MÚSICA

Violeiro Gustavo Guimarães lança álbum sobre o amor no plural

'Amor de violeiro', já disponível nas plataformas de streaming, fala sobre o amor em diferentes formas: pela cultura, amigos, natureza, romântico e religioso

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O violeiro Gustavo Guimarães fala sobre o amor em seu novo álbum, “Amor de violeiro”. Mas não apenas sobre o amor romântico. Outros amores do artista, que tem quase 20 anos de carreira, estão incluídos no  disco, como a cultura popular, a natureza, os amigos, a devoção, a religiosidade e o amor próprio. 

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“Embora o pessoal pense que o amor romântico esteja fora de moda, eu não acho. Acho que o romantismo é algo que dá sentido à vida também. Quando comecei a gravar o disco, ele iria focar no amor romântico, mas decidi ampliar essa ideia. O ‘Amor de violeiro’ passa por tantos caminhos, decidi pensar sobre isso”, diz o artista.

Ao todo, 14 canções formam a declaração de amor do músico, que nasceu em Diamantina e morou por anos em João Pinheiro. A mudança de cidade ocorreu devido à profissão do pai – trabalhador dos Correios, ele foi transferido de cidade. As raízes no Vale do Jequitinhonha também são uma vertente de amor no disco. 

Na faixa “Diamantina”, Gustavo Guimarães faz uma homenagem ao município. “Diamantina, menina dos olhos de Minas/ Raio de luz que atravessa as minhas retinas/ És o meu chão verdadeiro/ O primeiro amor do meu coração” canta. 

Gustavo Guimarães começou sua trajetória musical na juventude, quando passou a tocar violão incentivado pela família, especialmente pelas irmãs e pela mãe. “Comecei bem autodidata, na minha adolescência. Foi quando nos mudamos para Belo Horizonte que tive maior contato com a viola", conta.

"Eu já convivia com ela no interior, por meio da cultura popular, tinha muita folia de reis e congado em João Pinheiro, então sempre acompanhei de longe. Mas foi em Belo Horizonte que me virei mesmo para o lado da viola”, diz. 

Na capital mineira, o músico passou a tocar com primos em festas de família. “Fizemos até uma bandinha na família uma vez. Mas depois todo mundo foi estudando, se formando, e ninguém mais quis saber da música, só eu continuei, me senti até um pouco traído”, comenta, em tom de brincadeira. 

Guimarães dava aulas de violão para crianças e tinha uma viola em casa. Foi assim que passou também a aprender o instrumento de 10 cordas. Em 2008, lançou o primeiro álbum, “Vaqueiro”. Seguiu com “Viola de todos”, em 2012, e “Canções de São Francisco”, em 2015. 

“Na época do ‘Vaqueiro’, eu já conhecia outros violeiros, como Pereira da Viola, Chico Lobo, Wilson Dias, Bilora e Joaci Ornelas. Então fizemos um grupo, o Viva viola’ e gravamos dois álbuns de voz e viola. Fizemos muitas apresentações em Belo Horizonte, e turnês por algumas cidades históricas de Minas. Foi um trabalho que deu uma repercussão muito boa e, a partir dali, eu firmei na música”, afirma. 

Em “Amor de violeiro”, o músico decidiu homenagear dois poetas que marcaram sua vida: o músico e escritor Paulim Amorim e a poeta Terezinha Alves, tia do violeiro. Os dois já morreram, mas ambos deixaram canções feitas com Guimarães, que estavam guardadas. 

O violeiro as incluiu no novo álbum “Peixim Dourado”, em parceria com Amorim, e “Onde os sonhos não têm fim”, com Terezinha. O título da faixa feita com o escritor é, inclusive, uma referência de Guimarães a a Paulo Amorim. 

“Paulo era um grande amigo meu, ele já compôs para muitos artistas aqui em Minas. Tínhamos essa música engavetada. Mas o Paulo era engraçado, ele não gostava de ser chamado de ‘Paulinho’, tinha que ser ‘Paulim’. Quando fui dar nome à música, coloquei ‘Peixim Dourado’ em homenagem a ele e a forma que cantamos na música.”

“Já a minha tia gostava muito de serestas, de escrever poesias, ela não era cantora. ‘Onde os sonhos não têm fim’ eu encontrei em um dos cadernos de poesia dela. É uma música que fala sobre o amor pelo sertão. É uma pena que ela não chegou a ouvir o resultado.”

“AMOR DE VIOLEIRO”

De Gustavo Guimarães, 14 músicas, disponível nas plataformas de streaming e no YouTube. Lançamento independente. 

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes 

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