Em 20 de janeiro de 1996, três jovens voltavam do trabalho em Varginha, no Sul de Minas, quando viram uma criatura estranha num terreno baldio entre os bairros Jardim Andere e Santana. O episódio repercutiu rapidamente pelo país e ficou conhecido como o “caso do ET de Varginha”.
O inquérito investigativo realizado à época constatou que não se tratava de extraterrestre, mas do rapaz com transtornos mentais que andava pela cidade, quase sempre agachado, conhecido como “Mudinho”.
No entanto, Kátia Andrade Xavier e as irmãs Liliane de Fátima e Valquíria Aparecida Silva sustentam até hoje que viram um extraterrestre, conforme contam em entrevista para a série documental “O mistério de Varginha”, produzida pela TV Globo e com coprodução da EPTV.
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Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, “O mistério de Varginha” se divide em três episódios, que serão exibidos nesta terça (6/1), amanhã e quinta-feira, na TV Globo, na faixa das 23h, depois de “O auto da Compadecida 2”. A série também estará disponível no Globoplay.
No primeiro episódio, Ricardo e Paulo reconstituem a história, trazendo os depoimentos de Kátia, Liliane e Valquíria. Nos capítulos seguintes, traçam paralelos com outros casos ufológicos e apresentam argumentos de críticos para rebater as histórias.
“Não queríamos direcionar a opinião do espectador, e sim mostrar todos os lados possíveis”, afirma Paulo Gonçalves. “Estamos, afinal, tratando de um assunto polêmico, por assim dizer. Tem gente que acredita e que não acredita. É um tema que envolve paixão das pessoas. Por isso, respeitamos todos os depoimentos e não julgamos ninguém”, acrescenta.
Ufologista arrependido
A série conta também com depoimentos de militares que participaram do inquérito investigativo, de pessoas que afirmaram ter visto seres extraterrestres e do ufologista Ubirajara Rodrigues, o primeiro a estudar o caso. Foi ele quem fez o primeiro contato com as meninas e as estimulou a fazer o retrato falado do suposto ET.
“A gente conseguiu com ele um vídeo inédito, feito três dias depois que elas disseram ter visto a criatura”, conta Paulo. “Estavam chorando e assustadas. Afirmaram ter visto um buraco no chão, com uma pegada e forte cheiro de amônia”.
Ubirajara foi entusiasta do ET de Varginha por muito tempo. No entanto, mudou de opinião. Diz que conversou com especialistas e reviu os próprios conceitos. Fez até mea-culpa, julgando-se responsável por ter influenciado a opinião das meninas na época.
Terreno baldio
As moças discordam. Para elas, havia mesmo a criatura marrom com três protuberâncias na cabeça naquele terreno baldio. Alegam que se fosse alguém da cidade, por exemplo o “Mudinho”, saberiam reconhecê-lo.
Apesar de investigações apontarem a inexistência do ET, o mistério segue vivo no imaginário popular. Varginha, aliás, soube muito bem aproveitar o mito, incorporando a imagem do extraterrestre em slogans turísticos e materiais promocionais. Tem até Memorial do ET na cidade.
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“O MISTÉRIO DE VARGINHA”
Minissérie com três episódios. Desta terça a quinta-feira (6 a 8/1), às 23h, na TV Globo, depois de “O auto da Compadecida 2”. A produção também estará disponível no Globoplay.
