MÚSICA POP

U2 lança EP após sete anos e busca voltar à velha forma

'Days of ash', com seis faixas, remete à politizada "Sunday, bloody sunday", com críticas a Trump, à perseguição aos imigrantes e à violência no planeta

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“O poder do povo é muito mais forte do que as pessoas no poder”, canta Bono Vox na primeira faixa do EP surpresa do U2, lançado na quarta-feira (18/2), batizado “Days of ash” (Island Records). Assim como no famoso discurso de Charles Chaplin no filme “O grande ditador”, a banda irlandesa utiliza a arte como espaço de manifestação política e de repúdio à injustiça social. 

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O tom das seis faixas se assemelha ao de “War” (1983), um dos maiores clássicos da banda, tanto pela voz de Bono quanto por letras carregadas de críticas.

Há quem diga que os irlandeses do U2 perderam a importância de antes. Com o novo EP, o grupo parece querer retomar a relevância da era de “Sunday bloody sunday”. Lançada em 1983, esta música de protesto relembrou o massacre de manifestantes desarmados por tropas britânicas, em 1972, na Irlanda do Norte.

“Days of ash” é o primeiro lançamento da banda desde 2017. Conectado ao mundo contemporâneo, há críticas ao ICE, a Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, assim como ao regime totalitário iraniano e ao conflito entre Israel e Palestina. As canções soam como a retomada do U2 como banda que se posiciona politicamente. 

Na faixa “American obituary”, o grupo homenageia Renee Nicole Good, morta em janeiro, aos 37 anos, em Minneapolis (EUA), durante protesto contra a ação violenta do ICE, departamento de imigração dos Estados Unidos. 

Mãe de três filhos, a ativista dos direitos dos imigrantes foi chamada de “terrorista doméstica” por Donald Trump. 

“Renee Good nasceu para morrer livre/ Mãe americana de três/ Sétimo dia de janeiro/ Uma bala para cada filho, você vê”, canta Bono em meio à melodia roqueira marcante. 

Em “The tears of things”, o grande destaque é, novamente, a voz de Bono. A letra imagina um diálogo entre David e Michelangelo, como se a escultura questionasse seu criador. Com até Mussolini citado, a faixa pode ser interpretada como crítica ao fanatismo religioso e a suas consequências nefastas.

A faixa “Song of the future” homenageia Sarina Esmailzadeh, que foi morta aos 16 anos, em 2022, pelas forças de segurança do Irã. “Sarina, Sarina/ Ela é a música do futuro/ Tocando na minha mente”, diz a canção. 

A quarta faixa, “Wildpeace”, difere das outras. Esse interlúdio é um poema lido pela cantora Adeola, com melodia produzida por Jacknife Lee.

“One life at a time”, dedicada ao professor palestino Awdah Hathaleen, morto por um israelense na Cisjordânia em 2025, diz: “O que você tem depende do que você possui/ O que você compra depende do que está sendo vendido/ Como você tem esperança depende do que você sonha/ O que você imagina é seu destino.” 

Ed Sheeran e Taras Topolia

O disco se encerra com a participação de Ed Sheeran e do cantor ucraniano Taras Topolia na faixa “Yours eternally”. Topolia faz parte da banda Antylita e lutou na guerra contra a Rússia. A canção narra o sonho de liberdade dos ucranianos. 

“Não durma, nem pense nisso/ Não precisa, talvez um pouquinho/ Ainda sonhe sobre acordar livre/ Como podemos ser”, diz a letra. 

No Instagram, Bono afirmou que “todas as canções são sobre o momento em que gostaríamos de não estar, mas estamos.” O baixista Adam Clayton disse que está aprendendo uma lição: “Tolerância, liberdade e a escolha de não julgar.” 

Já o baterista Larry Mullen Jr. afirmou acreditar que as novas músicas estão entre as melhores do grupo. “Quem precisa ouvir uma nova gravação nossa? Só depende de estarmos fazendo músicas que merecem ser ouvidas”, comentou.

Sombras de quatro homens à frente de desenhos de anjos em detalhe da capa de Days of ash, ep da banda U2
Reprodução


“DAYS OF ASH”


• EP do U2
• Seis faixas
• Island Records
• Disponível nas plataformas de streaming e no YouTube

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

Tópicos relacionados:

cultura donald-trump musica trump u2

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