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Terceira temporada de 'Euphoria' chega ao fim neste domingo (31/5)

Mudança de identidade enfraqueceu a série, que fez sucesso em 2019 e 2022, e comportamento de Zendaya indica o final da atração

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A terceira temporada de “Euphoria” chega ao fim neste domingo (31/5) e, como reflexo da perda de identidade da série, ainda não está claro se a HBO vai encerrá-la no episódio de amanhã.

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Em abril, em entrevista ao programa americano “The Drew Barrymore show”, Zendaya, intérprete da protagonista Rue, afirmou “achar” que o fim estava próximo, enquanto o criador Sam Levinson seguia evasivo sobre o futuro da produção.

Diferentemente de séries como “Stranger things”, que anunciaram previamente a despedida, a HBO mantém a quarta leva de episódios em aberto.

Com 93 minutos, o capítulo de amanhã precisará resolver uma série de conflitos acumulados ao longo da temporada, que abandonou quase completamente o drama adolescente dos primeiros anos para abraçar a trama centrada em tráfico, prostituição, dívidas e violência.

Rue passou esta temporada tentando escapar das consequências de sua dívida com a traficante Laurie (Martha Kelly) e acabou envolvida com o cafetão Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e a polícia.

Cassie (Sydney Sweeney), agora casada com Nate (Jacob Elordi), tenta lidar com os problemas financeiros do marido. Para sustentar a casa, ela cria uma conta no OnlyFans e é agenciada por Maddy (Alexa Demie), amiga com quem havia rompido após as traições da segunda temporada.

Quando Cassie é sequestrada por credores, Maddy recorre a Alamo para salvá-la e se envolve em dívidas com o criminoso.

Outras personagens tiveram participação reduzida. Lexi (Maude Apatow) passa a trabalhar na série protagonizada pela irmã, enquanto Jules (Hunter Schafer) vive como sugar baby e tenta construir uma carreira artística.

Com boa parte dos protagonistas endividados ou ligados ao crime, o último episódio deve definir quem sobreviverá à escalada de violência.

Trabalho sexual

Uma das críticas mais recorrentes à terceira temporada de “Euphoria” envolve o destino das protagonistas. Embora o núcleo principal seja majoritariamente feminino (Nate é a exceção), quase todas as personagens se envolvem com o trabalho sexual, seja vendendo o próprio corpo, seja lucrando com a exploração de outras mulheres.

Cassie é o exemplo mais evidente. Chega a se fantasiar de cachorro e de bebê para produzir conteúdo sexual. As cenas geraram controvérsia e, na tentativa de viralizar por meio do choque, fizeram com que a personagem de Sydney Sweeney tivesse mais destaque do que Rue.

Entre as especulações sobre o desfecho está a possível morte da protagonista pelas mãos de Alamo ou Laurie, especialmente diante do aparente distanciamento de Zendaya da produção.

Na estreia desta terceira temporada, a atriz e produtora-executiva evitou fotos em grupo com o elenco. Além disso, segundo a “Variety”, Zendaya rejeitou versões iniciais dos roteiros de Sam Levinson, determinando mudanças significativas.

A história reescrita é apenas um dos problemas da série, que enfrentou atrasos devido à greve dos roteiristas de Hollywood em 2023, à morte do ator Angus Cloud (1998-2023) e à dificuldade de conciliação da agenda do elenco.

A produção perdeu integrantes como Barbie Ferreira, que deixou a série por discordar do rumo da personagem Kat, e o músico Labrinth, responsável pela trilha sonora das duas primeiras temporadas, que revelou ter retirado suas músicas após se sentir maltratado pela equipe. Foi substituído por Hans Zimmer.

Velho Oeste

Na ficção, o salto temporal de cinco anos permitiu a Sam Levinson reformular completamente a proposta da série. Em entrevistas, o criador descreveu a nova fase como “Velho Oeste moderno”, focado na ausência de limites e consequências reais.

“Tornou-se interessante tirar os personagens do ensino médio. Não existe rede de proteção. Gosto desse aspecto do Velho Oeste, em que você pode construir algo para si mesmo, mas terá de conviver com as consequências”, disse ele à “Esquire”.

Porém, “Euphoria” parece ter abandonado justamente aquilo que atraiu o público, fazendo muito sucesso em 2019 e 2022. Nas duas primeiras temporadas, sexo, drogas e violência eram ferramentas para explorar amizade, intimidade, luto e vulnerabilidade emocional. O curioso é que essa transformação talvez estivesse em pauta desde o início, pois a atração nasceu cercada por controvérsias criativas.

Glitter e demissão

A fotógrafa Petra Collins, conhecida pela estética marcada por neon, glitter e retratos femininos intimistas, afirma que a identidade visual, um dos sucessos de “Euphoria”, foi construída a partir de seu trabalho.

Segundo a “Decider”, Collins disse que Sam Levinson contou ter se inspirado em suas fotografias para escrever a série e a convidou para desenvolver ali seu universo estético. Pouco antes do início das gravações, porém, a HBO a dispensou, mas manteve grande parte das referências que ela ajudou a criar. Por isso, a sensação de que “Euphoria” se tornou outra obra talvez não seja mera impressão. 

“EUPHORIA”

• O oitavo e último episódio da terceira temporada estreia neste domingo (31/5), às 22h, na plataforma HBO Max. 

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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