LANÇAMENTO MUSICAL

Cantor e compositor Sérgio Santos lança 'Todo samba', com músicas inéditas

Novo trabalho do músico mineiro conta com a participação do clarinetista Nailor Proveta, e comemora os 45 anos de sua carreira

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Foi um batismo e tanto. No Largo do Carmo, no Recife, Sérgio Santos pensou: “Se estou aqui, com Milton Nascimento, nesse lugar longe de casa, o que estou fazendo no curso de arquitetura?” O 20 de novembro de 1981 foi um divisor de águas para o estudante que integrou o coro da “Missa dos Quilombos”. Ele saiu de lá com seu primeiro cachê e a certeza de que abandonaria a universidade e se dedicaria à música.

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No próximo novembro, o cantor, compositor, violonista e arranjador mineiro completa 45 anos de carreira e 70 de vida (no dia 24). O lançamento do álbum “Todo samba” (Biscoito Fino), com 13 inéditas, marca o início das comemorações.


Neste trabalho, ele se reuniu ao clarinetista, compositor e arranjador Nailor Proveta, músico à frente da Banda Mantiqueira. “Se eu for contar na mão os gênios que conheço e tenho acesso, um dos dedos é o Proveta. É um sujeito genial na linguagem do samba, tem um jeito de tocar que combina com a minha maneira de pensar”, comenta Santos.


As gravações de “Todo samba” ocorreram em não mais do que quatro dias no estúdio Gargolândia, em Alambari, interior de São Paulo. Santos e Proveta gravaram em agosto de 2022. O hiato entre o registro e o lançamento ocorreu por mais de uma razão.


“Naquele momento (fim da pandemia), estava difícil lançar. Um bom tempo depois dele gravado, vi que tinham músicas com cara de orquestra de cordas. Foi trabalhoso, tive que pensar (os arranjos) vendo o que tinha sido feito. Foi meio o inverso do processo normal.”


Quatro faixas foram gravadas pela Tallinn Studio Orchestra, da Estônia: a canção-título “Todo samba” (Santos/Paulo César Pinheiro); “Serenadas pedras” (dele com Francis e Olivia Hime, que também cantaram na música); “Rafael e Rita”, a única feita no estúdio, dedicada ao casal à frente do Gargolândia; e “Senhoras do samba” (dele com Nailor Proveta).


O álbum ainda traz as participações em duas parcerias com Paulo César Pinheiro: Leila Pinheiro gravou com Santos em “Inquietude” e Maíra Manga em “Trate bem seu bem”.

PAIXÃO ANTIGA

Santos é um apaixonado pelo samba, sua estreia em disco com “Mulato” (1998) denota isso. Mas não se considera sambista. “Moacyr Luz é um compositor de samba, por exemplo, mas eu não. Sou um visitante do samba, sempre com paixão, pois remete a minha mãe, carioca, que cantava Cartola, Nelson Cavaquinho. Então, ele vem da minha infância. Sempre tive na cabeça, e é um conceito bem expresso no disco, que o samba não tem uma cara determinada. Ele não é um estilo, mas um jeito de pensar música que pode abraçar um monte de vertentes.”


“Pro samba evoluir/use a imaginação/que o samba não se amarra em regra musical”, ele canta em “Entortando o samba” (letra e música de Santos). Na canção, ainda dá de ombros para a crítica musical: “Pra me contradizer/Tem que ser bala no arsenal.” Para Santos, o samba está longe de ser um riacho. “É um rio grande, cheio de afluentes. Mas às vezes é mais difícil pensar no samba como uma proposta aberta.”


Facilidade, vale dizer, é algo que Santos nunca buscou em sua carreira. “Eu faço um monte de coisa, de ritmos. Tem hora que acumula, esteticamente combina, e acaba se tornando um álbum. Isso é muito importante, já que fazer uma música, duas ou três, não é um grande desafio. Manter o conceito de um álbum, com unidade e um discurso bem claro, é como escrever um livro.”


Fazer música, aliás, é algo que ele faz diariamente. Define-se como um workaholic. “Não sei muito me entender se não estou exercendo isso cotidianamente. É uma coisa meio inerente, a minha respiração. Sempre estou compondo. Posso amassar e jogar no lixo depois, ou então achar que é uma obra-prima e no dia seguinte achar que é um nada. Mas é essa procura que me mantém ativo na música. A criação é essencial.”


Sua parceria mais constante (e prolífica) é com Paulo César Pinheiro (que dividiu com ele cinco das 13 faixas de “Todo samba”). “Na verdade, com quem ele mais fez música foi comigo. São mais de 300, a gente já perdeu a conta.” Mesmo com tanta quantidade e diversidade, acha que sua obra é pouco gravada.


“Tem muita gente que me gravou, o que me deixa feliz: João Nogueira (‘Sagrada luz’), Alcione (‘O samba vai balançar’), Olivia Hime e Milton Nascimento (‘Voz’). Mas tenho muita coisa inédita.”
Ao abandonar a Faculdade de Arquitetura da UFMG aos 25 anos para se dedicar à música, que até então só fazia informalmente, Santos não cogitou entrar em um curso formal. Autodidata, aprendeu tudo sozinho. As harmonias da música mineira são marcantes em seu violão. A diversidade de gêneros que compõe – valsas, choros, frevos, sambas – vai de encontro à percussão dos ritmos afro-brasileiros, referência primeira. O canto é sempre preciso.

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“(Ser autodidata) É muito mais desafiador, o céu e o inferno ao mesmo tempo. Por um lado, você consegue desenvolver algo que teria menos espaço se tivesse feito um curso formal. Encontra a sua linguagem, a sua maneira de fazer. Por outro lado, posso demorar seis meses para aprender algo que se tivesse tido aula, em três dias faria. Mas esse aprendizado (o que se descobre por conta própria) você não vai esquecer. Há sempre maneiras diferentes de abordar as coisas, e acho que você tem que gerar desafios para si mesmo”, finaliza.

“TODO SAMBA”
- Álbum de Sérgio Santos
- Biscoito Fino
- 13 faixas
- Disponível nas plataformas digitais

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