Graduanda em jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No jornal Estado de Minas, atuou como estagiária no caderno de cultura entre 2023 e 2024, quando assumiu o cargo de repórter no mesmo caderno.
Vhoor tem a cena belo-horizontina do funk, house, rap e música eletrônica como referência para seu trabalho, que chegou às pistas do mundo crédito: Divulgação/@umcertopontode vista
O mineiro Vhoor vai passar os próximos meses na América do Norte. O DJ e produtor de Venda Nova tem agenda cheia nos Estados Unidos e Canadá. No segundo semestre, segue para a Europa. Hoje, parece mais fácil encontrá-lo no exterior do que em Belo Horizonte, onde ainda mantém residência.
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Um dos grandes difusores da música brasileira fora do país, especialmente aquela vinda da periferia, ele acaba de lançar “De keke”, disco com 11 faixas que transitam pelos vários estilos que conheceu durante suas andanças pelo mundo. Sucessor de “Resenha”, projeto de 2024 ligado ao funk, sobretudo o de BH, o novo trabalho amplia o repertório do artista.
A primeira faixa, “011”, foi também a primeira a nascer. A música surgiu de uma conversa com o produtor Tui, de Curitiba, sobre a cena de música eletrônica na capital do Paraná. “Eu estava tentando fazer vários estilos musicais, várias experimentações… Queria lançar algo que pudesse transicionar entre vários estilos”, diz.
Aos 28 anos, Vhoor colhe os frutos da carreira iniciada em 2017. A virada veio em 2021, com o lançamento do disco “Baile”, parceria com o rapper mineiro FBC. “A gente não tinha essa noção, mas o álbum acabou andando por várias partes do mundo. Quando começou a ser tocado por DJs lá fora, abriu muitas portas”, lembra.
Entre breakbeat, house, “chill baile” e hip-hop instrumental, Vhoor explora as possibilidades de misturar ritmos locais brasileiros com a cena internacional do global bass.
“Cada lugar tem seu jeito diferente de festejar, com uma carga cultural muito rica. Trouxe experiências e técnicas que vi DJs usando lá fora para as minhas músicas”, afirma.
O álbum tem parcerias dele com nomes do funk: MC GW, MC Beatriz, MC RD, MC Vick e MC Pbó. “Comecei a prestar atenção em sets hipnóticos, com poucos elementos, em como eles geram emoção. Foi disso que surgiu o álbum”, conta.
Minimalista
No processo, o produtor incorpora trap e vertentes regionais do funk, como as do Espírito Santo e de Belo Horizonte, com roupagem eletrônica. “A sofisticação que tentei nesse disco é sobre as coisas mais simples. Como fazer música interessante mesmo sendo minimalista, como juntar baile funk com house e fazer as rítmicas encaixarem”, explica.
Lançado na última quarta-feira (8/4), o disco vem sendo bem recebido. “É muito legal ver gente de fora abrindo ouvidos para o meu som. As pessoas me conheciam por trap e funk, agora estão consumindo outras experimentações”, diz.
Vhoor destaca a potência do funk e da música eletrônica na capital mineira. “Em BH, a gente tem uma cena muito forte de artistas surgindo. A formulação da estética do meu trabalho vem de tocar com eles, aprendendo e pegando referências”, afirma, citando DJ Kingdom, D.A.N.V, Bebela Dias e Akila.