O filme brasileiro “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, foi indicado ao Bafta, principal premiação do cinema do Reino Unido, em duas categorias: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Roteiro Original. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (27/1), durante cerimônia realizada na Inglaterra e transmitida pelo YouTube. 

A indicação reacende uma pergunta recorrente na temporada de premiações: o Bafta funciona como um termômetro confiável para o Oscar? A resposta, segundo especialistas e o histórico recente das premiações, é mais complexa do que parece.

Neste ano, o filme mais indicado ao Bafta é “Uma batalha após a outra”, com 14 nomeações, seguido por “Pecadores”, que recebeu 13 indicações e desponta como um dos favoritos da temporada. A cerimônia de entrega dos prêmios acontece no dia 22 de fevereiro, com transmissão no Brasil pela TNT e pela HBO Max.

Além de “O agente secreto”, outros brasileiros também aparecem entre os indicados. Adolpho Veloso concorre pela fotografia de “Sonhos de trem”, enquanto Petra Costa disputa o prêmio de Melhor Documentário com “Apocalipse nos trópicos”.

Convergências e limites

Apesar da relevância internacional, ser indicado ou premiado pelo Bafta não garante bom desempenho no Oscar. As duas premiações possuem corpos de votantes distintos e critérios que nem sempre convergem. O Bafta é tradicionalmente considerado mais eurocêntrico e fechado, sem o mesmo processo de internacionalização adotado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.

Embora haja votantes britânicos no Oscar, eles representam apenas uma parcela específica do colégio eleitoral e não refletem a totalidade da Academia americana. Por isso, o Bafta é visto mais como um indício, e não como um termômetro definitivo.

O histórico recente ilustra bem essa diferença. Na temporada passada, “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, garantiu ao Brasil seu primeiro Oscar, mas teve desempenho discreto no Bafta, onde perdeu o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira para “Emilia Pérez”. O inverso também já aconteceu: em 1999, “Central do Brasil” venceu o Bafta, mas não repetiu o feito no Oscar. Em 2004, “Cidade de Deus” levou o Bafta de Melhor Edição, com Daniel Rezende, mas saiu sem estatuetas da premiação americana.

Ainda assim, a relação entre as duas academias tem mostrado maior convergência nos últimos anos. Entre 1995 e 2025, Bafta e Oscar escolheram o mesmo vencedor na categoria de filme internacional em 13 ocasiões, cerca de 43% de coincidência. De 2019 a 2024, essa convergência foi ainda maior, com seis vitórias consecutivas iguais.

Desde 1961 — quando usou o tapete vermelho pela primeira vez —, o Oscar ajudou a transformar objeto em um espetáculo à parte, com transmissões televisivas focadas nos figurinos, entrevistas e chegada dos artistas. " width="720" height="480">

Desde 1961 — quando usou o tapete vermelho pela primeira vez —, o Oscar ajudou a transformar objeto em um espetáculo à parte, com transmissões televisivas focadas nos figurinos, entrevistas e chegada dos artistas.

Reprodução/YouTube
A ligação direta com o entretenimento começou em 1922, quando um tapete vermelho foi usado na estreia do filme “Robin Hood”, no Egyptian Theatre, em Hollywood, para guiar as estrelas até seus assentos. " width="720" height="480">

A ligação direta com o entretenimento começou em 1922, quando um tapete vermelho foi usado na estreia do filme “Robin Hood”, no Egyptian Theatre, em Hollywood, para guiar as estrelas até seus assentos.

Freepik/rawpixel.com
Nos Estados Unidos, há registros do uso do tapete vermelho já no século 19, especialmente em recepções oficiais e eventos políticos. " width="720" height="480">

Nos Estados Unidos, há registros do uso do tapete vermelho já no século 19, especialmente em recepções oficiais e eventos políticos.

Flickr - G20 Argentina
Na Europa medieval e moderna, tapetes vermelhos eram estendidos para receber monarcas, líderes religiosos e chefes de Estado, reforçando a ideia de que aquela pessoa era especial e digna de honra.
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Na Europa medieval e moderna, tapetes vermelhos eram estendidos para receber monarcas, líderes religiosos e chefes de Estado, reforçando a ideia de que aquela pessoa era especial e digna de honra.

Achim Scholty/Pixabay
Séculos depois, o simbolismo continuou a ser usado em cerimônias reais e diplomáticas. " width="720" height="480">

Séculos depois, o simbolismo continuou a ser usado em cerimônias reais e diplomáticas.

Moshe Harosh/Pixabay
A cor, rara e cara, era associada à nobreza e aos deuses, e caminhar sobre ela significava status elevado. " width="720" height="480">

A cor, rara e cara, era associada à nobreza e aos deuses, e caminhar sobre ela significava status elevado.

Setu Chhaya/Unsplash
No texto, o rei Agamemnon retorna vitorioso da Guerra de Troia. Sua esposa, Clitemnestra, ordena que um caminho carmesim (vermelho escuro) seja estendido para ele. " width="720" height="480">

No texto, o rei Agamemnon retorna vitorioso da Guerra de Troia. Sua esposa, Clitemnestra, ordena que um caminho carmesim (vermelho escuro) seja estendido para ele.

Sandra Filipe/Unsplash
A primeira menção histórica a um tapete vermelho aparece na literatura da Grécia Antiga, especificamente na peça Agamemnon (458 a.C.), de Ésquilo. " width="720" height="480">

A primeira menção histórica a um tapete vermelho aparece na literatura da Grécia Antiga, especificamente na peça Agamemnon (458 a.C.), de Ésquilo.

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Muito antes de se tornar um elemento do glamour de Hollywood, o tapete vermelho nas premiações tem uma origem antiga e simbólica, ligada à ideia de honra e poder.
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Muito antes de se tornar um elemento do glamour de Hollywood, o tapete vermelho nas premiações tem uma origem antiga e simbólica, ligada à ideia de honra e poder.

Flickr - Steve Collis
Um dos grandes destaques em premiações como o Globo de Ouro, o tapete vermelho é sempre um momento que desperta atenção da audiência. Mas você sabe como surgiu essa tradição? Veja a seguir! " width="720" height="486">

Um dos grandes destaques em premiações como o Globo de Ouro, o tapete vermelho é sempre um momento que desperta atenção da audiência. Mas você sabe como surgiu essa tradição? Veja a seguir!

Reprodução
Entre os filmes, “Uma Batalha Após a Outra” também se destacou, vencendo quatro categorias, entre elas Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Direção para Paul Thomas Anderson. " width="720" height="486">

Entre os filmes, “Uma Batalha Após a Outra” também se destacou, vencendo quatro categorias, entre elas Melhor Filme de Comédia ou Musical e Melhor Direção para Paul Thomas Anderson.

Divulgação/Warner Bros. Pictures
Destaque para Owen Cooper, de 16 anos, que se tornou o mais jovem vencedor da categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Televisão. " width="720" height="486">

Destaque para Owen Cooper, de 16 anos, que se tornou o mais jovem vencedor da categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Televisão.

Reprodução
Nas categorias de TV, a série “Adolescência” foi a mais premiada da noite, levando quatro troféus, incluindo Melhor Série Limitada. " width="720" height="480">

Nas categorias de TV, a série “Adolescência” foi a mais premiada da noite, levando quatro troféus, incluindo Melhor Série Limitada.

Divulgação
Ao receber o troféu de Melhor Ator, Wagner Moura fez um discurso emocionado, agradeceu aos colegas indicados e ao diretor. Ele ainda encerrou falando em português, exaltando o Brasil e a cultura brasileira.
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Ao receber o troféu de Melhor Ator, Wagner Moura fez um discurso emocionado, agradeceu aos colegas indicados e ao diretor. Ele ainda encerrou falando em português, exaltando o Brasil e a cultura brasileira.

Reprodução/TV Globo
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto” marcou o retorno do Brasil à lista de vencedores do Globo de Ouro após 27 anos, desde o triunfo de “Central do Brasil”. " width="720" height="480">

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto” marcou o retorno do Brasil à lista de vencedores do Globo de Ouro após 27 anos, desde o triunfo de “Central do Brasil”.

Divulgação
O longa também concorreu a Melhor Filme de Drama, mas o prêmio ficou com “Hamnet”, adaptação do livro de Maggie O’Farrell que narra a história do filho de William Shakespeare e o amor que inspirou a criação de “Hamlet”. " width="720" height="501">

O longa também concorreu a Melhor Filme de Drama, mas o prêmio ficou com “Hamnet”, adaptação do livro de Maggie O’Farrell que narra a história do filho de William Shakespeare e o amor que inspirou a criação de “Hamlet”.

Divulgac?a?o/Agata Grzybowska/Focus Features
A produção conquistou dois prêmios: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e — pela 1ª vez na história — Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. " width="720" height="480">

A produção conquistou dois prêmios: Melhor Filme de Língua Não Inglesa e — pela 1ª vez na história — Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura.

Divulgação
O filme brasileiro, inclusive, foi um dos grandes destaques do Globo de Ouro 2026, realizado no dia 12 de janeiro, em Los Angeles. " width="720" height="480">

O filme brasileiro, inclusive, foi um dos grandes destaques do Globo de Ouro 2026, realizado no dia 12 de janeiro, em Los Angeles.

Divulgac?a?o/Globo
A presença de O Agente Secreto em categorias de destaque reforça a projeção internacional do cinema brasileiro nesta edição da premiação. Wagner Moura compete com nomes como Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio na disputa por Melhor Ator.
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A presença de O Agente Secreto em categorias de destaque reforça a projeção internacional do cinema brasileiro nesta edição da premiação. Wagner Moura compete com nomes como Timothée Chalamet e Leonardo DiCaprio na disputa por Melhor Ator.

Divulgac?a?o/Cibelle Levi
O filme brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. A obra também está entre os indicados a Melhor Elenco na nova categoria e a Wagner Moura foi indicado a Melhor Ator pela atuação central no longa. " width="631" height="856">

O filme brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. A obra também está entre os indicados a Melhor Elenco na nova categoria e a Wagner Moura foi indicado a Melhor Ator pela atuação central no longa.

Divulgação

O peso estratégico da indicação

Mais do que um reconhecimento europeu, o Bafta funciona como um dos termômetros mais relevantes da temporada internacional, especialmente para produções que buscam consolidar espaço na corrida pelo Oscar. É nesse contexto que O Agente Secreto se destaca.

Nos Estados Unidos, o longa já garantiu quatro indicações ao Oscar 2026: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Escalação de Elenco. Um bom desempenho no Bafta pode ampliar a visibilidade do filme e fortalecer sua campanha junto aos votantes da Academia.

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O processo de escolha dos vencedores do Bafta ocorre em três etapas: primeiro, um júri especializado define as pré-listas; depois, os membros da Academia Britânica votam para escolher os indicados finais; por fim, uma nova votação decide os premiados.

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