Rogério Tobias
Rogério Tobias
Mestre em Marketing; Pós-graduado em marketing; Administrador; Professor; consultor de marketing e negócios. Palestrante; Escritor.
NEGÓCIOS

Desafios do marketing frente ao comportamento do consumidor

Entre ansiedade, excesso de informação e busca por sentido, a Geração Z pressiona empresas a repensarem suas estratégias de marketing

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O consumidor mudou. Essa ideia já aparece com frequência dentro das empresas, mas ainda gera dúvida quando se tenta entender o que realmente está por trás disso. As mudanças do mercado não ficam só nos hábitos de compra ou no uso mais intenso do digital. O que vem acontecendo interfere na forma como o valor é percebido, sentido e levado em conta na decisão de compra. Isso aumenta a responsabilidade do marketing nas organizações.

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A Geração Z ajuda a enxergar bem esse cenário. Esse público está nas salas de aula, começando a carreira, influenciando decisões dentro de casa. Ele cresceu com infinitas informações, muitas referências e um ambiente de comparação constante. Ao mesmo tempo, convive com ansiedade, excesso de estímulos e dificuldade de encontrar estabilidade.

Logo depois vem a Geração Alpha, que já nasce dentro dessa realidade. Desde cedo está conectada, consumindo conteúdos rápidos, visuais e em grande volume. Isso muda a forma como se percebe o mundo e, naturalmente, como se relaciona com as marcas. Para o marketing, o nível de exigência de análise desses públicos tende a subir ainda mais.

Nesse contexto, chama atenção a forma como o passado aparece no comportamento de consumo. Mesmo sem terem vivido determinadas épocas, muitos jovens trazem essas referências para o dia a dia. Existe ali uma tentativa de se apoiar em algo mais familiar, que ajude a organizar a percepção em meio a tanta velocidade.

Dentro das empresas, a reação costuma ser rápida: aumentar presença digital, entrar em novos canais, produzir mais conteúdo. O esforço cresce, o volume também. Mas os resultados nem sempre acompanham. Aos poucos, fica claro que presença, por si só, não resolve, a forma como o marketing é pensado e executado passa a fazer toda a diferença.

O consumidor de hoje vai além do produto. Ele observa se a marca tem valor, se existe coerência no que ela fala e no que ela entrega. Aos poucos, a decisão deixa de ser só racional. Entra a percepção, entra o sentimento, entra o quanto aquela marca se encaixa na vida dele. No fim, a escolha passa também por identificação.

A Geração Z deixa isso bem claro. Ela consome, mas também interpreta. Escolhe, mas também se posiciona. Cada decisão carrega um pouco disso. O consumo passa a ter um papel mais amplo, que envolve identidade, pertencimento e valores.

Dentro dessa realidade, muitas empresas acabam seguindo um caminho mais imediato. Reproduzem estéticas, acompanham tendências, utilizam referências que já estão circulando. Em um primeiro momento funciona, chama atenção. Mas, com o tempo, fica difícil sustentar consistência.

Tenho recomendado que o marketing das organizações busque avançar um pouco mais nessa leitura. Não basta observar o que está acontecendo na superfície, é preciso entender o contexto, interpretar os sinais e transformar isso em orientação para a empresa. Esse movimento ajuda a dar mais consistência às ações e evita decisões baseadas apenas em repetição de tendências.

Insisto sempre nos meus artigos e entrevistas que o marketing precisa assumir um papel ainda mais ativo nas organizações. Isso passa por entender melhor o consumidor, o ambiente em que ele está inserido e os fatores que influenciam suas escolhas. E isso tem que acontecer o tempo todo.

Esse trabalho envolve olhar com mais atenção para o comportamento, segmentar de forma mais clara, acompanhar a jornada do cliente e analisar os dados com mais critério.

Ter acesso à informação já não é o principal desafio. A diferença está em dar um tratamento adequado a elas, e usar esse entendimento para orientar as decisões estratégicas e táticas da empresa.

Quando o marketing atua dessa forma, ele contribui para organizar melhor as escolhas, dar coerência às ações e sustentar o posicionamento ao longo do tempo. Sem esse cuidado, as decisões tendem a ficar mais dispersas, muitas vezes guiadas por urgência ou por leituras superficiais do mercado.

A Geração Z já sinaliza esse movimento no seu comportamento de consumo. A Geração Alpha tende a ampliar ainda mais esse nível de exigência. O ambiente segue acelerado, e o consumidor passa a observar mais, questionar mais e decidir com mais critério.

Empresas que conseguem entender esse cenário saem na frente. Conseguem se adaptar melhor, criar conexões mais consistentes e sustentar valor ao longo do tempo. As demais continuam atuando, mas com mais dificuldade de se diferenciar.

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Como destaca Philip Kotler, o marketing está diretamente ligado à criação de valor para o cliente. Em um cenário marcado por mudanças no comportamento, maior exigência e novas formas de percepção, compreender o que é valor para os novos públicos passa a ser central para orientar decisões.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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