Depois de fazer história no Globo de Ouro 2026, na madrugada desta segunda-feira (12/1), Wagner Moura reforçou a importância do cinema para a memória histórica no Brasil. O ator, que venceu como Melhor Ator em Filme de Drama por “O Agente Secreto”, falou abertamente sobre a ditadura militar e citou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar o tema.

Questionado sobre como a indústria internacional enxerga as produções brasileiras que abordam o período autoritário, Wagner foi direto ao afirmar que o assunto segue atual. “Temos que continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira”, declarou.

Para o ator, os impactos do regime militar não ficaram restritos ao passado. “Aconteceu há apenas 50 anos. De 2018 a 2022, tivemos um presidente de extrema-direita, fascista, no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, disse, ao relacionar o período histórico ao mandato de Jair Bolsonaro.

Segundo Wagner Moura, essa permanência explica por que narrativas como “O Agente Secreto” seguem sendo necessárias. “A ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro. Por isso, temos que continuar fazendo filmes sobre isso”, reforçou.

Ao receber o prêmio, Wagner destacou o tema central do filme.  “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, afirmou.

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Mais cedo, na passagem pelo tapete vermelho, o ator destacou que a atuação artística está diretamente ligada ao posicionamento político que assume publicamente. “Sou uma pessoa muito política, penso politicamente, gosto de fazer filmes políticos. ‘O Agente Secreto’ é um deles. Seria estranho para mim trabalhar como artista político e depois me esquivar de dizer o que penso”, destacou.

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