Wagner Moura faz alerta nos EUA: ‘Vocês nunca viveram uma ditadura’
Em entrevista à Variety, ator brasileiro indicado ao Oscar avaliou a política brasileira e a norte-americana. Ele afirmou que a polarização ameaça a democracia
Wagner Moura refletiu sobre democracia e autoritarismo em nova entrevista - (crédito: Blanca CRUZ / AFP)
crédito: Blanca CRUZ / AFP
Indicado ao Oscar de Melhor Ator por “O agente secreto”, Wagner Moura vive um dos momentos de maior destaque em sua carreira internacional – e também um dos mais politizados. Em entrevista à revista norte-america Variety, o ator brasileiro refletiu sobre democracia, polarização, autoritarismo e o papel dos artistas em tempos de crise, conectando sua trajetória pessoal, o cinema e o cenário político global.
“O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator (Wagner Moura). Para o ator baiano, o projeto nasceu de uma urgência coletiva. “Este filme nasceu de como eu e [o diretor] Kleber [Mendonça Filho] nos sentíamos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. De como nos sentíamos em relação aos nossos papéis como artistas”, afirmou, referindo-se à gestão Bolsonaro (2019-2022).
Ao comentar o avanço de discursos autoritários, o ator foi direto ao falar sobre os riscos enfrentados hoje nos Estados Unidos. “Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Vocês não sabem o que é isso, como se sente ou o quão ruim é”, afirmou.
Moura destacou que a erosão democrática não acontece de forma abrupta. “Acontece aos poucos. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas tomam conta”, alertou.
A reportagem trouxe um pouco do histórico de Wagner, baiano de Salvador, criado em Rodelas, e filho de militar. A revista ainda lembra que Moura cursou jornalismo inspirado por nomes como Carl Bernstein e Bob Woodward, responsáveis pela revelação do caso Watergate, com o desejo de investigar corrupção nos altos escalões do poder. “Eu esperava que um dia também pudesse investigar a corrupção”, relembrou o ator.
Mesmo vivendo um momento de glória na carreira, o ator reforça que a realidade fora das telas é o que mais o preocupa. “A vida real é o que acontece quando as câmeras param de gravar e quando as democracias e a humanidade são verdadeiramente testadas”, afirmou.
Na entrevista, Moura comparou a reação do Brasil e dos Estados Unidos diante de ameaças institucionais. Segundo ele, os brasileiros responderam de forma mais firme à tentativa de ruptura democrática.
“O Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se mexe com a democracia. Nós prendemos pessoas. Bolsonaro está preso”, disse.
Para o ator, nos EUA há uma sensação de teste constante dos limites, citando casos recentes de violência institucional do governo Trump. “Se não houver reação, o que acontece? Sinto que as instituições não estão respondendo com a firmeza necessária”, observou.
“O que mais me preocupa na humanidade hoje em dia é que não existem mais fatos. Os fatos não importam mais. Hoje se trata de versões da verdade”, afirmou. Moura criticou o impacto dos algoritmos e da desinformação, que criam universos paralelos. “Como você pode conversar com alguém que não vive na mesma realidade que você?”, questionou.
Ao falar do Brasil, ele lembrou que o autoritarismo histórico não se sustentou apenas pelos militares. “A ditadura não era algo que apenas os militares faziam; era apoiada por uma grande parte da população”, afirmou. Para ele, figuras como Jair Bolsonaro não surgem do nada, mas refletem contradições profundas do país — assim como Donald Trump reflete os Estados Unidos.
Ele lembrou ainda como a extrema direita costuma transformar artistas em inimigos públicos, especialmente em países onde a cultura depende de financiamento estatal. Apesar do diagnóstico duro, Wagner Moura demonstrou uma esperança cautelosa.
“Espero que reconstruamos as pontes entre nós. A polarização é a maior ameaça à democracia”, afirmou. Para ele, muitas pessoas não são más, apenas mal informadas. “A tecnologia ajuda a ciência, mas destrói a vida cívica. A verdade parece ter desaparecido. Espero que encontremos um caminho de volta”, disse.
Farol de Aveiro, Portugal - Construído entre 1885 e 1893, foi reformado em 1929. É feito de pedra e fica 66 metros acima do nível do mar. É o maior farol de Portugal. E aí, conhecia algum desses?
Jesusius pixabay
Farol de Tourlitis, Grécia - Construído em 1897, fica na costa de Chora, capital da ilha de Andros. O farol foi bombardeado na Segunda Guerra Mundial e, em 1994, foi restaurado.
Reprodução do Youtube Canal Dona-Pier Trépanier
Farol de Enoshima, Japão - Inaugurado em 2003 na Ilha de Enoshima para celebrar o 100º aniversário da companhia elétrica da cidade. Com 40m de altura, tem vista panorâmica do monte Fuji, da Península de Izu, das montanhas de Tanzawa e Hakone, da Península de Miura.
divulgação Japan Travel Mate
Farol de Fanad, Irlanda - Construído em em 1818 na beirada de um penhasco, a pedido de moradores após um naufrágio no local em que todos morreram. Dizem que a área é mal assombrada..
Foto Free do site pxhere.com/en Nenhuma atribuição necessária
Peggys Point Lighthouse, Canadá - Construído em 1915, fica em uma das entradas da baía de St. Margaret, na província de Nova Escócia.
Pat O'Malley - Flickr
Torre de Hércules, Espanha - Também conhecida como Farol de Brigantium, é o mais antigo em atividade no mundo (construído entre os séculos 1 e 2 d.C). Já passou por reformas e adaptações. Boa parte não é inteiramente original. Desde 2009, é Patrimônio Mundial da UNESCO.
Foto Free de Jose Luis Cernadas Iglesias do site pxhere.com
St. Joseph Lighthouse, Estados Unidos - Fica no Lago Michigan e chama atenção pelas formações de gelo que cobrem parte da estrutura da torre por causa das ondas que batem nas épocas geladas.
reprodução Joshua Nowicki/Facebook
Farol de Lindau, Alemanha - Fica no lago Lindau, na cidade homônima, fronteira da Alemanha com Áustria e Suíça. Construído em 1856, em frente à estátua de Leão Bávaro, esculpida em mármore para saudar os viajantes que chegavam. Sua torre de 33m de altura tem grande relógio.
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Farol de Cape Otway, Austrália - Fica no encontro do Estreito de Bass com o Oceano Antártico, no estado de Victoria, na Great Ocean Road. Faz parte do Parque Nacional Great Otway. Construído em 1848, é o mais antigo da Austrália
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Farol de Neist Point, Escócia - Fica na Ilha de Skye, maior do arquipélago das Hébridas. Construído em 1900, situa-se à beira de gigantescas falésias.
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Kiz Kulesi, Turquia - Fica em Istambul e foi construído em 408 a.C, com o objetivo de controlar os navios persas entre o lado ocidental e oposto.
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No Carnaval, o Farol da Barra foi cenário de uma folia de rua vibrante que ganhou fama mundial. Ela se repete todos os anos.
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Farol da Barra, Salvador (BA) - Um dos mais bonitos e significativos do mundo. Construído em 1698 , é o mais antigo do Brasil. Servia para orientar os comandantes das embarcações que chegavam à baía de Todos os Santos levando açúcar e outras especiarias para a Europa.
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Geralmente, eles são tão atraentes que se tornam ponto de visitação de turistas. Veja alguns dos mais espetaculares faróis do mundo.
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Mas falemos sobre faróis. Eles, aliás, são estruturas fundamentais para a proteção de navegantes. Eles servem de guia para a aproximação da costa.
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O farol, nesse contexto, ganha um significado simbólico. Assim como essas construções orientam navegantes, o espaço em Salvador representa um ponto de retorno e identidade para o ator, conectando a vida internacional em Los Angeles às raízes baianas que continuam presentes.
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Em Salvador, cidade onde nasceu, Wagner mantém uma casa próxima ao mar, em uma região marcada pela presença de um farol, um dos símbolos mais fortes da paisagem local. O imóvel funciona como refúgio quando retorna ao país, longe do ritmo acelerado das grandes produções.
Divulgação/CCBB
Embora Wagner Moura tenha se estabelecido em Los Angeles nos últimos anos, por causa da carreira internacional, o ator nunca rompeu totalmente com suas origens. A rotina nos Estados Unidos convive com referências afetivas e culturais que seguem ligadas à Bahia.
Divulgac?a?o/Cibelle Levi