Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
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O avanço da ciência para quem sofre com dores no joelho

Antes de qualquer tratamento, é preciso analisar o paciente, o grau da artrose, os exames, as limitações da rotina e a expectativa real de resultado

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Ninguém percebe o valor de um joelho saudável até perder a liberdade de caminhar sem dor, como, por exemplo, a artrose, que costuma chegar discreta até transformar movimentos simples em obstáculos diários. Baseado em experiências médicas, muitos pacientes têm medo da prótese.

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Mas a ortopedia moderna vem mudando essa conversa. Em vez de esperar que a articulação chegue ao limite, novas terapias buscam preservar a função, reduzir a dor e melhorar a mobilidade antes de decisões cirúrgicas maiores. O hidrogel faz parte desse avanço: pode haver esperança, desde que guiada por ciência e avaliação médica criteriosa.

Para o ortopedista Rafael Raso, especialista em dores nos joelhos, uma das mudanças mais relevantes da ortopedia atual está em compreender que o joelho com artrose não deve ser visto apenas como uma articulação desgastada, mas como parte de um processo que envolve inflamação, perda de função e enfraquecimento muscular. “A dor no joelho não deve ser vista apenas como falta de cartilagem. Muitas vezes, ela envolve inflamação, perda de força, sobrecarga e alteração de todo o ambiente da articulação”, explica.

Essa visão ajuda a compreender por que a conversa sobre o hidrogel deve começar pela avaliação. Antes de qualquer tratamento, é preciso analisar o paciente, o grau da artrose, os exames, as limitações da rotina e a expectativa real de resultado. Segundo Raso, o avanço não está apenas no surgimento de novas tecnologias, mas na capacidade de indicá-las no momento certo. “O hidrogel entra nesse contexto como uma possibilidade de melhorar o ambiente interno da articulação, reduzindo sintomas e favorecendo a mobilidade em pacientes bem selecionados”, afirma.

Diretrizes da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, dos Estados Unidos, reforçam que o tratamento da osteoartrite deve considerar os sintomas, função, estágio da doença e qualidade de vida. O princípio é que nenhuma tecnologia, por mais promissora que pareça, deve ser apresentada como solução universal.

No campo das pesquisas, um estudo publicado na revista Clinical and Experimental Rheumatology comparou o hidrogel de poliacrilamida ao ácido hialurônico em pacientes com osteoartrite. A pesquisa acompanhou 239 adultos e apontou resultado comparável em efetividade e segurança no alívio dos sintomas após uma única aplicação.

O hidrogel, portanto, deve ser apresentado como uma esperança possível, não como solução para todos. Sua indicação depende de avaliação individual. Até a expressão “reidratar a articulação” exige cuidado: segundo Raso, a ideia é melhorar o ambiente intra-articular, a lubrificação, o deslizamento e as condições de funcionamento da articulação.

Como a artrose não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, alguns pacientes podem precisar de medidas conservadoras, outros de procedimentos intra-articulares e, em casos avançados, da prótese. Por isso, o hidrogel não deve ser colocado como rival da cirurgia, mas como parte de um raciocínio médico: preservar quando ainda há possibilidade e substituir quando necessário.

Para o ortopedista, esse é o ponto que precisa ficar claro. “A forma mais responsável de dizer é que o hidrogel pode ajudar a adiar a cirurgia em casos selecionados. Dizer que ele evita a prótese de forma absoluta pode criar uma expectativa que a medicina não deve prometer.” Entre a esperança e a frustração, muitas vezes, está a precisão da avaliação médica. Por isso, a escolha do tratamento deve nascer do olhar de um profissional capaz de compreender a história daquele paciente e indicar, com critério, o caminho mais seguro para preservar a autonomia.

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Como resume Rafael Raso, “procurar um ortopedista pode significar entender cedo o problema para tentar evitar que ele avance”. Não normalize a dor como destino e entenda que a ciência pode oferecer caminhos, desde que conduzidos com critério e responsabilidade.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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