A imagem associada a Claudia Leitte, desde que despontou como vocalista da banda Babado Novo, no início dos anos 2000, é a da energia e extroversão do carnaval baiano. A pandemia, no entanto, fez emergir uma outra faceta da artista, introspectiva, que ela expôs no álbum “Intemporal”, lançado em 2024.
Esse trabalho deu origem à turnê homônima, que estreou em setembro de 2025 e chega agora a Belo Horizonte, em única apresentação neste sábado (14/3), no BeFly Minascentro.
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O show tem proposta intimista, com roteiro que inclui sucessos de carreira e músicas de outros compositores, nacionais e internacionais, que ganham novas releituras em formato acústico. O repertório pinça de sua discografia “Bola de sabão”, “Pensando em você”, “Eu fico” e “Pássaros”. Claudia também interpreta, da lavra alheia, “Sozinho”, de Peninha, famosa na voz de Caetano Veloso, “Prefixo de verão”, da Banda Mel, e “Deslizes”, de Fagner, entre outras.
PANDEMIA
“Intemporal” surgiu como forma de superar o momento da pandemia. “Foi um período em que me senti muito densa, tomada por uma tristeza que nunca havia experimentado, sem entender o que era aquilo”, diz.
“Encontrei uma maneira de enfrentar aquela situação, procurei psicólogo, me tratei e busquei na música uma forma de me expressar, de traduzir o que não conseguia discernir nem colocar em palavras, algo que não parecia parte de mim, mas que, depois, entendi que era”, diz.
O show que aterrissa agora em Belo Horizonte é uma troca íntima com o público, convidado a olhar para dentro com mais carinho e gentileza, segundo a artista.
“Essa turnê representa uma fase muito pessoal para mim, mais reflexiva e conectada com a música”, enfatiza.
Claudia diz que sempre gostou de escrever histórias e cantar músicas que, juntas, fazem sentido, como um enredo com início, meio e fim. Por essa razão, a seleção de repertório para “Intemporal” partiu de uma espécie de roteiro que ela criou.
DESENHO
“Fiz, antes de qualquer coisa, um desenho do que seria o show”, explica. “Queria falar das estações da vida, num sentido metafórico; dizer que tudo é cíclico, que tudo passa, que existe o inverno, quando a alma se entristece, e também o luto e a dor, mas que a gente não vai permanecer nesse lugar. Construí o repertório em cima disso.” A imagem que marca a abertura do espetáculo é a do carnaval que finda, analogia que ela faz com a chegada da pandemia.
“O que faço com isso que está dentro de mim e começa a desaparecer? De repente, estamos saindo do verão e entrando em um inverno rigoroso. Fico sozinha no palco, não tenho mais a banda nem o público. Neste momento mais denso, busco a criança que eu fui, um lugar mais seguro de estar, uma maneira de controlar os pensamentos negativos, então canto músicas que marcaram a minha infância. É denso, dói, mas canto sabendo que venci”, ressalta.
Claudia diz que a cada show tem feito pequenas adaptações no roteiro, incluindo canções que se relacionam com a cidade em que se apresenta.
Revela que cantou “Esperando aviões”, do belo-horizontino Vander Lee, no primeiro show da turnê, em São Paulo, e agora, em Belo Horizonte, volta a incluir no repertório a música, que não foi apresentada em outras praças. Outra variante da turnê é a presença de convidados especiais, artistas representantes da cena de cada cidade por onde passa.
“Já fiz a listinha de uma galera em que me amarro em Belo Horizonte”, diz ela, sem revelar nomes.
“Chamo não só cantores, mas instrumentistas e artistas locais. Quero que essa galera apareça, quero estar perto de gente nova”, completa.
A propósito, quando se pensa em um show intimista, vêm à mente formações mais enxutas. Mas não é o caso de “Intemporal”
Ela divide seu palco com banda base, percussionistas e naipe de sopros. “É um acústico encorpado”, diz.
“INTEMPORAL”
Show de Claudia Leitte, neste sábado (14/3), às 21h, no BeFly Minascentro (av. Augusto de Lima, 785, Centro). Ingressos para o setor 1 a R$ 260 (inteira), R$ 130 (meia) e R$ 150 (social, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível); setor 2 a R$ 200 (inteira), R$ 100 (meia) e R$ 120 (social); e setor superior a R$ 140 (inteira), R$ 70 (meia) e R$ 90 (social), à venda na bilheteria do BeFly Hall (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi) ou na plataforma Sympla.
Outros eventos
>>> TRIBUTO A RITA LEE
O teatro de câmara do Cine Theatro Brasil (av. Amazonas, 315, Centro) abriga, nesta sexta-feira (13/3), o espetáculo “Rita Lee, um belo dia resolvi mudar – Um tributo”, idealizado pelo cantor Cadu Andrade. Conduzido pelo piano de Murilo Barbosa e por um elenco de 13 cantores. Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) e podem ser adquiridos pelo site Eventim ou na bilheteria do Teatro.
>>> MÚSICA GEEK
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Reconhecido como o maior nome da música geek e pioneiro do gênero no Brasil, o grupo 7 Minutoz se apresenta neste sábado (14/3), às 19h, no BeFly Hall (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). A banda acumula mais de 5 bilhões de reproduções de suas faixas. Os ingressos, que têm preços variando entre R$ 110 e R$ 200, podem ser adquiridos na bilheteria do BeFly Hall ou pela plataforma Sympla.
