Cleitinho já tem discurso para desistir
É impensável que um pré-candidato a governador de Minas diga, em veículo nacional, que não confia 100% no presidente de seu partido
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Como biruta de aeroporto, que, a cada minuto, aponta direção diferente, o senador Cleitinho Azevedo, apesar de liderar as pesquisas, encontrou saída honrosa para não disputar o governo. Decidiu brigar com o próprio partido, o Republicanos. É impensável, por mais que os tempos sejam outros, que um pré-candidato a governador de Minas diga, em veículo nacional, que não confia 100% no presidente de seu partido, Marcos Pereira. Logo aquele que tem o poder de avalizar ou não a sua candidatura, de liberar ou não os recursos bilionários do fundo partidário para uma eleição custosa, de mais de R$ 20 milhões.
E mais, chamou de “falso profeta” o chefe religioso desse partido e dono de rede nacional de TV, referindo-se ao bispo Edir Macedo. Por mais que seja famoso por seus desabafos, com sua metralhadora giratória, Cleitinho não está querendo mesmo ser candidato e achou um jeito de dizer que não o deixarão disputar. É uma estratégia de risco e de custo alto por suas consequências.
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Já dissemos que Cleitinho tem tudo para ser o próximo a desistir (coluna do dia 1º/6), depois da recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB). Como foi avaliado por ele, Cleitinho tem duas dificuldades quase insuperáveis para o desafio. Primeiro, constatou que a situação financeira de Minas é um estado de engessamento que inviabiliza a governabilidade. Um fracasso eleitoral ou administrativo queimaria o filme dele e de todo o clã, que inclui irmãos (deputado, vereador e ex-prefeito).
Em segundo lugar, além da dificuldade partidária exposta na briga com a direção nacional, Cleitinho busca aliança com outra legenda, o PL bolsonarista, para ter tempo de TV na campanha eleitoral. Sem isso, perderia competitividade. Ele teve encontro favorável com o pré-candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, em Patos de Minas (Alto Paranaíba), na semana passada, mas ficou mais consciente da oposição de Nikolas Ferreira. Uma das lideranças mais fortes do PL mineiro, Nikolas defende o apoio dos bolsonaristas apoiem à futura candidatura de Mateus Simões (PSD), atual governador de Minas.
Caiado ameaça Flávio Bolsonaro
Os consecutivos erros de Flávio Bolsonaro expõem suas dificuldades em liderar a direita contra a reeleição do presidente Lula. O primeiro e maior desacerto dele, até agora, foi o envolvimento mal explicado com o ex-dono do banco Master para financiar um filme sobre o pai dele. Na sequência, vieram posições controversas sobre o novo tarifaço de 25% dos Estados Unidos e o futuro do Pix. Por causa disso, Flávio vem perdendo espaço para concorrentes, especialmente Ronaldo Caiado, ex-governador goiano e pré-candidato presidencial do PSD. Na última pesquisa Vox Brasil, na disputa polarizada com Lula, em eventual segundo turno, Flávio perde por seis pontos percentuais. Nessa mesma sondagem, Caiado aparece empatado tecnicamente com o petista. A pesquisa Vox foi realizada entre 1º e 3 de junho, ouviu duas mil pessoas e está registrada no TSE (BR-08016/2026).
Mais queda na receita de Minas
As recentes turbulências na Secretaria de Fazenda de Minas provocaram duas quedas. A primeira foi a do próprio titular da pasta, o então secretário Luiz Cláudio Gomes. A segunda, em função dos desarranjos da primeira, foi a queda na receita estadual com uma perda amarga de quase R$ 2 bilhões apenas nos cinco primeiros meses deste ano. A previsão de receita tributária, que era de R$ 50,371 bilhões, caiu para R$ 48,458 bilhões. Uma diferença negativa de R$ 1,913 bilhão no acumulado de janeiro a maio. O secretário foi substituído, mas a sucessora, Luciana Mundim, espera que o novo governador Simões lhe dê as condições de modernização e valorização da estrutura de arrecadação e fiscalização tributária. E mais, de capacitação e preparação na implantação da reforma tributária.
Damião recua de sua sétima Copa
Depois de cobrir seis copas do mundo como repórter esportivo, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), recuou da sétima, nos EUA, por razões políticas. Receoso de mais desgastes e críticas, ele decidiu ficar por aqui, dizendo que estará do lado do povo e que cuidará das obras. Terá também a oportunidade de dedicar mais tempo para achar a solução para o fim da greve na educação (mais de 30 dias) e conter o déficit público, que, em 2027, chegará aos R$ 308 milhões. Sugestões não faltam, como o projeto do vereador Wagner Ferreira (Rede), que propõe uma espécie de Refis, renegociando e recuperando créditos tributários.
Letra em cena
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“A gente pensa com palavras e, se você encurtar muito a língua, encurta o pensamento também”. A lição é da educadora popular, freira e escritora Maria Valéria Rezende, de 82 anos, que, nesta terça (9), participa do Letra em Cena, do Centro Cultural Unimed-Minas, onde também lança seu último livro, “Recapitulações”. O evento é um projeto literário de palestras cênico-literárias e aulas-show com foco em autores da língua portuguesa. Maria Valéria escreve desde criança, mas lançou seu primeiro livro, “Vasto Mundo”, aos 59 anos.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
