MÚSICA

BH quer fazer, neste fim de semana, a roda de samba mais longa do mundo

Com Leci Brandão, 12 grupos de Belo Horizonte, uma dezena de convidados e mais de 24 horas ininterruptas de música, evento no CentoeQuatro terá entrada franca

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O Espaço CentoeQuatro será palco da roda de samba que tem o propósito de ser a mais duradoura de que se tem notícia, com 24 horas ininterruptas. Idealizado pelo músico Matheus Brant, o evento “Pagode que não acaba” vai contar com 12 grupos de Belo Horizonte, revezando-se das 17h de sábado (21/2) até as cinco da tarde de domingo (22/2). Às 18h, show de Leci Brandão coloca o ponto final na maratona. 

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O embrião da empreitada remonta a 2024, quando, numa roda de pagode, Matheus conversava com um amigo sobre recordes. “Pensei: por que não fazer a roda de pagode mais longa do mundo? Foi assim que surgiu a ideia”, conta. Ele inscreveu o projeto no edital da Virada Cultural de Belo Horizonte daquele ano, sem sucesso. “Conseguimos, agora, aprovar na Lei Estadual de Incentivo à Cultura”, explica Brant.

Resenha do Edgard, Samba da Meia-Noite, Feijoada Completa, Tradicionalmente, Sassarica, Simplicidade, Samba da Roda de Saia, Samba do Arco, Samba da Madrinha, Bigode, A Firma e Afobei, do qual Matheus Brant é integrante, são os grupos incluídos na programação. Cada um terá duas horas para se apresentar, mas a proposta é que o revezamento seja fluido, de forma que o público tenha a sensação de estar na mesma roda. 

“O combinado entre as 12 bandas é que os músicos de uma substituam os de outra gradualmente, até que a formação se complete, de forma que a roda não pare. Só ao final das 24 horas teremos intervalo para a montagem do palco de Leci Brandão, que se apresenta a partir das 18h do domingo”, explica Matheus. Cada grupo vai contar com cantoras e cantores convidados. Adriana Araújo, Gisele Couto, Fernando Bento, Raquel Moreira, Janamô, Ronaldo Coisa Nossa e Dona Eliza são alguns desses nomes. 

“Tentamos fazer um leque representativo do samba e do pagode de Belo Horizonte na última década, prestando homenagem a figuras emblemáticas que estão aí há mais tempo, como é o caso do Ronaldo Coisa Nossa e da Dona Eliza”, diz Brant.

 Sambista Dona Eliza segura o microfone e canta durante show
Dona Eliza, talento da velha guarda do samba na capital mineira, vai ganhar homenagem no CentoeQuatro, na Praça da Estação Cissa Otoni/divulgação

As cariocas Juliana Diniz, filha de Mauro Diniz, e Andressa Hayalla também vão marcar presença, informa. As duas participaram de faixa do álbum mais recente do mineiro, “Eu, você, nós três” (2024). 

Todos os 12 grupos são residentes em casas de samba e pagode tradicionais de BH, como Três Pretos Bar, Simplicidade e Bar do Cacá. “Como a ideia é virar a noite e seguir com a roda no domingo, chamamos o Samba da Meia-Noite e o Samba da Madrugada, que se apresentam tradicionalmente nesses horários”, pontua.

Sambista Ronaldo Coisa Nossa usa chapéu de palha e olha para a câmera durante show
Ronaldo Coisa Nossa será homenageado na maior roda de samba de BH, neste fim de semana Maria Tereza Correia/EM/D.A Press

Houve a preocupação de a roda não ser exclusivamente masculina, por isso o convite ao Samba da Roda da Saia, que tem só mulheres. “Todos os grupos vão contar com participações de cantoras”, salienta Brant. A escolha do repertório ficou a cargo de cada participante. “Não demos nenhuma orientação nem impusemos nenhuma restrição, para tornar tudo mais orgânico e natural”, diz. 

Não houve nem conversa prévia para evitar que a mesma música seja tocada repetidas vezes. “Isso vai acontecer, certamente. Há essa discussão sobre a linha tênue entre o samba e o pagode. O que a gente percebe, pelo que os grupos têm nos passado, é a prevalência dos repertórios de representantes do pagode tradicional, como Fundo de Quintal, Arlindo Cruz e Jorge Aragão, que se confunde mais com o samba”, ressalta.

Cantora Adriana Araújo segura o microfone e usa vestido verde decotado durante show ao ar livre em BH
Adriana Araújo, destaque da cena contemporânea do samba em BH, participará da roda no CentoeQuatro Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Além da roda e do show de Leci Brandão, o evento oferece oficinas no domingo (22/2), a partir de 11h, na Rua da Bahia, ao lado do CentroeQuatro.

“Era um desejo nosso, desde o início, fazer a roda na rua também, mas não conseguimos liberação por parte da prefeitura. Mas nesse quarteirão, que estará fechado, teremos barracas de alimentação, banheiros e oficinas, uma delas sobre como montar roda de samba e pagode”, informa Matheus Brant.

Sem Guinness

Brant informa que procurou o “Guinness Book” para registrar a proeza em Belo Horizonte. Foi informado pelos responsáveis de que não há registro, no famoso “livro de recordes”, de duração de roda de samba e pagode. Portanto, não havia recorde a ser quebrado, mas a categoria seria criada para que o evento pudesse ser certificado. 

“Criaram mesmo a categoria e chegaram a me enviar as regras. Uma delas diz que a repetição de músicas só pode acontecer com intervalo de quatro horas. Para ser certificado, tem-se de pagar um valor absurdo, US$ 26 mil. Então, não estamos concorrendo a um lugar no Guinness”, explica o músico e produtor.

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PAGODE QUE NÃO ACABA

Com 12 grupos de samba de Belo Horizonte e convidados. Das 17h de sábado (21/2) até as 17h de domingo (22/2). Show de encerramento com Leci Brandão, às 18h. Espaço CentoeQuatro (Praça Rui Barbosa, 104, Centro). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Sympla.

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