O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vivia o auge de sua campanha, entusiasmando a Faria Lima e fatias significativas do setor produtivo nacional, pela personificação da imagem de um “Bolsonaro moderado”. Mas, desde que em 13 de maio o Intercept Brasil publicou e divulgou áudios que expuseram o relacionamento dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o pré-candidato entrou numa espiral de más notícias. Os áudios, nus e crus, tiveram o efeito sobre cristãos novos semelhante à quebra de expectativa vivenciada por pessoas apaixonadas que, em algum momento, confrontadas pela realidade, veem as idealizações se desmancharem no ar. Depois da raiva, passam a decidir se querem elaborar tais frustrações ou simplesmente dizer adeus. É neste ponto que talvez se encontrem aqueles eleitores independentes que se desencantaram com Flávio Bolsonaro e deixaram de votar nele, conferindo a Lula, neste momento, o favoritismo do pleito.

 

 

Ao primeiro baque, vieram outros. Flávio tentou conter a hemorragia do Caso Master pedindo arrego a Donald Trump. Com o apoio de seu “consultor” Paulo Figueiredo e do irmão Eduardo Bolsonaro, esteve na Casa Branca para “arrancar” o anúncio da classificação das organizações criminosas PCC e CV em organizações terroristas. Embora na prática a ação seja de efeito duvidoso, a nomenclatura tem lá o seu impacto. Quando se preparava para celebrar o “sucesso” da “missão”, Flávio também ouviu do aliado Trump a decisão de aplicar tarifas retaliatórias de até 25% sobre diversos produtos brasileiros, com a decisão final prevista para 15 de julho. Sob a sombra da atuação de Eduardo Bolsonaro em 2025, Flávio tentou se afastar do tarifaço. Depois de correspondência ao United States Trade Representative (USTR). em que pedia que fosse adiado para depois das eleições, Flávio afirmou em audiência do USTR na terça-feira, 7, que o tarifaço ajudaria Lula e este seria o pior momento de implementá-lo. Causou revolta, inclusive entre ex-aliados.

 

 

Mas isso não é tudo. Noites de facas longas entre “eduardistas”, “nikolistas”, “michellistas” e pragmáticos no comando da legenda, eis o tormento que também alimenta guerras por palanques de Santa Catarina ao Ceará. Quando Flávio Bolsonaro parecia se recuperar do caso Vorcaro, na carona do senador Jaques Wagner (PT-BA), a madrasta veio a público, em disputa frontal pelo capital político da família com os enteados. Michelle declarou ter sido “apunhalada” por Flávio Bolsonaro, que a teria maltratado e humilhado, em desconsideração ao trabalho dela à frente do PL Mulher. Michelle afirmou que ali estava a falar sob a anuência de seu marido, pai de Flávio Bolsonaro. Dias depois, circulou entre bolsonaristas eduardistas a versão de que Jair Bolsonaro só soube do conteúdo dos vídeos após a publicação. Também circularam especulações de que a assessoria do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) teria ajudado Michelle na produção do material. Mas o parlamentar, que é aliado de Michelle, desmentiu e ainda criticou o formato dos vídeos. Dos Estados Unidos, o consultor para assuntos norte-americanos, Paulo Figueiredo, completou o serviço. Gravou um vídeo falando mal das mulheres, que, para ele, não sabem votar. A repercussão no Brasil foi a pior possível.

Para Flávio, as más notícias se sucederam. Na terça, no Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), aliado de Flávio Bolsonaro e pré-candidato ao Senado, foi preso pela Polícia Federal após agentes encontrarem um fuzil em seu carro. Canella é um dos alvos da operação contra organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Está aberta, agora, a temporada do fogo amigo no Rio pela nova indicação de quem substituirá Canella. Dizem que não há bem que sempre dure e nem mal que nunca acabe. Se há consolo para Flávio Bolsonaro é que, entre mortos e feridos, ele segue polarizando a eleição presidencial com Lula, único nome com tração para alcançar o segundo turno. 

Pastelão à...

O senador Cleitinho (Republicanos) denunciou da tribuna do Senado, que um político de Divinópolis o procurou para transmitir-lhe um recado de terceiros: uma proposta em dinheiro para desistir de concorrer ao governo de Minas. Segundo Cleitinho, o caso ocorreu na quinta-feira passada. “Está tudo bem gravadinho”, declarou o senador.

...mineira

Cleitinho relatou que antes de revelar o assunto, o político pediu-lhe um encontro pessoal. “Fui encontrar com ele. Estava tomando um caldo de feijão no São José, ele buzinou e pediu pra eu entrar no carro. Ligou o som na altura danada. E disse: ‘Um pessoal aí mandou te dar um recado. Estou com medo de te falar, mas eles estão oferecendo dinheiro pra ver se você desiste’”. Cleitinho devolveu o recado: “Eu não vou desistir. O jogo só está começando. Olha o medo que estou de vocês. É zero (...) Se eu estiver liderando, quando chegar em agosto, quem vai decidir essa bagaça vai ser o povo. Eu nunca estive a venda”.

Patrus

Embora circule o nome do deputado federal Patrus Ananias (PT) como possibilidade para concorrer ao governo de Minas, ele informa que não foi consultado pelo partido e que, no momento, está empenhado em sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

Bets

Em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o deputado federal Aécio Neves (PSDB) detalhou e requereu regime de urgência para o Projeto de Lei 3545/2026, de sua autoria, que altera a Lei nº 14.790, de dezembro de 2023, proibindo a propaganda de apostas on-line (bets) em todos os veículos de comunicação, incluídos serviços de streaming, redes sociais e outdoors, entre outros. A proposta também veda a contratação de artistas, celebridades, influencers ou de qualquer pessoa para divulgação de bets. Se aprovada a matéria, a única exceção para propaganda de bets será em eventos esportivos patrocinados oficialmente, seja patrocínio da arena ou do estádio, da competição, das equipes ou dos times participantes.

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Saúde pública

Segundo Aécio, há hoje no Brasil 187 bets legalizadas. Dados do Banco Central indicam que somente em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em plataformas digitais de apostas, montante que corresponde a 21% do valor repassado às famílias no país. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo indica que 63% dos apostadores tiveram sua renda comprometida por conta do consumo dos serviços de apostas. Além disso, quase um quarto afirma ter deixado de comprar roupas, e 9% reduziram despesas no supermercado.

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