo. Era isso mesmo. E espero que ainda seja", disse o músico.
Stephen Colbert encerrou o "The Late Show" após 33 anos de história do programa
Após uma apresentação emocionante de "Hello, Goodbye", os momentos finais do programa mostraram Colbert e McCartney nos bastidores, apagando as luzes do "The Late Show" para sempre.
Do lado de fora, fãs se reuniram sob a marquise brilhante do programa, segurando cartazes de "Obrigado, Stephen" e "Colbert para Presidente".
"Estamos muito tristes com a saída de Stephen. Isso vai deixar um grande vazio nos Estados Unidos", disse Sarah Thompson à BBC. "Porque você precisa rir no final do dia."
Wendy Sloan era outra fã presente. Ela estava em Amsterdã na manhã de quinta-feira e reservou um voo de oito horas para Nova York, lutando contra a falta de sono, para acompanhar a despedida. "Teria feito qualquer coisa para estar aqui", disse.
Os bastidores do cancelamento
Nos dias que antecederam a gravação do último programa, uma série de convidados ilustres homenageou os mais de 10 anos de Colbert à frente do programa.
Letterman, um crítico ferrenho da decisão da CBS de cancelar o "The Late Show", retornou na semana passada como um dos últimos convidados.
A dupla reprisou um quadro muito querido da época de Letterman: jogar móveis e melancias do telhado do Ed Sullivan Theater em cima do logotipo da CBS.
Steven Spielberg, Tom Hanks, Bruce Springsteen e os colegas de Colbert no horário nobre da TV americana (Jon Stewart, Jimmy Fallon, Jimmy Kimmel, Seth Meyers e John Oliver) passaram pela bancada para demonstrar apoio.
Fallon e Kimmel anunciaram na semana passada que não exibiriam novos episódios de seus programas na noite da despedida de Colbert, em sinal de respeito.
Colbert havia se tornado na televisão um dos críticos mais ferrenhos do presidente dos EUA, Donald Trump, e alguns espectadores questionaram se a decisão de cancelar o programa poderia ter sido devido à pressão política.
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Mas a CBS disse no ano passado que a medida foi "puramente uma decisão financeira em um cenário desafiador na televisão" e "não está relacionada de forma alguma ao desempenho, conteúdo ou outros assuntos do programa".
