A última segunda-feira (2/3) representou um capítulo triste na história do samba de Belo Horizonte, com a morte da cantora e compositora Adriana Araújo, aos 49 anos. “Não tem nem como a gente falar que está bem. Estamos ainda muito abalados”, diz a sambista Fran Januário, uma das principais representantes do gênero na capital mineira.


No entanto, como diz a canção, “iremos achar o tom / Um acorde com lindo som / E fazer com que fique bom / Outra vez o nosso cantar”, afinal, “O show tem que continuar”.


É por isso que as apresentações do “Rua do Samba Therê” estão mantidas para este sábado (7/3), a partir das 10h, na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza. Ao longo de 12 horas de programação, haverá shows de, entre outros, Dona Eliza, Manu Dias, Júlia Rocha, Thamiris Cunha e a já citada Fran Januário, que também assina a curadoria do evento.


“Existe um bastidor dentro do samba, principalmente entre as mulheres, que é muito forte. É uma amizade, uma coisa que vai além do palco”, diz ela, referindo-se tanto a Adriana Araújo quanto às colegas que estão no line-up do evento.


“O samba de Minas tem uma singularidade muito forte, que é a hospitalidade, algo típico dos mineiros, sobretudo os do interior. Diferentemente do samba feito no Rio de Janeiro, em São Paulo ou Salvador, aqui ele traz muito essa questão do acolhimento. É um negócio diferente, difícil de explicar”, afirma.


HOMENAGEM

Fran vai fechar a programação. No palco, ela convida a mineira radicada no Rio de Janeiro Marcelle Mota para interpretar canções autorais e sucessos de Elza Soares, Alcione, Jorge Aragão, Xande de Pilares e Diogo Nogueira. Também prestará homenagem a Adriana Araújo, com sambas da artista incluídos no repertório.


A programação começa com a apresentação da DJ Camis, que levará ao palco da Praça Duque de Caxias sambas instrumentais e clássicos da cultura negra. Na sequência, DJ Black Josie emenda um setlist com música preta brasileira.


A roda de samba será aberta às 11h por Thamiris Cunha. Cada sambista conduzirá a roda por quase duas horas. Assim, a partir das 12h45, Dona Eliza dará início ao seu “Samba de Madrinha”.


Representante da velha guarda do samba de Belo Horizonte, Dona Eliza, aos 78 anos, acumula cerca de 700 músicas registradas, algumas delas compostas quando tinha 22 anos.


PRESENÇA ANCESTRAL

“Ela é a nossa madrinha do samba”, destaca Fran. “Vai conduzir a roda em determinado momento, abrindo os caminhos para a gente chegar com essa presença feminina forte e ancestral que ela e tantas outras sambistas trazem”, acrescenta. “Preparamos um repertório muito bem pensado nesse lugar da mulher na música, para combater o machismo e a opressão, ao mesmo tempo em que mostramos todo o nosso amor e alegria”, complementa.


A roda segue girando com Manu Dias, que sobe ao palco às 14h30 para apresentar o “Samba da negra valente”. Em seguida, Júlia Rocha interpreta repertório autoral e clássicos do samba, ao lado de Aline Calixto. Raquel Moreira assume o palco com releituras de sambas-canções e pagodes. Por fim, Fran Januário encerra os shows das sambistas.


“Samba é vivência. É uma coisa de família, construção coletiva, algo muito maior do que a gente. É um momento de cura, de mudança, de transformação e de energia. Tudo acontece dentro da roda de samba. E, para nós que estamos ali cantando e vivenciando tudo aquilo junto com as pessoas, essa energia é sentida de maneira muito forte”, comenta Fran.


PROGRAME-SE

10h – DJ Camis e DJ Black Josie


11h – Thamiris Cunha e banda convida Alessandra Crispin


12h45 – Dona Eliza convida Marina Gomes


14h30 – Manu Dias


16h15 – Júlia Rocha convida Aline Calixto


18h – Raquel Moreira


20h – Fran Januário e Marcelle Mota

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RUA DO SAMBA THERÊ
Apresentações de sambistas mineiras e convidadas. Neste sábado (7/3), das 10h às 22h, na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza. Entrada franca.

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