Farsa ou tragédia?
Quase cem anos após Mussolini entrar para a história como o único líder a sediar uma Copa que interferiu na arbitragem, eis que Donald Trump salta à cena.
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Copa de 1934. O planeta ainda se afogava nos efeitos da Grande Depressão de 1929. A Itália fascista de Benito Mussolini tinha o propósito de transformar a segunda edição da competição mundial em uma vitrine global do regime totalitário. Em essência, tal era o lema de Il Duce : "Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado". Foi um campeonato marcado por disputas diplomáticas, boicotes, controvérsias institucionais e uma intensa operação de propaganda conduzida pelo fascismo.
O time italiano não era lá essas coisas. Il Duce, sabia disso. “Contornou” o problema: flexibilizou as leis da nacionalidade em vigor para naturalizar quatro jogadores argentinos e um brasileiro, que atuavam em clubes italianos e tinham ascendência italiana. A Argentina, vice-campeã de 1930, chegou à Copa sem alguns de seus talentos. O Uruguai, país-sede e campeão de 1930, recusou-se a participar em 1934, em protesto contra a ausência de várias seleções europeias, inclusive a italiana, quatro anos antes.
O presidente da Fifa, Jules Rimet, admitia publicamente que quem organizava o torneio era Mussolini. Era Il Duce quem selecionava a arbitragem dos jogos da “Squadra Azurra”. Contra a Áustria, considerado um dos melhores times do mundo à época, Mussolini escolheu o juiz sueco Ivan Eklind. Com um gol impedido, a Itália passou à final no estádio nacional em Roma. Enfrentou e venceu a Tchecoslováquia. Mussolini foi a figura central da Copa de 1934, inclusive no ato da premiação. Além da taça Jules Rimet, o capitão italiano Giampiero Combi recebeu das mãos do líder fascista o troféu Coppa del Duce. Desenhado para expressar a grandeza do fascismo, era seis vezes maior do que a taça oficial da Fifa.
Não apenas a Itália fascista se apropriou do futebol como arma de propaganda política. Na Copa de 1970, a tricampeã Seleção Brasileira de Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino foi usada pela ditadura militar para reforçar a ideia de um Brasil “unido”. Saía o foco da repressão política. Entrava a nação de chuteiras. O governo se metia a escalar o time, mas não tinha poder para interferir na Copa realizada no México.
Quase cem anos depois de Mussolini entrar para a história do futebol como o único líder a sediar uma Copa que interferiu na arbitragem e organização para impulsionar o próprio país, eis que Donald Trump salta à cena. Para garantir a participação de Folarin Balogun do time norte-americano nas oitavas de final contra a Bélgica, a Casa Branca coordenou uma operação jurídica e política sem precedentes: produziu um “dossiê” contra a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela aplicação do cartão vermelho que resultaria na suspensão automática do atacante.
Sem provas, a Casa Branca acusa Claus de estar envolvido em manipulação de resultados em jogos no Brasil. Segundo o portal esportivo "The Athletic", associado ao “The New York Times”, o governo Donald Trump recrutou advogados em conjunto com o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o doador da Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) e gestor de fundos de investimento, Scott Goodwin.
Tais documentos foram a base da argumentação submetida à Fifa para reverter a suspensão do atacante após o cartão vermelho aplicado durante o jogo contra a Bósnia e Herzegovina. Nesta segunda-feira, considerando, sem nenhuma prova, Claus “suspeito”, Trump declarou que telefonou a Gianni Infantino para pedir a revisão da suspensão de Balogun. Em comunicado oficial, o dirigente da Fifa fez o que, àquela altura, ainda lhe cabia: disse que os órgãos disciplinares da Fifa são autônomos e que suas decisões se baseiam no Código Disciplinar e nas circunstâncias específicas de cada caso.
Se a intervenção de Mussolini em 1934 foi a farsa de um regime que precisava inflar uma taça para parecer gigante; em 2026, a tragédia que se evidencia é a erosão das regras que embasam o esporte mais popular do planeta. O espetáculo mudou, mas o líder do país-sede quer tomar o apito.
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Cidadania
A ex-deputada estadual mineira Luzia Ferreira assumiu, nesta segunda-feira, a presidência nacional do Cidadania, após decisão do desembargador Rômulo de Araújo Mendes, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que devolveu a Comte Bittencourt (RJ) o comando da sigla, afastando o deputado federal Alex Manente. Como Comte migrou para o PSB, a vice-presidente eleita pelo diretório nacional assumiu a função. A posse de Luzia Ferreira acontece em meio a uma disputa judicial pelo comando do partido. A corrente ligada ao ex-senador Roberto Freire (PE) tentou, na Justiça, subterfúgios para ter o comando da sigla, embora, internamente, a maioria respalde o grupo político de Comte Bittencourt e Luzia Ferreira.
Candidatura própria
Ainda que não tenha definido o nome, a tendência do PT de Minas será a candidatura própria. Sem a disponibilidade de Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, o nome mais forte é do deputado federal Reginaldo Lopes, puxador de votos da chapa proporcional. Se sair para o governo, a chapa proporcional para a Câmara dos Deputados ficará desfalcada. Além do deputado federal Paulo Guedes que se colocou à disposição, a ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart é outra possibilidade.
Especulações
No campo das especulações sem qualquer consulta do partido, circulam os nomes de Daniel Sucupira, ex-prefeito de Teófilo Otoni e do deputado federal Patrus Ananias. Por um lado, Sucupira explica que nunca foi consultado e que está em pré-campanha para a Assembleia de Minas. Por outro, Patrus Ananias tampouco foi procurado pelo partido e está mobilizando as suas bases para a sua pré-campanha à reeleição. “Reafirmo a pré-candidatura de Patrus Ananias para deputado federal. Ninguém nunca consultou Patrus sobre isso”, assinala o vereador Pedro Patrus, que coordena a campanha do pai.
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Premiação
O Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG), foi homenageado, em 25 de junho, no Prêmio Inventor Petrobras 2026, iniciativa do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes) que reconhece pesquisadores e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) responsáveis por tecnologias que resultaram em depósitos de patentes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A cerimônia de premiação foi realizada no Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro. do CTNano/UFMG receberam o troféu o coordenador do projeto, professor Myriano Henriques de Oliveira Jr., a pesquisadora Daiana Sígolo Pimenta e o engenheiro Alexander Hiroshi Kasama, interlocutor do projeto junto à Petrobras.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
