Simões usa déficit para desestimular rivais
Nikolas articula para que seu partido apoie Simões e não Cleitinho Azevedo, que, se vitorioso, poderia tentar a reeleição e atrapalhar seus planos
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A estratégia de esconder os números das finanças do estado foi usada durante todo o governo Zema (Novo) e, agora, também é tática eleitoral do governo Simões para desencorajar adversários. O ex-governador Romeu Zema nunca revelou os saldos das contas bancárias apesar dos consecutivos pedidos, até oficiais, da Assembleia Legislativa.
Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano passado, o governo previu um déficit de R$ 3 bilhões para 2026, depois, enviou o orçamento com déficit na casa dos R$ 5 bilhões. Neste ano, a LDO aponta aumento para R$ 7 bilhões no saldo negativo para 2027. Soma-se a esse desafio o gerenciamento da dívida com a União de R$ 200 bilhões, com renegociação já encaminhada. Tudo somado, os menos experientes são os mais assustados, dispostos até a adiar o enfrentamento.
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O primeiro a cair na conversa de Simões foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que, além de adiar seu projeto, resolveu apoiar a reeleição dele. Outro argumento atraente do atual governador é que não poderá mais, caso eleito, se candidatar em 2030. Diante disso, Nikolas articula para que seu partido apoie Simões e não Cleitinho Azevedo (Republicanos), que, se vitorioso, poderia tentar a reeleição e atrapalhar seus planos.
Os riscos de ingovernabilidade por conta do estado de quebradeira de Minas deixaram Cleitinho preocupado. Tanto é que ele mantém o suspense sobre a futura candidatura. Durante os sete anos de sua gestão, Zema recorreu à falta de transparência para driblar a pressão dos servidores públicos por reajuste salarial. Em vez disso, o governo só os contemplou com reposições salariais inflacionárias. A desconfiança é, hoje, assunto entre os deputados estaduais, que, pelas mesmas razões, não têm como apurar a realidade das finanças estaduais. Além disso, se ao final do ano superar o problema, o governador poderá dizer que saneou as contas.
Meta é chegar ao segundo turno
Outra estratégia de Simões é ficar competitivo. Nos próximos dias, pesquisas internas irão medir o desempenho de seu esforço com as viagens pelo interior mineiro e pelas campanhas publicitárias partidárias e oficiais. Nos cálculos de aliados, ele quer chegar aos dois dígitos nas pesquisas durante a Copa do Mundo e alcançar o segundo turno da disputa em setembro. Uma vez lá, na disputa final, trabalharia a comparação de seus conhecimentos da máquina pública perante o concorrente.
Pacheco ignorado
Quando transferiu a capital mineira para Passos (Sul/Sudoeste), Simões fez anúncios na segurança, como a construção da nova sede da Delegacia Regional de Polícia Civil da cidade. Fez o discurso comemorativo, mas não deu o crédito devido ao senador Rodrigo Pacheco (PSB), autor da emenda parlamentar que destinou R$ 6,1 milhões e viabilizou a obra. Rival político, Pacheco tem em Passos sua base afetiva, onde passou a infância e a juventude.
Professora Cármen corrige
Professora licenciada de Direito Constitucional da PUC Minas, a ministra Cármen Lúcia, do STF, fez questão de marcar posição e corrigir o também professor de Direito e governador Mateus Simões. Ele se gabava de ter estabelecido o limite máximo de mulheres em concurso público. “Limite máximo não existe”, corrigiu a ministra, citando até decisão do Supremo.
TCE: idade favorece Ione
Além do fato de ser mulher numa corte historicamente masculina, a idade contribuiu para o consenso em torno da deputada Ione Pinheiro (União) para ser conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ela tem 62 anos e é a que tem mais idade entre os demais concorrentes. Ou seja, terão que esperar apenas 13 anos para a aposentadoria dela e surgimento de nova vaga. Aos 75 anos, servidores públicos devem se aposentar. Antes dela, Alencarzinho Silveira foi eleito e será o primeiro a deixar o TCE em 12 anos. Ao contrário deles, outro eleito, o presidente da Assembleia, Tadeu Leite, chegará ao tribunal com 40 anos, podendo ficar ali por 35 anos.
Trump faz mal a Flávio
Além de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, o presidente norte-americano Donald Trump também faz mal ao pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). Toda vez que os bolsonaros vão aos EUA atrás das bênçãos do aliado amargam desgastes. Dessa última viagem, Flávio Bolsonaro comemorou a classificação de “terroristas” para o PCC e Comando Vermelho. No dia seguinte, viram o tarifaço norte-americano de 25% sobre produtos brasileiros. A pesquisa presidencial Quaest, divulgada ontem, acendeu luz amarela para as pretensões bolsonaristas. O mundo da direita não radicalizada já desconfia da capacidade dele em vencer Lula nas eleições.
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Entregas de Jarbas
Além de pontuar bem nas pesquisas, outro critério decisivo nas eleições deste ano são as entregas. Aí surge uma pergunta sem respostas para o pré-candidato a governador pelo PSB: quais são as entregas do ex-procurador-geral geral de Justiça de Minas Jarbas Soares?
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
