Música

Ronaldo Coisa Nossa lança o álbum ‘A escalada de nêgo’

Artista repassa sua trajetória musical, com show nesta sexta-feira (8/5) no Bar Opção, reduto do samba que fundou no início da década de 1990, no Caiçara

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Fundador do Bar Opção, lendária casa de samba no bairro Caiçara, inaugurada no início dos anos 1990, Ronaldo Coisa Nossa está, desde o último dia 4, com um novo álbum nas plataformas, “A escalada de nêgo”.

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Compositor compulsivo, ele tem mais de 1.600 letras guardadas em suas gavetas, das quais selecionou oito para o novo trabalho, cujo show de lançamento será nesta sexta-feira (8/5), em seu reduto no Caiçara, com direito à exibição do clipe – na verdade, um curta-metragem – que acompanha a faixa-título.


Entre as músicas de “A escalada de nêgo”, há composições que datam de mais de 10 anos e que já foram gravadas por artistas da cidade – caso da música que batiza o álbum, que ganhou registro na voz de Elzelina Dóris –, e outras bem recentes.


“Escrevo todos os dias. Vou e volto do trabalho de ônibus, porque gosto de ver gente, gosto de povo, gosto do cotidiano, e é sobre isso que eu escrevo”, diz, acrescentando que, como não toca nenhum instrumento, solfeja para os músicos as melodias que tem em mente.


Gravado no Estúdio Solar, o álbum conta com a produção e direção musical de Luiz Enrique. Para realizar este trabalho, foi reunido um time de peso de cantores e instrumentistas de Belo Horizonte, incluindo Manu Dias (no coro), o percussionista Bill Lucas, o pianista Christiano Caldas e o baixista Aloísio Horta, entre outros, que garantem uma sonoridade que une o respeito à tradição com um acabamento técnico refinado. Alguns dos músicos que gravaram no estúdio estarão ao lado de Ronaldo no show de lançamento.


INFLUÊNCIAS DIVERSAS

Ele explica que o título “A escalada de nêgo” diz respeito à sua própria trajetória e ao conhecimento musical que adquiriu ao longo da vida, desde as folias de reis que ouvia na roça em que nasceu, passando pela fase em que se interessou pelo rock e pelo twist, quando, na juventude, se mudou para Belo Horizonte, até o encontro definitivo com o samba, na década de 1960. Hoje com 82 anos, o artista destaca que o novo disco expressa um pouco dessa diversidade.


“Gosto de samba-canção, bolero, bossa nova, balanço, jazz, samba-rock, samba batucado. Tenho muito de tudo isso, todos esses gêneros. Quando a gente vai fazer um disco, faço a seleção de acordo com a proposta, se é um trabalho mais romântico ou se é um repertório mais extrovertido. 'A escalada de nêgo' é meio que um panorama geral”, afirma. Com relação ao show de lançamento, ele adianta que terá um formato um pouco diferenciado do que os frequentadores do Bar Opção estão acostumados.


“Vamos fazer o disco, depois passamos o clipe e sentamos para tomar um 'querosene'. Entre uma música e outra, vou contando histórias da minha vida e de como elas foram feitas. É para as pessoas tomarem conhecimento do que acontece, porque a ideia de 'Escalada de nêgo' é essa, e não simplesmente ir emendando uma música na outra, como num baile”, afirma.


PRIMEIROS PASSOS

Ele pretende rememorar desde quando chegou a Belo Horizonte e foi morar na favela do Buraco Quente, no bairro Lagoinha, bem como de quando, nos anos 1960, foi trabalhar em um ferro-velho na rua Rio Grande do Sul – momento em que, influenciado por nomes como Jair Rodrigues e Jackson do Pandeiro, abraçou o samba.


A partir daí, com a rede de relacionamentos que estabeleceu, participou da fundação de importantes agremiações da cidade, como a Bem-Te-Vi, a Acadêmico das Alterosas e a Unidos Guaranis.


Ronaldo considera que o cenário do samba em Belo Horizonte já foi mais solidário. “Tem muita diferença daquela época para os dias de hoje, quando a gente vê muita vaidade e muito egoísmo por aí, e isso nem tem a ver com qualidade. O cara sabe meia dúzia de notas e já está se achando”, diz, lembrando que também havia mais sutileza dos arranjos.


Ele comenta que o ritmo é parte integrante da música, portanto não pode se sobrepor a ela, como acha que tem acontecido. “O pessoal hoje só quer saber de sentar a mão”, diz.


Com relação ao Bar Opção, Ronaldo conta que, há algum tempo, passou o bastão para o filho, Geovane Silva. Com a chegada da pandemia, se sentiu esgotado. “Precisava tirar aquilo das costas, porque, para fazer uma casa funcionar, é muita coisa. A satisfação que tenho é a clientela, que não dá trabalho. Levei 20 anos para moralizar o ambiente, porque antes era nego chegando sem camisa, nego arrotando e coisas do tipo”, diz, acrescentando que o funcionamento, hoje, é pautado por respeito e diversão.


REGISTROS AUDIOVISUAIS

A vida de Ronaldo Coisa Nossa, membro da Velha Guarda do Samba de BH, conjuga o artista, o agitador cultural, o articulador do carnaval da cidade e o catador de ferro velho. Essas várias frentes de atuação – e sua história de superação – foram registradas no documentário “Coisa nossa” (2012), dirigido por Carlos Canela, da produtora Carabina Filmes. Ele flagra seu personagem falando, às vezes com humor, outras com forte teor político e social, de suas músicas e da dura realidade do pobre e dos negros em uma sociedade discriminatória – algo que testemunha no dia a dia. Canela é quem também responde pela direção do clipe “A escalada de nêgo”, que, de forma mais sintética, foca as histórias de superação que as letras de Ronaldo costumam abordar.

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RONALDO COISA NOSSA
Show de lançamento do álbum e do clipe “A escalada de nêgo”, nesta sexta-feira (8/5), às 19h, no Bar Opção (rua Alabandina, 619, Caiçara). Entrada franca, com retirada de ingressos pela plataforma Sympla.

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