Na agenda presidencial que cumpriu em Minas, na sexta-feira (20), Lula foi direto com o senador Rodrigo Pacheco (PSD): “Não tenho outro candidato. Tem que ser você”. O mais recente apelo do presidente foi feito, no deslocamento entre Betim (Grande BH) e Sete Lagoas (Central), ao pré-candidato a governador, lançado por ele em fevereiro de 2025.
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O senador reconheceu sua responsabilidade para com o estado e adiantou ao presidente, além de contar com ele, que está na busca da construção desse projeto (candidatura). “Temos que criar as condições”, teria dito Pacheco, elencando algumas dificuldades.
De acordo com ele, a maioria dos partidos está rachada e dividida, no âmbito da polarização, entre os que apoiam a reeleição de Lula e os que se opõem. Lula concordou que a oferta de partidos estaria difícil no quadro partidário. As opções de filiação se restringem hoje ao União Brasil, MDB e PSB.
Falta consenso nas duas primeiras legendas, ao contrário da terceira. Daí, o pedido de apoio político ao presidente, além de contar com os senadores desses mesmos partidos, que seriam lideranças nacionais. As conversações com esses partidos, das quais faz parte do presidente, incluem um partido de centro na chapa presidencial no lugar do atual vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O fato é que, até agora, nenhuma das outras candidaturas do campo da esquerda deu certo. O procurador de Justiça Jarbas Soares (sem partido) deverá continuar onde está, ficando fora da política. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), não quer disputar, além de ser boicotada pelo próprio partido. O ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e o PT não conseguiram se entender e resgatar a aliança.
Chances e riscos dos pré-candidatos
Veja as chances e riscos de cada um dos pré-candidatos a governador nas eleições deste ano
- Cleitinho Azevedo (Republicanos) - líder das pesquisas, é um fenômeno da internet, onde atua sem regras. Seu risco é ser confrontado no mundo real e na campanha eleitoral, onde há regras definidas ao contrário das redes sociais. Além disso, não tem entregas concretas.
- Alexandre Kalil (PDT) - seu principal trunfo, ao contrário dos rivais, seriam as entregas. Elas não funcionaram na campanha passada, em 2022, quando perdeu para a reeleição de Zema (Novo). Desta vez, caso não faça aliança partidária que o ampare, ficará sem tempo de TV e rádio eleitoral para defender seus feitos.
- Mateus Simões (PSD) - terá que reinventar o discurso, já que não poderá se amparar na herança do ex-governador Fernando Pimentel (PT), que elegeu e reelegeu o atual governo. O Novo e Zema não construíram identidade própria nem mostraram suas virtudes. Com a perda da narrativa de desconstrução do passado, abraçaram o bolsonarismo. Simões terá que justificar o porquê da continuidade do Novo que ele mesmo abandonou.
- Gabriel Azevedo (MDB) – Corre por fora, mas também lhe faltam entregas consistentes e força política. Na pior das hipóteses, vai ganhar notoriedade para seu sonho maior, que é ser prefeito de BH. A exemplo de Simões, tem a jovialidade como trunfo, o que pode representar renovação.
- Rodrigo Pacheco (PSD) - precisa encontrar logo um partido e montar um grande arco de alianças para reforçar a possível candidatura. Tem o apoio de Lula e do PT, que traz, de um lado, força política; do outro, forte rejeição. Além disso, terá que mostrar disposição e interesse na disputa.
Novo discurso de Simões
Como antecipamos aqui, em seu discurso de posse, o novo governador Mateus Simões (PSD) confirmou que adotará um plano de gestão de 100 dias antes da campanha eleitoral para governador. Vai percorrer o interior mineiro e suavizar o discurso. Em sua fala, durante a posse na Assembleia Legislativa, foi equilibrado, mas alfinetou o rival Cleitinho. O ponto mais fora da curva foram as críticas indiretas do Tribunal de Contas do Estado, que, segundo ele, seria aquele órgão de controle “que não deixa as coisas acontecerem”.
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Ex-deputados tentam 5º mandato
Os ex-deputados Bráulio Braz (estadual) e Fabinho Liderança (federal) tentam voltar ao Legislativo pela quinta vez. Para fugir do quociente eleitoral que o derrotou na eleição passada para deputado federal, o ex-deputado estadual Bráulio Braz trocou o PTB pelo PL. Após 16 anos de mandato, Braz quer voltar à Assembleia. Tem 78 anos, é empresário e um dos donos do Grupo Líder de Muriaé, que tem mais de 100 concessionárias distribuídas em quatro estados. Fabinho Liderança (foto) deixou o MDB e assinou filiação ao PL, seu sexto partido. Quer voltar à Câmara dos Deputados, onde chegou, entre 2017 e 2018, a ocupar a vice-presidência da Casa.
